"4" Post(s) arquivados na Tag: maternidade

04 de julho de 2020

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O forró e outra lembrança

Por Eriane Dantas

Em toda a nossa vida juntos, há momentos que sempre recordamos de vez em quando, como aquela noite embaraçosa no forró.

Se eu pudesse viajar no tempo, voltaria àquela noite só para reagir de outro modo ao ser abordada no meio do salão. Evitaria assim a vergonha que viveu entre nossos amigos, que fixaram uns olhos compridos em nós.

Mas, naquela noite, enquanto casais rodopiavam ao som do baião, eu não poderia prever o nosso futuro.

E acho que já fui perdoada faz tempo ou não estaria eu aqui lhe escrevendo estas palavras quase treze anos depois.

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30 de maio de 2020

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Cartas para Marilu (n° 12)

Sábado, 13 de julho de 1985.


Marilu,


Depois do desastre que foi a conversa com seu pai, encontrei Teresa e disse que queria participar de suas reuniões. Não importava contra quem eles lutavam; eu também queria lutar. A luta por liberdade também me tinha feito sair de casa, embora eu não tenha refletido sobre isso antes de tomar a decisão.

Saí do hotel diretamente para a igreja ao lado, onde encontrei dezenas de homens e mulheres que alternavam sorrisos e uma expressão de tristeza. Teresa me explicou que seus companheiros tinham esperança de ver o país livre outra vez, mas o clima de repressão e o medo por vezes ofuscavam seus pensamentos positivos.

Um homem subiu ao altar e reafirmou a importância da resistência. Eles trilhavam o caminho certo e ninguém poderia esmorecer naquele momento. Relembrou os companheiros que não se encontravam mais ali, companheiros cujo paradeiro só podiam imaginar, e pediu que cada um dos presentes prosseguisse na batalha por aqueles que não podiam fazê-lo.

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19 de maio de 2020

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Bolos e lembranças

Por Eriane Dantas

Uma das gratas lembranças da minha infância são os bolos com que minha mãe me acordava no dia do meu aniversário: bolos com glacê simples branco. O gosto não consigo recordar agora, mas ao pensar neles sinto um sabor de alegria, de amor, de dedicação.

Minha mãe sempre foi dedicada à família e dominou a cozinha com seu conhecido talento culinário. Talvez por isso eu não tenha me preocupado em aprender muito no campo da panificação e confeitaria (quem precisa aprender a fazer bolos quando tem uma mestre em casa?).

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12 de maio de 2020

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[Resenha] A conta-gotas

Por Ana Carolina Carvalho

  • Título Original: A conta-gotas
  • Gênero do Livro: Romance
  • Editora: Edições SM
  • Ano de Publicação: 2015
  • Número de Páginas: 117
Sinopse: A conta-gotas, pacientemente, com persistência — foi desse modo que Olívia conheceu sua mãe. Ela tinha nove meses quando Laura fugiu de casa, deixando-a com o pai e a avó. Na família não se falava da figura materna, não havia uma fotografia, nenhum registro do passado, nada. Para desvendar esse segredo, Olívia teve de se virar, recolhendo vestígios nos lugares mais improváveis: nos cochichos da avó, na ruga do pai, no espelho do quarto, na antiga cadeira de balanço, na samambaia da varanda... Trata-se de uma narrativa tocante sobre o trauma do abandono e as tentativas de resgate da própria história, em meio aos temores, fantasias, dúvidas e conquistas típicos da adolescência.
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Foi desse modo que conheci minha mãe. Em mínimas doses, e não como qualquer criança conhece a sua. Ou, pelo menos, como eu pensava que mãe e filha deveriam se conhecer: em uma convivência diária, intensa (p. 9-10).

O trecho acima é o resumo de como Olívia, a narradora-protagonista de A conta-gotas, conhece sua mãe, que partiu quando a menina ainda era bebê, deixando-a aos cuidados do pai.

Durante sua infância e adolescência, Olívia mantém o desejo de conhecer a mãe, mas esse é assunto proibido em sua casa e na casa da avó e a menina não vê sequer uma foto da mãe.

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