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09 de setembro de 2020

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A leitura como pré-requisito

Planejei escrever a respeito das dificuldades da escrita por mulheres. Até retirei da estante Um teto todo seu, de Virginia Woolf, para uma nova leitura, mas nada me veio sobre o que queria escrever. Um trecho do livro me chamou a atenção e me levou para outro rumo.

Quase no final do livro, Virginia Woolf defende:

[…] um gênio como o de Shakespeare não surgia entre pessoas trabalhadoras, sem edução formal, servis. […] Não surge hoje entre as classes trabalhadoras (p. 73).

Em um instante me lembrei daquela famosa afirmação que estabelece a leitura como um pré-requisito da escrita: para escrever bem, é preciso ler.

Tenho a impressão de que a maioria dos escritores e das escritoras formou-se em áreas relacionadas à escrita ou pelo menos se encontrou com a leitura ainda no berço. Sinto-me um pouco deslocada quando leio biografias assim, pois não fiz nem uma coisa nem outra.

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22 de agosto de 2020

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O processo VII

Publicar o livro (parte 2)

Recordo-me de escrever desde criança, quando enchia cadernos com histórias geralmente dramáticas. Houve, entretanto, um longo período em que me afastei dessa atividade (não saberia explicar o motivo). Mantive a escrita apenas nos momentos obrigatórios (trabalhos da escola, da faculdade ou da ocupação remunerada).

Por volta do ano de 2013, redescobri o gosto pela escrita. Dessa redescoberta, surgiu o livro Não sou mais criança, publicado no ano seguinte. De lá para cá, tenho estudado, lido e experimentado mais (e o blog contribuiu nesse processo). Venho aprendendo e aprimorando minha forma de escrever e até passei a me identificar (e me apresentar) como escritora.

Durante esse tempo, conheci distintas histórias de escritores e escritoras sobre seu ingresso no mercado editorial. Algumas delas fazem até parecer que tudo é fácil demais. Tentei usar suas estratégias, mas até o momento nada do que serviu para eles e elas serviu para mim.

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11 de agosto de 2020

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O Pequeno Príncipe e a valorização do pensamento infantil

Mas, para nós, que compreendemos a vida, os números não têm tanta importância! […] (p. 26)

Já escrevi no blog sobre livros e autores que valorizam a capacidade das crianças e dos jovens, com textos inteligentes e sensíveis, que divertem, emocionam e levam a refletir, a descobrir coisas novas (veja exemplos aqui e aqui). Hoje falo de O Pequeno Príncipe, de Antoine de Saint-Exupéry (Geração Editorial, 2015), que possui essas mesmas características, mas o destaque aqui é para o reconhecimento, pelo narrador, da forma diferenciada de pensar das crianças.

O narrador (o piloto que encontra o Pequeno Príncipe no deserto) conta que, em sua infância, mostrou um desenho de sua autoria aos adultos, na esperança de que vissem ali o que ele via. Porém os adultos não o compreenderam; enxergaram apenas um chapéu.

Meu desenho não era de um chapéu. Era de uma jiboia que havia devorado um elefante. Decidi, então, desenhar o interior da barriga da serpente para que os adultos pudessem entender melhor. Eles sempre precisam de explicações detalhadas… […] (p. 9).

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04 de agosto de 2020

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[Resenha] Morreste-me

Por José Luís Peixoto

  • Título Original: Morreste-me
  • Gênero do Livro: Novela
  • Editora: Dublinense
  • Ano de Publicação: 2015
  • Número de Páginas: 64
Sinopse: "Morreste-me" foi o livro que revelou o escritor português José Luís Peixoto. Publicada em 2000, é uma obra tocante e comovente: é o relato da morte do pai, o relato do luto e, ao mesmo tempo, uma homenagem, uma memória redentora.
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Comigo, a casa estava mais vazia. O frio entrava e, dentro de mim, solidificava (p. 17).

Morreste-me é o nome dessa obra de José Luís Peixoto, e seu título delata o impacto que o texto causa no leitor.

José Luís Peixoto é um escritor português cujas obras têm sido premiadas e bem recepcionadas pela crítica literária mundo afora.

Morreste-me é difícil de digerir: traz um tema pesado (com o qual ninguém gostaria de lidar), com uma escrita que potencializa o incômodo do tema.

Em primeira pessoa, o narrador fala da morte do pai, como se com ele conversasse. Relembra os momentos vividos juntos, a aproximação da morte, os ensinamentos do pai, mesclando o passado com o presente: o presente em que o filho não tem mais o pai ao lado.

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