"10" Post(s) encontrado(s) na categoria: Crônicas

01 de agosto de 2020

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Mulheres e homens: somos tão diferentes assim?

Recentemente li inúmeras notícias a respeito da sobrecarga de trabalho enfrentada pelas mulheres durante a pandemia. Não é novidade que as mulheres em geral se ocupam mais que os homens das tarefas domésticas e do cuidado da família, mas é provável que isso tenha se agravado neste período. Essa situação resulta de um velho pensamento que relaciona as mulheres ao cuidado. Afinal, muitas pessoas (tanto homens quanto mulheres) acreditam que somos sensíveis, delicadas e maternais apenas por sermos mulheres. Mas será mesmo que as mulheres nascem destinadas a realizar determinadas tarefas e os homens, a realizar outras? Será que homens e mulheres têm interesse inato por temas e atividades específicos?

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23 de julho de 2020

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A lunática das listas

Por Janete Marques

Levar as crianças à escola, pegar a fantasia da Ayo na costureira, ir à apresentação das crianças às 18h, marcar consulta no dentista para Zuri, marcar consulta no ginecologista, passar no mercado, entregar os livros na biblioteca, terminar de fazer os planos de aula da próxima semana, corrigir as provas, entregar os trabalhos do 7º ano, transferir o dinheiro para minha mãe. Preciso confessar, sou viciada em listas. Tem gente que quando acorda faz prece, oração, ioga, lê “Minutos de sabedoria”. Eu não. Eu faço listas. Elas me dão a sensação de que estou no controle. Sinto que sou o ser humano mais organizado do mundo. Não, não sou. Parece exagero, né? Talvez. Mas a minha vida só funciona com as abençoadas listas. Nem sei quando me tornei a lunática das listas. Acho que foi depois da maternidade. A cobrança e o julgamento por ser mãe solteira… Não, mãe solteira […]

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14 de julho de 2020

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A melhor amiga

Por Eriane Dantas

Quando eu tinha oito ou nove anos de idade, uma menina nova ingressou na minha turma da escola. Pequena e bonita, todo mundo se encantou por ela e desejou sua amizade (até os meninos, que não se misturavam com as meninas a não ser para implicar). Mas, vejam só, a novata olhou para mim, se aproximou e quis ser minha melhor amiga. Assim foi. Como fazem as melhores amigas, andávamos sempre juntas, sentávamos lado a lado, brincávamos e conversávamos apenas nós duas, como se ninguém mais existisse na escola. Outra menina resolveu fazer contato comigo um tempo depois. Não lembro como era, mas recordo que não havia qualquer coisa nela que eu reprovasse (ela sequer me inspirava antipatia). Por isso, dediquei-lhe minha atenção.

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04 de julho de 2020

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O forró e outra lembrança

Por Eriane Dantas

Em toda a nossa vida juntos, há momentos que sempre recordamos de vez em quando, como aquela noite embaraçosa no forró. Se eu pudesse viajar no tempo, voltaria àquela noite só para reagir de outro modo ao ser abordada no meio do salão. Evitaria assim a vergonha que viveu entre nossos amigos, que fixaram uns olhos compridos em nós. Mas, naquela noite, enquanto casais rodopiavam ao som do baião, eu não poderia prever o nosso futuro. E acho que já fui perdoada faz tempo ou não estaria eu aqui lhe escrevendo estas palavras quase treze anos depois.

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19 de maio de 2020

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Bolos e lembranças

Por Eriane Dantas

Uma das gratas lembranças da minha infância são os bolos com que minha mãe me acordava no dia do meu aniversário: bolos com glacê simples branco. O gosto não consigo recordar agora, mas ao pensar neles sinto um sabor de alegria, de amor, de dedicação. Minha mãe sempre foi dedicada à família e dominou a cozinha com seu conhecido talento culinário. Talvez por isso eu não tenha me preocupado em aprender muito no campo da panificação e confeitaria (quem precisa aprender a fazer bolos quando tem uma mestre em casa?).

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21 de abril de 2020

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A menina e Brasília

Por Eriane Dantas

Há pouco mais de 21 anos uma menina chegou a Brasília com a mãe e a irmã, quando a cidade ainda não tinha quatro décadas. Era uma jovem tentando se firmar, acolhendo quem a buscava e dizendo que sempre cabia mais um. A menina estranhou a vida na nova cidade, embora residisse fora do centro, que nem mesmo costumava visitar. Quis embora, voltar a uma terra onde era bem-vinda e semelhante a todo mundo. Aqui se sentia diferente, como se todos vissem em seu rosto que não pertencia ao lugar, a intrusa na casa dos outros.

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11 de abril de 2020

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Decisões

Por Eriane Dantas

Há exatos doze meses, fui à última consulta do pré-natal — a consulta decisiva, pois no dia seguinte eu completaria 41 semanas de gestação, o prazo limite que o obstetra determinou para o parto. Ele me examinou. Tudo continuava como nas consultas anteriores: Joaquim estava encaixado, mas não dava sinais de que queria sair dali tão cedo. O médico então anunciou que eu deveria optar, naquele momento, pelo parto induzido ou pela cesariana.

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07 de março de 2020

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Pela metade

Por Eriane Dantas

Dia 8 de março, anos atrás. Às cinco horas da tarde, entre flores e bombons, mensagens rosadas e abraços, descobri que era uma mulher incompleta. Mas ninguém tinha me avisado. Aliás, durante todo o dia eu havia sido parabenizada por ser mulher. Quase nenhum homem (ou mulher) havia passado por mim sem me aconselhar a ser feliz naquele dia. E nenhum deles teve a ideia de me dizer que me faltava um pedaço, que eu era uma semimulher — metade mulher, metade algo que não sei dizer o que é. Todos me deixaram passar o dia com a impressão de pertencer completamente à categoria feminina.

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19 de fevereiro de 2020

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O bife à parmegiana

Por Eriane Dantas

Gisele se orgulhava de ser uma funcionária exemplar, mas tinha uma fraqueza e precisou enfrentá-la ao ser escalada para um evento de trabalho em São Paulo na companhia da chefe. No primeiro dia, depois de cumprirem suas tarefas, sobrou-lhes uma tarde livre, que a chefe resolveu aproveitar mostrando a cidade para a subordinada. Pegaram um táxi na porta do hotel, desceram em um trecho da Avenida Paulista e caminharam até o Masp, mas o encontraram de portas fechadas.

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01 de fevereiro de 2020

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Crédito pessoal

Por Eriane Dantas

Um dia desses, o noticiário me contou que uma nova modalidade de crédito foi autorizada: o empréstimo entre pessoas físicas. Isso me fez recordar uma história que ouvi por aí. Depois de anos sem sequer ouvirem notícias um do outro, Paulo telefona para Cláudio: — Cláudio, meu amigo, há quanto tempo, hein? Como vai você? Como vai a família? Os meninos já devem estar grandes, né?

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