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23 de fevereiro de 2021

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[Resenha] Cazuza

Por Viriato Corrêa

[…] Eu não descreio um instante na obra do bem. Se a guerra ainda não desapareceu do mundo, é porque o mundo não tem feito outra coisa senão louvá-la, engrandecê-la (p. 146). Com texto de Viriato Corrêa e ilustrações de Renato Silva, Cazuza é um romance destinado a crianças que mais parece uma coleção de causos narrados pelo protagonista. São memórias de sua infância, divididas em três partes, desde quando vivia no seu povoado natal, à margem do rio Itapicuru, no Maranhão, passando pela Vila de Coroatá, até chegar a São Luís. A obra contém histórias engraçadas, nostálgicas, ensinamentos e um tanto de histórias tristes também. Destaco a primeira experiência escolar de Cazuza, na escolinha do povoado. O professor é rígido em excesso, usa a palmatória com vontade e só causa medo nos alunos. Então Cazuza, que antes tinha uma visão romântica da escola, descobre que o ambiente escolar é […]

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09 de fevereiro de 2021

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[Resenha] Nada

Por Carmen Laforet

Já de madrugada, um cortejo de nuvens escuras como dedos longuíssimos começou a pairar no céu. Por fim, sufocaram a lua (p 229). É interessante o título desse romance. Não se pode dizer que ele fale de nada ou seja nada. Escrito pela espanhola Carmen Laforet em 1943, com apenas 23 anos de idade, Nada não dá mostras de ter sido fruto da mente de uma jovem, de uma escritora imatura. Foi vencedor da primeira edição do Prêmio Nadal, se tornou um clássico e é considerado uma das obras em língua espanhola mais importantes do século XX. Recebi a obra no kit da Tag Livros em novembro de 2018 e ainda não a tinha lido. Ela já estava incluída na minha lista de leitura de 2021 quando assisti à minissérie A desordem que ficou, na Netflix, e vi a protagonista com o livro nas mãos. Fiquei curiosa para ler e, […]

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26 de janeiro de 2021

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Plano de leitura para 2021

No início de 2020, fiz um plano de leitura modesto, com apenas cinco livros, de diferentes escritoras, contando que ia ampliá-lo no decorrer do ano. Isso aconteceu. Conheci, comprei e ganhei novos livros e me enveredei no mundo dos e-books. Conclusão: acabei não cumprindo minha lista toda. Deixei Memórias de uma moça bem-comportada, de Simone de Beauvoir, para 2021, e abandonei (pelo menos por enquanto) Destino: La Templanza, de María Dueñas. Os outros três entraram para o rol de livros mais marcantes do ano. Iniciando 2021, pensei se faria ou não uma lista de leitura. Decidi fazer. Acredito que o planejamento, seja em que atividade for, nos ajuda na organização. Pode ser que eu não cumpra o plano. Pode ser que o altere até o fim do ano. Pode ser que outros livros apareçam no caminho. E tudo bem.

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30 de dezembro de 2020

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Retrospectiva 2020

Não preciso nem lembrar que 2020 foi um ano difícil para todo mundo (para algumas pessoas ainda mais). Quero fazer aqui uma retrospectiva positiva; dizer que o blog continua vivo e eu sigo pelo caminho da literatura. A parte mais relevante de um balanço como este não é mostrar o quanto li ou escrevi, mas recordar o quanto produzi e conquistei num ano tão esquisito; testemunhar que a leitura e a escrita podem salvar o nosso dia, o nosso ano, a nossa vida.

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28 de dezembro de 2020

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[Resenha] A hora da estrela

Por Clarice Lispector

Escrevo porque sou um desesperado e estou cansado, não suporto mais a rotina de me ser e se não fosse a sempre novidade que é escrever, eu me morreria simbolicamente todos os dias. Esse é o segundo livro da Clarice Lispector que leio. O primeiro foi A mulher que matou os peixes, obra destinada a crianças sobre a qual escrevi aqui dias atrás. Fiquei em dúvida se falava ou não a respeito de A hora da estrela no blog. Quando se trata de autores ou autoras e obras clássicas, me pergunto o que posso acrescentar. Tantas análises e tantos comentários já foram feitos sobre essa obra. Tantas vezes Clarice foi mencionada, ainda mais no ano de seu centésimo aniversário.

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15 de dezembro de 2020

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Depois de nove meses

Por Eriane Dantas

Presa em casanão aguento mais um dia,nem tanto por me isolar,às vezes não faz malnão ter que ver o mundo. Prefiro esse mundo que vejoda varanda:o céu azul,as nuvens quebrando o monocromático,os passarinhos no altobrincando de voar. Não aguento mesmoé o mundo lá fora.Enquanto uns fecham as portasde casa,outros se juntam para ir à praia,à festa,a monumentosque jamais se interessaram em visitar.

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09 de dezembro de 2020

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[Resenha] A mulher que matou os peixes

Por Clarice Lispector

Se vocês gostam de escrever ou desenhar ou dançar ou cantar, façam porque é ótimo: enquanto a gente brinca assim, não se sente mais sozinha, e fica de coração quente. No centenário de Clarice Lispector, falo aqui de um livro que essa conhecida escritora brasileira (nascida na Ucrânia) produziu para crianças. Em A mulher que matou os peixes, que conta com ilustrações de Flor Opazo, a autora se apresenta como ela própria e conversa com os leitores e as leitoras, contando-lhes histórias, que não sabemos se são verdadeiras ou inventadas, sobre diferentes animais: gatos, cachorros, macaco, lagartixa etc.

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02 de dezembro de 2020

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Os jovens não gostam de ler

Em nosso encontro, no dia 22 de novembro de 2020, a escritora Palmira Heine perguntou minha opinião sobre a afirmação que eu trouxe no título deste texto (quem não viu a live passa lá no perfil da escritora no Instagram ou clica aqui). Naquele momento, lembrei-me de uma pesquisa cujos resultados foram divulgados há poucos meses. Resolvi então conferir a pesquisa para ter certeza de que não disse alguma bobagem. Realizada pelo Instituto Pró-Livro (IPL) 2007, a pesquisa Retratos da leitura no Brasil já teve cinco edições (2001, 2007, 2011, 2014 e 2019). Em 2019, o IPL contou com a parceria do Itaú Cultural e entrevistou 8.076 pessoas com 5 anos ou mais de idade em 208 municípios, abrangendo todas as unidades federativas.

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25 de novembro de 2020

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O giz vermelho e a insatisfação permanente

Por Eriane Dantas

‘Como seria bom se eu tivesse um ioiô!’. Esse é um dos pensamentos de Sara, a personagem principal do livro infantil O giz vermelho, de Iris van der Heide e Marije Tolman (Martins Fontes, 2006). Toda vez que leio essa história me pego em uma reflexão: não estaríamos nós em uma insatisfação permanente? Eu digo nós porque posso me incluir nesse grupo que, vez ou outra, olha para os objetivos alcançados e, como Raul Seixas naquela canção*, se pergunta: “E daí?”. Sara inicia a narrativa com um giz vermelho, deseja fazer desenhos no chão com ele, porém é desencorajada pelo piso irregular. Ela então encontra um menino brincando com bolas de gude, se interessa pelo brinquedo e propõe uma troca. Assim a menina percorre todo o livro, reparando que o objeto em suas mãos não tem a graça que ela imaginava e cobiçando o brinquedo de outra criança.

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19 de novembro de 2020

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Três livros infantis para refletir sobre identidade

Identidade? O que é isso mesmo? Identidade descreve “algo que é diferente dos demais, porém idêntico a si mesmo” (PUC/RIO, p. 14). Ou seja, é aquilo que nos torna únicos em meio a bilhões de pessoas. É como aquele documento chamado pelo mesmo nome que usamos para provar quem somos. Identidade é construída individual e socialmente, a partir das características pessoais, da memória coletiva, dos valores culturais etc. É constituída na relação entre sujeito e sociedade, havendo a forma como o indivíduo se identifica e como é identificado pelos outros. Não é estática, como uma fotografia. Pode se alterar ao longo da vida, influenciada pelas vivências e rupturas, em um processo conduzido pela própria pessoa, embora cada indivíduo mantenha uma essência, um estilo.

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