22 de junho de 2021

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[Resenha] O cometa é um sol que não deu certo

Por Tadeu Sarmento

  • Título Original: O cometa é um sol que não deu certo
  • Gênero do Livro: Novela
  • Editora: Edições SM
  • Ano de Publicação: 2017
  • Número de Páginas: 120
Sinopse: Emanuel é um menino que vive num campo de refugiados sírios no meio do deserto da Jordânia. Entre privações e obrigações, encontra lugar para sonhar em companhia dos amigos, como a menina Amal, por quem nutre um sentimento diferente, que não compreende muito bem. Pelo olhar sensível do protagonista, o leitor é apresentado ao drama dos refugiados sírios, tema atual de extrema relevância, e acompanha os dilemas e sonhos de Emanuel em meio ao seu cotidiano sofrido e incerto.
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Como é viver em um campo de refugiados? Eu não sei, mas posso imaginar a aflição da partida forçada da terra de origem; a angústia da espera; a sensação de estar de passagem sem saber até quando; a expectativa de ser acolhida em alguma parte do mundo, sem muita chance de decidir para onde ir.

[…] Estamos vagando, estamos em trânsito, meu bom Emanuel. Encontraremos nosso lugar, o lugar em que daremos certo. […] (p. 77-78).

Em O cometa é um sol que não deu certo, com texto de Tadeu Sarmento e ilustrações de Apo Fousek, acompanhamos exatamente isso: a vida em um campo de refugiados sírios no meio do deserto. Podemos nos sentir ao lado dos personagens, em um ambiente de carências materiais e de falta de escolhas.

Emanuel é o protagonista da história, um garoto sensível que se coloca no lugar dos outros, se compadece de suas dores e os ajuda, embora enfrente as mesmas dificuldades. Querido e prestativo, ele faz o que está ao seu alcance para que os seus amigos (crianças como ele) se sintam menos tristes com sua circunstância de vida. Acima de tudo, é um menino que não perdeu a capacidade de olhar para o mundo com esperança e de sonhar, apesar de experimentar tão cedo uma luta pela qual ninguém deveria passar.

Foi então que percebeu que nada nem ninguém pode separar as pessoas das coisas que elas mais amam. Pois o que mais amamos nós levamos para sempre, não importa por quanto tempo ou a que distância (p. 90).

Mais de 80 milhões de pessoas em todo o mundo foram obrigadas a fugir de suas casas devido a conflitos e perseguições. Por isso, desde 2001, há um dia do ano dedicado aos refugiados: o dia 20 de junho. O propósito é estimular a reflexão sobre o assunto, divulgar as contribuições que os refugiados dão aos países que os recebem, incentivar o acolhimento e a inclusão.

A situação dos refugiados parece distante da minha vivência, assim como da vivência de muitas pessoas no Brasil. Não podemos, porém, ignorar um problema que afeta tanta gente no planeta e que envolve o nosso país também (já que o número de refugiados por aqui vem aumentando, atingindo a marca de 43 mil em 2020). O cometa é um sol que não deu certo é um livro lindo, que trata desse tema de forma leve e, ao mesmo tempo, profunda. Qualquer pessoa (criança ou adulto) pode, por meio do texto, se aproximar um pouco dessa realidade.

Há uma mensagem forte no livro acerca da capacidade das crianças de mudar o mundo, de desfazer a malvadeza que os adultos vêm cometendo ao longo da história. Eu acredito nisso também. Tudo depende, porém, da forma como as educamos, como as preparamos. O cometa é um sol que não deu certo é uma obra literária e, portanto, não precisa ensinar nada, mas, na minha opinião, oferece elementos para reflexão e discussão sobre empatia, solidariedade e transformação. Pode então ser um instrumento para a formação de seres humanos como Emanuel, que creem na possibilidade de um mundo melhor e lutam por esse objetivo, mesmo que com pequenos gestos.


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2 Comentários

  • Tadeu Sarmento
    06 julho, 2021

    Leitura valiosa, obrigado!

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