"10" Post(s) encontrado(s) na categoria: Resenhas

07 de julho de 2020

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[Resenha] Nó na garganta

Por Mirna Pinsky

Aquela dor que sentia quando a chamavam de negra, daquele jeito, daquele jeito xingado, como se estivessem chamando ela de suja, de ladrona, de asquerosa, a amiga tinha percebido bem (p. 34). Ganhei o livro Nó na garganta, meses atrás, de minha querida amiga Ana Luiza. Ana sabe o quanto aprecio textos literários destinados a crianças e jovens. Então preciso agradecer a ela a oportunidade de conhecer essa obra. Com texto de Mirna Pinsky e ilustrações de Andréa Ramos, Nó na garganta conta a história de Tânia, uma menina negra de dez anos de idade que, como toda criança, quer se divertir, ter amigos, ser livre para fazer o que a deixa contente. Tânia, porém, passa por aquela experiência cujos relatos continuamos a ver, aquela experiência dolorosa para quem a vive e vergonhosa para quem a provoca. Esse é um daqueles livros cuja atualidade, mesmo depois de 41 anos, não […]

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23 de junho de 2020

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[Resenha] Encontros felizes

Por Mônica Moro Harger

Sim, há dias longos em que a vida pesa e soma tempo. E há dias leves, que nos conferem a juventude da alma. Com um título que nos prepara para uma experiência prazerosa, Mônica Moro Harger nos convida a contemplar, como quem observa de fora, aqueles momentos que passam despercebidos no dia a dia. Ela nos faz reparar que, por vezes, subestimamos os pequenos acontecimentos. Outra conclusão a que chegamos ao ler Encontros felizes é que a vida (a vida mais simples que exista) pode fornecer matéria abundante para o escritor ou a escritora.

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13 de junho de 2020

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[Resenha] O conto da ilha desconhecida

Por José Saramago

Que é necessário sair da ilha para ver a ilha, que não nos vemos se não nos saímos de nós (p. 41). Sou uma grande admiradora do estilo de José Saramago, da crítica e da ironia presentes em suas obras. Conheci e recomendo O ensaio sobre a cegueira, A jangada de pedra e O evangelho segundo Jesus Cristo (este último em especial). Sempre que leio algo do autor, sinto-me inspirada a escrever textos que façam rir e pensar de uma vez só. Mesmo assim, ainda não havia comentado livros de Saramago aqui. Vou explicar o porquê: tive receio de escrever, de maneira simples, sobre um escritor cujos trabalhos rendem análises de estudiosos. Bobagem minha, reconheço, pois todos que me acompanham sabem que não sou especialista em literatura (infelizmente não me formei na área). Sou apenas uma apreciadora de livros, tentando aprender mais sobre leitura e escrita. Então vamos lá. Vamos […]

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23 de maio de 2020

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[Resenha] Se deus me chamar não vou

Por Mariana Salomão Carrara

Acho que existem crianças mais solitárias que os velhos. Imagine uma menina de onze anos, solitária, cheia de perguntas e ideias próprias sobre a vida e o futuro. Essa é a descrição de Maria Carmem, a narradora-protagonista de Se deus me chamar não vou. Não pense, porém, que essa é uma obra para crianças. É uma obra para adultos narrada por uma criança e me fez recordar O olho mais azul, de Toni Morrison, embora os enredos dos dois livros não sejam semelhantes. Recordei este livro apenas pela escolha narrativa e pela possibilidade de refletir sobre o mundo pelos olhos de uma criança. Se deus me chamar não vou também não é uma história relacionada a religião, como o título pode levar a supor, mas traz questionamentos da menina acerca da existência de Deus. É um texto fluido, que pode ser lido em pouco tempo.

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12 de maio de 2020

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[Resenha] A conta-gotas

Por Ana Carolina Carvalho

Foi desse modo que conheci minha mãe. Em mínimas doses, e não como qualquer criança conhece a sua. Ou, pelo menos, como eu pensava que mãe e filha deveriam se conhecer: em uma convivência diária, intensa (p. 9-10). O trecho acima é o resumo de como Olívia, a narradora-protagonista de A conta-gotas, conhece sua mãe, que partiu quando a menina ainda era bebê, deixando-a aos cuidados do pai. Durante sua infância e adolescência, Olívia mantém o desejo de conhecer a mãe, mas esse é assunto proibido em sua casa e na casa da avó e a menina não vê sequer uma foto da mãe.

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25 de abril de 2020

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[Resenha] A casa dos espíritos

Por Isabel Allende

Quando quase alcançara seu propósito, viu aparecer sua avó Clara, que tantas vezes havia invocado para ajudá-la a morrer, informando-a de que a graça não estava em morrer, porque isso aconteceria de qualquer maneira, mas, sim, em sobreviver, o que era um milagre (p. 427). O trecho citado acima é um dos tantos que me emocionaram em A casa dos espíritos, fazendo-me querer conhecer mais obras de Isabel Allende, uma das representantes do realismo mágico, corrente literária que vem me atraindo cada vez mais de um tempo para cá. A história atravessa a vida de uma família latino-americana, por gerações, e revela a capacidade humana de se transformar e de se redimir, além de nos mostrar que o ato de uma pessoa pode ter consequências graves na vida de tantas outras ao seu redor. A mãe dessa família é Clara del Valle, que desde bem pequena vive cercada por espíritos, […]

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18 de abril de 2020

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[Resenha] O vento de Oalab

Por João Luiz Guimarães

[…] a palavra pensada é sempre livre para fazer o que bem entender dentro da cabeça da gente (p. 36). Já imaginou quantos pensamentos pode ter um balão de pensamento de história em quadrinhos? Em O vento de Oalab acompanhamos um balão de pensamento vazio que, ao ser deixado assim (incompleto) pelo desenhista, descobre que a ausência de pensamento não é dele e sim do personagem.

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10 de março de 2020

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[Resenha] Eu sei por que o pássaro canta na gaiola

Por Maya Angelou

Li Eu sei por que o pássaro canta na gaiola quase todo dentro de um ônibus, indo ou voltando do trabalho. Ao final, Djamila Ribeiro me advertiu no posfácio que esse é um livro para ser apreciado “em doses, não é algo que se lê de uma vez” (p. 331). Ela tem razão, mas era tarde. Não consegui ler a obra devagar, apesar de sua densidade, e concluí a leitura em poucos dias, pois queria saber o que mais teria acontecido na vida de Marguerite Ann Johnson. Então ele ficou quieto, e aí veio a parte boa. Ele me abraçou com tanto carinho que desejei que nunca me soltasse. Eu me senti em casa. Pelo jeito como ele estava me abraçando, soube que nunca me soltaria nem deixaria nada de ruim acontecer comigo. […] (p. 94). A cada parágrafo que eu lia, sentia como se pudesse ver Marguerite em minha […]

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29 de fevereiro de 2020

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[Resenha] Hibisco roxo

Por Chimamanda Ngozi Adichie

Quão grande pode ser a influência de um pai ou uma mãe na forma como uma criança se portará e se relacionará com as outras pessoas? Foi essa a pergunta que me fiz do início ao fim da leitura de Hibisco roxo. Meus primos riram, e Amaka olhou para Jaja e para mim, talvez achando estranho não rirmos também. Eu quis sorrir, mas estávamos passando na frente de casa bem naquele momento, e a visão dos enormes portões negros e dos muros brancos paralisou meus lábios (p. 91). Hibisco roxo é um romance de Chimamanda Ngozi Adichie, que escreveu ainda os romances Meio sol amarelo (2008) e Americanah (2014), a coletânea de contos No seu pescoço (2017) — do qual já falei aqui — e os ensaios Sejamos todos feministas (2015), Para educar crianças feministas (2017) e O perigo de uma história única (2019).

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04 de fevereiro de 2020

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[Resenha] Quarto de despejo

Por Carolina Maria de Jesus

Hoje apresento Quarto de despejo: diário de uma favelada, de Carolina Maria de Jesus, o primeiro livro do meu plano literário para 2020. Antigamente eu cantava. Agora deixei de cantar, porque a alegria afastou-se para dar lugar a tristeza que envelhece o coração. […] (p. 150). Carolina Maria de Jesus nasceu em Sacramento, Minas Gerais, em 1914, e se mudou para São Paulo em 1947, onde foi empregada doméstica e, mais tarde, passou a catar papel e outros materiais reutilizáveis.

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