"10" Post(s) encontrado(s) na categoria: Resenhas

23 de maio de 2020

2 Comentários

[Resenha] Se deus me chamar não vou

Por Mariana Salomão Carrara

Acho que existem crianças mais solitárias que os velhos. Imagine uma menina de onze anos, solitária, cheia de perguntas e ideias próprias sobre a vida e o futuro. Essa é a descrição de Maria Carmem, a narradora-protagonista de Se deus me chamar não vou. Não pense, porém, que essa é uma obra para crianças. É uma obra para adultos narrada por uma criança e me fez recordar O olho mais azul, de Toni Morrison, embora os enredos dos dois livros não sejam semelhantes. Recordei este livro apenas pela escolha narrativa e pela possibilidade de refletir sobre o mundo pelos olhos de uma criança. Se deus me chamar não vou também não é uma história relacionada a religião, como o título pode levar a supor, mas traz questionamentos da menina acerca da existência de Deus. É um texto fluido, que pode ser lido em pouco tempo.

Continue lendo
12 de maio de 2020

2 Comentários

[Resenha] A conta-gotas

Por Ana Carolina Carvalho

Foi desse modo que conheci minha mãe. Em mínimas doses, e não como qualquer criança conhece a sua. Ou, pelo menos, como eu pensava que mãe e filha deveriam se conhecer: em uma convivência diária, intensa (p. 9-10). O trecho acima é o resumo de como Olívia, a narradora-protagonista de A conta-gotas, conhece sua mãe, que partiu quando a menina ainda era bebê, deixando-a aos cuidados do pai. Durante sua infância e adolescência, Olívia mantém o desejo de conhecer a mãe, mas esse é assunto proibido em sua casa e na casa da avó e a menina não vê sequer uma foto da mãe.

Continue lendo
25 de abril de 2020

2 Comentários

[Resenha] A casa dos espíritos

Por Isabel Allende

Quando quase alcançara seu propósito, viu aparecer sua avó Clara, que tantas vezes havia invocado para ajudá-la a morrer, informando-a de que a graça não estava em morrer, porque isso aconteceria de qualquer maneira, mas, sim, em sobreviver, o que era um milagre (p. 427). O trecho citado acima é um dos tantos que me emocionaram em A casa dos espíritos, fazendo-me querer conhecer mais obras de Isabel Allende, uma das representantes do realismo mágico, corrente literária que vem me atraindo cada vez mais de um tempo para cá. A história atravessa a vida de uma família latino-americana, por gerações, e revela a capacidade humana de se transformar e de se redimir, além de nos mostrar que o ato de uma pessoa pode ter consequências graves na vida de tantas outras ao seu redor. A mãe dessa família é Clara del Valle, que desde bem pequena vive cercada por espíritos, […]

Continue lendo
18 de abril de 2020

2 Comentários

[Resenha] O vento de Oalab

Por João Luiz Guimarães

[…] a palavra pensada é sempre livre para fazer o que bem entender dentro da cabeça da gente (p. 36). Já imaginou quantos pensamentos pode ter um balão de pensamento de história em quadrinhos? Em O vento de Oalab acompanhamos um balão de pensamento vazio que, ao ser deixado assim (incompleto) pelo desenhista, descobre que a ausência de pensamento não é dele e sim do personagem.

Continue lendo
10 de março de 2020

2 Comentários

[Resenha] Eu sei por que o pássaro canta na gaiola

Por Maya Angelou

Li Eu sei por que o pássaro canta na gaiola quase todo dentro de um ônibus, indo ou voltando do trabalho. Ao final, Djamila Ribeiro me advertiu no posfácio que esse é um livro para ser apreciado “em doses, não é algo que se lê de uma vez” (p. 331). Ela tem razão, mas era tarde. Não consegui ler a obra devagar, apesar de sua densidade, e concluí a leitura em poucos dias, pois queria saber o que mais teria acontecido na vida de Marguerite Ann Johnson. Então ele ficou quieto, e aí veio a parte boa. Ele me abraçou com tanto carinho que desejei que nunca me soltasse. Eu me senti em casa. Pelo jeito como ele estava me abraçando, soube que nunca me soltaria nem deixaria nada de ruim acontecer comigo. […] (p. 94). A cada parágrafo que eu lia, sentia como se pudesse ver Marguerite em minha […]

Continue lendo
29 de fevereiro de 2020

0 Comentários

[Resenha] Hibisco roxo

Por Chimamanda Ngozi Adichie

Quão grande pode ser a influência de um pai ou uma mãe na forma como uma criança se portará e se relacionará com as outras pessoas? Foi essa a pergunta que me fiz do início ao fim da leitura de Hibisco roxo. Meus primos riram, e Amaka olhou para Jaja e para mim, talvez achando estranho não rirmos também. Eu quis sorrir, mas estávamos passando na frente de casa bem naquele momento, e a visão dos enormes portões negros e dos muros brancos paralisou meus lábios (p. 91). Hibisco roxo é um romance de Chimamanda Ngozi Adichie, que escreveu ainda os romances Meio sol amarelo (2008) e Americanah (2014), a coletânea de contos No seu pescoço (2017) — do qual já falei aqui — e os ensaios Sejamos todos feministas (2015), Para educar crianças feministas (2017) e O perigo de uma história única (2019).

Continue lendo
04 de fevereiro de 2020

0 Comentários

[Resenha] Quarto de despejo

Por Carolina Maria de Jesus

Hoje apresento Quarto de despejo: diário de uma favelada, de Carolina Maria de Jesus, o primeiro livro do meu plano literário para 2020. Antigamente eu cantava. Agora deixei de cantar, porque a alegria afastou-se para dar lugar a tristeza que envelhece o coração. […] (p. 150). Carolina Maria de Jesus nasceu em Sacramento, Minas Gerais, em 1914, e se mudou para São Paulo em 1947, onde foi empregada doméstica e, mais tarde, passou a catar papel e outros materiais reutilizáveis.

Continue lendo
21 de janeiro de 2020

0 Comentários

[Resenha] A pergunta mais importante

Hoje trago A pergunta mais importante, um livro para crianças que conheci no final de 2019, embora tenha sido publicado anos antes. Todo aniversário Rosa pedia uma bicicleta de presente, e todo aniversário ganhava outra coisa (p. 4). Escrito por Paula Piano Simões e ilustrado por Flávia Bomfim, A pergunta mais importante é uma bela história sobre aprendizagem e persistência, uma história baseada em fatos reais.

Continue lendo
15 de janeiro de 2020

6 Comentários

[Resenha] Tudo o que você precisou desaprender…

Por Meteoro Brasil

Sempre há espaço para um novo bicho-papão nos armários das mentes seduzidas pelo fascismo (p. 20). Quem vive no Brasil de hoje (esse Brasil que começou a se desenhar em 2015 ou talvez em 2013) ou acompanha as notícias daqui já deve ter ouvido alguma teoria da conspiração sobre o formato da Terra, sobre as universidades públicas brasileiras, sobre ideologia de gênero, sobre mudanças climáticas etc. etc. etc.

Continue lendo
28 de dezembro de 2019

0 Comentários

[Resenha] A caixa de sonhos

Por Luci Guimarães Watanabe

Acertar os seis números da Mega-Sena da Virada, conhecer outro país ou fazer um curso? Chegou aquela época do ano em que costumamos revisitar nossos sonhos. A caixa de sonhos então é uma leitura certeira para este momento. […] Sonho não é coisa pra gente sufocar; pelo contrário, é pra completar a vida da gente. […] (p. 41). Com texto de Luci Guimarães Watanabe e ilustrações de Regina Rennó, o livro foi publicado em 1989 e se destina a jovens leitores.

Continue lendo

1 2 3 4
© 2020 Histórias em MimDesenvolvido com por