"10" Post(s) encontrado(s) na categoria: Resenhas

13 de julho de 2021

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[Resenha] Muito além do inverno

Por Isabel Allende

Demorei algumas páginas até engatar na leitura de Muito além do inverno, eu confesso, mas Isabel Allende não decepcionou. Em algum ponto, não me lembro exatamente qual, fui conquistada por essa obra, que, embora também aborde o tema da ditadura militar, um dos assuntos de A casa dos espíritos, é tão diferente daquele romance de estreia da autora. O espelho, como as fotografias, era um inimigo inclemente, porque a mostrava imóvel, com seus defeitos expostos sem atenuantes. [Lucía] acreditava que seu atrativo, se houvesse, estava no movimento (p. 15). Nesse livro, acompanhamos inicialmente Lucía Maraz, um chilena de 62 anos, e o americano Richard Bowmaster, de 60 anos. Lucía está passando um tempo em Nova Iorque como palestrante na universidade e se hospeda em um quarto no porão do apartamento de Richard, no Brooklyn. Sua relação é um tanto fria e distante (mais por culpa de Richard). Isso até que, […]

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22 de junho de 2021

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[Resenha] O cometa é um sol que não deu certo

Por Tadeu Sarmento

Como é viver em um campo de refugiados? Eu não sei, mas posso imaginar a aflição da partida forçada da terra de origem; a angústia da espera; a sensação de estar de passagem sem saber até quando; a expectativa de ser acolhida em alguma parte do mundo, sem muita chance de decidir para onde ir. […] Estamos vagando, estamos em trânsito, meu bom Emanuel. Encontraremos nosso lugar, o lugar em que daremos certo. […] (p. 77-78). Em O cometa é um sol que não deu certo, com texto de Tadeu Sarmento e ilustrações de Apo Fousek, acompanhamos exatamente isso: a vida em um campo de refugiados sírios no meio do deserto. Podemos nos sentir ao lado dos personagens, em um ambiente de carências materiais e de falta de escolhas.

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08 de junho de 2021

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[Resenha] Bagageiro

Por Marcelino Freire

Juro que tudo o que eu escrevo é verdadeiro. O mentiroso sou eu (p. 122). Em Bagageiro, Marcelino Freire reúne textos distintos, que chama de ensaios de ficção. Como ele próprio esclarece (e eu não sei mais onde — já virei o livro de ponta-cabeça e não acho o trecho), bagageiro é onde se leva todo tipo de objeto na bicicleta. Do mesmo jeito, no Bagageiro do Marcelino cabe um monte de coisas. Marcelino Freire nasceu em Pernambuco e vive em São Paulo desde o início da década de 1990. Além de Bagageiro, publicou Angu de Sangue (Ateliê Editorial, 2000), Contos Negreiros (Record, 2006) e Nossos Ossos (Record, 2013), entre outros livros.

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18 de maio de 2021

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[Resenha] O conto que não existe

Por Luis Diaz

O conto que não existe, escrito e ilustrado por Luis Diaz, me atraiu pela capa e pelo título (foi justamente por isso que o comprei). Diz-se que não se pode julgar um livro pela capa (para o bem ou para o mal). Quem nunca o fez que atire a primeira pedra. Gostaria de contar para você um conto de fadas. Eu sei que fadas não existem, nem magias, e que você não acredita nessas besteiras (p. 5). Esse é um conto de fadas. Quero dizer, o próprio narrador afirma que fadas não existem. Sendo assim, o conto também não existe. Afinal, ninguém acredita em magia, mas todo mundo usa computador. Você digita. Esquece um acento e ele coloca. Erra uma palavra e ele corrige. Quer magia maior? Então… (p. 5).

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04 de maio de 2021

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[Resenha] Casa de alvenaria

Por Carolina Maria de Jesus

Casa de alvenaria: diário de uma ex-favelada, de Carolina Maria de Jesus, é a continuação do livro Quarto de despejo: diário de uma favelada. Agora, após o lançamento do primeiro livro — obra de grande sucesso, traduzida para outros idiomas —, Carolina e os três filhos saem do quarto de despejo e ingressam na sala de visitas. A tristeza estava residindo comigo há muito tempo. Veio sem convite. Agora a tristeza partiu, porque a alegria chegou. Para onde será que foi a tristeza? Deve estar alojada num barraco da favela (p. 25). Aqui o maior conflito da autora não é mais a fome (tão presente em Quarto de despejo), mas sua entrada em um mundo estranho, o qual não compreende muito bem, onde passa a valer pelo dinheiro que tem (ou que pensam que ela tem). A toda hora alguém a procura para pedir dinheiro emprestado, para representar alguma causa. […]

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27 de abril de 2021

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[Resenha] Ponciá Vicêncio

Por Conceição Evaristo

Ela [Ponciá] gastava todo o tempo com o pensar, com o recordar. Relembrava a vida passada, pensava no presente, mas não sonhava e nem inventava nada para o futuro (p. 18). Ao ler Ponciá Vicêncio, senti meu coração apertado, as lágrimas a ponto de deixar os olhos. Chorei e sorri, como Ponciá, como seu Vô Vicêncio, de quem ela é herdeira. Lembrei-me de Macabéa, de Bibiana, de Belonísia, personagens que, como Ponciá agora, parecem minhas conhecidas. Ponciá Vicêncio narra a história da protagonista que dá nome ao romance, desde seu nascimento, mas em uma sequência não linear. Ela vai para a cidade, deixando para trás o povoado natal, comandado pelos brancos, a quem serviram seu pai, seu avô e seus antepassados. Parte cheia de sonhos.

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15 de abril de 2021

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[Resenha] Contando com a sorte

Por Alcides Goulart

Nem a sorte nem o azar mandam no seu destino. Quem manda no seu destino é você. São as suas escolhas, os seus atos, que vão dizer se a sua vida vai ter mais momentos de sorte ou mais momentos de azar (p. 60-61). Será que existe sorte? Será que existe azar (esta palavra que muita gente evita pronunciar para não atrair seu significado)? Será que algumas pessoas são mais sortudas do que outras? Será que quem tem sorte no amor não tem sorte no jogo e vice-versa? Esse é o tema principal dessa história bem-humorada. Nela acompanhamos personagens fictícios do pequeno município de Estrelópolis, que poderiam ser encontrados em carne e osso em diversas partes do país, personagens que parecem nossos conhecidos.

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30 de março de 2021

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[Resenha] Mrs Dalloway

Por Virginia Woolf

Roía-lhe, contudo, ter esse monstro brutal se mexendo dentro dela! […] nunca estar inteiramente contente, ou inteiramente segura, pois a qualquer momento a fera podia estar se mexendo, esse ódio que, especialmente desde a sua doença, tinha o poder de fazê-la sentir-se arranhada, ferida na espinha […] (p. 14). Você já se pegou diante de um livro clássico, de um autor ou de uma autora renomada, com medo até de abri-lo, receando não compreender a grandeza daquela obra? Eu me sinto assim às vezes e me senti em relação a Mrs Dalloway, que comprei há pouco mais de três anos e só agora abri, folheei e li. Até então, havia chegado à segunda folha e escrito meu nome, acompanhado da data em que o tive nas mãos pela primeira vez: 24/8/2017. A razão de toda essa cautela, creio eu, está no fato de essa ser a obra mais famosa de […]

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09 de março de 2021

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[Resenha] Grandes mulheres que mudaram o mundo

Por Kate Pankhurst

Como você vai mudar o mundo? Escrito e ilustrado por Kate Pankhurst, descendente de uma das mulheres homenageadas, Grandes mulheres que mudaram o mundo é um livro informativo que apresenta treze mulheres que se destacaram em áreas diversas. Algumas das mulheres eram minhas conhecidas, ao menos de modo superficial: Jane Austen, Frida Khalo, Marie Curie, Chiquinha Gonzaga, Rosa Parks, Anne Frank. Sobre outras foi a primeira vez que li: Gertrude Ederle, Mary Anning, Mary Seacole, Amelia Earhart, Agente Fifi, Sacagawea, Emmeline Pankhurst. Como elas se tornaram incrivelmente fantásticas e maravilhosas?! As mulheres deste livro não tinham a intenção de serem ‘incríveis’. Elas fizeram coisas extraordinárias simplesmente ouvindo seu coração, seguindo seus sonhos e aprimorando seus talentos. […]

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23 de fevereiro de 2021

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[Resenha] Cazuza

Por Viriato Corrêa

[…] Eu não descreio um instante na obra do bem. Se a guerra ainda não desapareceu do mundo, é porque o mundo não tem feito outra coisa senão louvá-la, engrandecê-la (p. 146). Com texto de Viriato Corrêa e ilustrações de Renato Silva, Cazuza é um romance destinado a crianças que mais parece uma coleção de causos narrados pelo protagonista. São memórias de sua infância, divididas em três partes, desde quando vivia no seu povoado natal, à margem do rio Itapicuru, no Maranhão, passando pela Vila de Coroatá, até chegar a São Luís. A obra contém histórias engraçadas, nostálgicas, ensinamentos e um tanto de histórias tristes também. Destaco a primeira experiência escolar de Cazuza, na escolinha do povoado. O professor é rígido em excesso, usa a palmatória com vontade e só causa medo nos alunos. Então Cazuza, que antes tinha uma visão romântica da escola, descobre que o ambiente escolar é […]

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