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11 de agosto de 2026

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A magia de aprender

Tem coisa mais incrível do que ver uma criança aprender?

Comecei a ler para o meu filho ainda na minha barriga, mas foi com mais ou menos três meses que tornei essa prática uma rotina. Todo dia, antes de dormir lemos um livro (às vezes dois). E ai de mim se tentar furar o compromisso. Já tive que ser substituída nessa tarefa, mas a leitura da noite nunca pode faltar.

Com isso, vivemos um tantão de histórias. Acompanhamos as peripécias da Clara Luz e da Serafina, vimos sumir o medo do Gildo e da Chapeuzinho Amarelo, rimos dos causos do Bichinho da Maçã, torcemos pela vingança da Pequena Toupeira, nos divertimos com e nos compadecemos do Leocádio, tivemos pena da Árvore Generosa e da Lúcia-Já-Vou-Indo, acreditamos no Grúfalo e no Urso Esfomeado, viajamos com o Papagaio-de-Cara-Roxa, sofremos com o destino do Papagaio Reginaldo, choramos com o Ernesto, aprendemos sobre liberdade com o Monstro Rosa e sobre diálogo com o Monstro Azul e estivemos com outras tantas personagens.

Ele familiarizou-se cedinho com a língua portuguesa, conheceu palavras e expressões que não usamos no dia a dia e leu também muitas imagens. Foi aprendendo a variação da entonação, a diferença entre narrador e personagem e até a ideia de conflito. Obteve informações e desenvolveu a memória, a empatia, entre outras competências. Hoje, ele já sabe até dizer quando não gosta de um livro, mas ainda tem dificuldade de escolher apenas um preferido (eu entendo, também a tenho).

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17 de maio de 2025

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[Resenha] A viagem do elefante

De José Saramago

  • Título Original: A viagem do elefante
  • Gênero do Livro: Conto
  • Editora: Companhia das Letras
  • Ano de Publicação: 2017
  • Número de Páginas: 260
Sinopse: A viagem do elefante , primeiro livro de José Saramago depois do relato autobiográfico Pequenas memórias (2006), é uma ideia que ele elaborava há mais de dez anos, desde que, numa viagem a Salzburgo, na Áustria, entrou por acaso num restaurante chamado O Elefante. Com sua finíssima ironia e muito humor, sua prosa que destila poesia, Saramago reconstrói essa epopeia de fundo histórico e dela se vale para fazer considerações sobre a natureza humana e, também, elefantina. Impelido a cruzar meia Europa por conta dos caprichos de um rei e de um arquiduque, Salomão não decepcionou as cabeças coroadas. Prova de que, remata o autor, sempre se chega aonde se tem de chegar.
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Sempre termino a leitura de um livro de José Saramago com a impressão de que alguma coisa mudou em mim e com o sentimento quase infantil de que posso criar histórias tão inspiradoras como ele fez.

Em A viagem do elefante, o autor não decepciona. Vejo ali seu estilo de escrita, que o distingue dos outros escritores e que, por vezes, assusta os leitores; vejo também a ironia e a crítica social que encontrei em todas as outras obras suas que já conheci. Há, porém, algum aspecto que diferencia essa das outras histórias e que não sei apontar com certeza.

Nesse seu penúltimo romance, publicado em Portugal dois anos antes de seu falecimento, Saramago transformou um fato histórico do século XVI, do qual não se conhecem tantos detalhes, em uma fábula cheia de humor, ironia e reflexão.

O personagem central é Salomão, um elefante indiano com o qual D. João III, rei de Portugal, e a rainha Catarina, sua esposa, presentearam o arquiduque Maximiliano II da Áustria. Salomão já não era uma novidade por aquelas bandas e naquele momento vivia isolado em um cercado, na companhia de seu cornaca (tratador) Subhro. A ideia do presente então surgiu como solução para o problema de manter ali um animal imenso, que já não causava curiosidade e que consumia forragem e água aos montes.

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21 de janeiro de 2025

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Você se sente pertencente?

Ser parte de um grupo é uma necessidade inata do seres humanos. Segundo artigo de Julia Estanislau (2023), publicado no Portal de Divulgação Científica do Instituto de Psicologia da Universidade de São Paulo (IPUSP), esse sentimento tem relação com reconhecimento: uma pessoa vê-se pertencente a um grupo ou a uma comunidade quando cria um laço com os outros integrantes, sente-se acolhida e respeitada em sua individualidade.

Para Dionei Mathias (2023), no artigo Pertencimento: discussão teórica, o desejo de pertencimento se inicia na relação entre mãe e bebê, na busca do novo sujeito pela confirmação do afeto materno. Depois se reproduz, de maneiras diferentes, nas demais interações sociais que o sujeito terá ao longo de sua vida.

Já a exclusão social, que é o oposto do pertencimento, ainda conforme o autor, ocorre quando o indivíduo não atende aos requisitos determinados pelos grupos dominantes (por exemplo, os populares ou, na atualidade, os influenciadores), aqueles que conseguem concentrar a atenção e definir o que tem ou não relevância. Quem se enquadra nessas regras detém maiores chances de se sentir pertencente.

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11 de dezembro de 2024

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Temas difíceis

Um dia desses, ao final de nossa leitura diária, meu filho Joaquim começou a chorar. O livro escolhido naquela noite termina com a morte da avó do narrador, apresentada de maneira sutil.

Joaquim tem os quatro avós vivos e nunca perdeu uma pessoa querida. Mesmo assim, se sentiu tocado com a perda do personagem da história. Suponho que, de seu jeito, ele imaginou o quão doloroso aquele episódio foi para o personagem (tomando-o aqui como uma pessoa real) ou como ele próprio se sentiria em sua pele.

Ao entrarmos em contato com a história de outra pessoa (seja uma pessoa de verdade ou uma personagem ficcional), conhecemos uma realidade que pode nos emocionar, ainda que não tenha nada em comum com a nossa.

Por isso, defendo que as crianças conheçam diferentes histórias desde sempre, mesmo aquelas carregadas de temas difíceis.

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