"4" Post(s) arquivados na Tag: literatura brasileira

22 de maio de 2024

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[Resenha] Mulheres que não eram somente vítimas

Por Regiane Folter

  • Título Original: Mulheres que não eram somente vítimas
  • Gênero do Livro: Novela
  • Editora: Folheando
  • Ano de Publicação: 2023
  • Número de Páginas: 96
Sinopse: Quem foi Mariana Tavares e como morreu? Essas são as perguntas que levam a determinada jornalista Maria Silva a investigar a misteriosa morte de uma adolescente. O que antes parecia um trágico acidente esconde um histórico de violência que impulsiona a jornalista em sua apuração em busca de justiça não só por Mariana, mas também por si própria e todas as mulheres que merecem ser mais do que vítimas.
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E se olhar para a dor do outro for um tratamento para as nossas próprias dores? Mulheres que não eram somente vítimas aponta nessa direção (e em outras tantas) numa narrativa que nos instiga a ler até o final.

O livro é o segundo da escritora brasileira Regiane Folter. O primeiro, uma coletânea de contos sobre o amor intitulada AmoreZ, apareceu por aqui há quase quatros anos.

O novo livro se inicia com a recusa da jornalista Maria em escrever uma matéria que lhe foi atribuída. Ela o faz com veemência, até com certa teimosia e uma boa dose de raiva, criando um desconforto com sua amiga editora.

O enredo não nos entrega de cara o porquê de sua reação, deixando-nos apenas com suposições e curiosidade. Pouco a pouco se conhece a protagonista, seu modo de pensar e agir, sua relação com o mundo, ao mesmo tempo em que se revela a história que serve de pano de fundo, a história de Mariana, o objeto do desgaste entre Maria e sua chefe Tatiana. Ao refazer os passos de Mariana, Maria tem a oportunidade de olhar para dentro de si, de reviver e reescrever sua própria história.

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14 de março de 2024

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Uma carta para Carolina

Você e eu só temos em comum o desejo de escrever, o desejo de menos injustiça. De resto não posso mensurar sua experiência de fome, preconceito e miséria.

Mas senti sua dor nos relatos do dia a dia na favela, no estranhamento na casa de alvenaria.

Sempre que posso falo de você, da sua força, do seu sonho, da verdade em suas palavras, da atualidade dos seus escritos, que datam de mais de meio século. Queria que todo mundo, gente jovem, gente velha, pobre, rica, classe média, lhe fizesse uma visita.

Nascemos separadas pelo tempo. Quando vim ao mundo você já tinha partido dez anos antes e ninguém me apresentou a você. Nosso primeiro encontro foi há cerca de cinco anos, antes que o planeta entrasse em um pesadelo do qual tememos nunca mais sair.

Vi na sua história uma história que não apenas se conta, uma história que ainda se vive neste país tão desigual, embora optemos por fechar os olhos às vezes.

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20 de outubro de 2023

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[Resenha] Capitães da areia

Por Jorge Amado

  • Título Original: Capitães da areia
  • Gênero do Livro: Romance
  • Editora: Companhia das Letras
  • Ano de Publicação: 2009
  • Número de Páginas: 280
Sinopse: Desde o seu lançamento, em 1937, Capitães da Areia causou escândalo: inúmeros exemplares do livro foram queimados em praça pública, por determinação do Estado Novo. Ao longo de sete décadas a narrativa não perdeu viço nem atualidade, pelo contrário: a vida urbana dos meninos pobres e infratores ganhou contornos trágicos e urgentes. Várias gerações de brasileiros sofreram o impacto e a sedução desses meninos que moram num trapiche abandonado no areal do cais de Salvador, vivendo à margem das convenções sociais. Verdadeiro romance de formação, o livro nos torna íntimos de suas pequenas criaturas, cada uma delas com suas carências e suas ambições: do líder Pedro Bala ao religioso Pirulito, do ressentido e cruel Sem-Pernas ao aprendiz de cafetão Gato, do sensato Professor ao rústico sertanejo Volta Seca. Com a força envolvente da sua prosa, Jorge Amado nos aproxima desses garotos e nos contagia com seu intenso desejo de liberdade.
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“Prenda o leitor já na primeira frase” — essa dica não falta quando se trata de orientações para criar narrativas ficcionais. Embora de difícil execução, o conselho se sustenta quando se analisa a concorrência que se impõe aos livros (por exemplo, outros livros e as redes sociais), além da falta de tempo de que todo mundo se queixa. Uma obra que capta a atenção do leitor no primeiro encontro tem mais probabilidade de não se ver revendida num sebo ou esquecida numa estante.

Em caso de livros ou autores célebres, essa característica pode não ter tanto peso. Mesmo que o início não seja tão cativante, a validação prévia da obra nos leva a acreditar que logo adiante nos depararemos com aquele tchã, aquele aspecto que faz a obra aparecer em listas de indicações.

Entre mim e Capitães da areia ocorreu algo desse tipo. A minha leitura do livro começou arrastada, como se ele e eu não tivéssemos ainda nos conectado. Por isso, o deixei por uns dias, troquei-o por outros, fingi que não o via.

Afora o fator que descrevi no parágrafo anterior, sou persistente nas leituras (sinto-me mal por largar alguma pela metade e só o faço depois de avançar por muitas e muitas páginas). Então resgatei esse romance da mesa de cabeceira. Foi aí que o match aconteceu.

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16 de agosto de 2023

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[Resenha] A voz de Esperança Garcia

Por João P. Luiz e Bernardo Aurélio

  • Título Original: A voz de Esperança Garcia
  • Gênero do Livro: História em quadrinhos
  • Editora: Quinta Capa
  • Ano de Publicação: 2023
  • Número de Páginas: 132
Sinopse: Esperança Garcia foi uma mulher que viveu escravizada em meados do século XVIII, no Piauí. No dia seis 6 de setembro de 1770, ela escreveu uma carta para o governador de sua província, denunciando os maus tratos que sofria constantemente e solicitando providências.

Sua carta é uma das diversas manifestações espontâneas dos negros contra a escravidão, em sua luta pela liberdade. Trata-se de um registro histórico e literário, considerado um dos primeiros textos afro-brasileiros de que se tem conhecimento. É considerada uma petição pública e, por causa dela, o Governo do Estado do Piauí determinou que, no dia 6 de setembro, seja comemorado o dia estadual da consciência negra. Além disso, a Ordem dos Advogados do Brasil reconheceu Esperança Garcia como a primeira advogada do país.
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Enquanto a saraivada de pau corria em seu corpo, Esperança achou que iria morrer, mas lutou, procurando não demonstrar nenhuma fraqueza ou sinal de dor (LUIZ; AURÉLIO, 2023).

Entre os dias 29 de junho e 1º de julho de 2023, participei da 2ª Feira Literária de Barra Grande, em Cajueiro da Praia, Piauí. Fui apresentar o meu livro Os nós em mim e voltei com a bagagem cheia de novas histórias e novos conhecimentos.

A feira homenageou Esperança Garcia. Antes disso, eu já tinha visto que ela seria tema também do Salão do Livro do Piauí (Salipi), que acontece em Teresina neste momento e vai até o dia 20 de agosto.

Na Feira Literária de Barra Grande, percebi que pouco (para não dizer nada) sabia a respeito de Esperança Garcia. Essa constatação ganhou força quando acompanhei uma palestra de Elio Ferreira de Souza sobre a carta que Esperança escreveu e ouvi outro escritor falar sobre ela.

O outro escritor é João P. Luiz, que publicou a história em quadrinhos A voz de Esperança Garcia, em parceria com Bernardo Aurélio.

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