"10" Post(s) encontrado(s) na categoria: Leituras

20 de abril de 2021

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Quem são os indígenas do Brasil

Afinal, quem somos nós? De onde viemos? Para onde vamos? Os indígenas são aqueles que de fato pertencem ao lugar […]. (p. 9). Em minha experiência como professora da rede pública de ensino do Distrito Federal, de 2009 a 2013, presenciei todo ano, nesta época, a escola inteira falando de um único assunto: o Dia do Índio. Preciso dizer a verdade: isso sempre me incomodou. Não por abordarmos a data comemorativa e sim pela forma como a abordávamos (eu incluída sempre), com desenhos para colorir, com uma imagem estereotipada, com a música da Xuxa e com alguma superficialidade acerca das diferenças culturais. Não mencionávamos o insistente projeto de dizimação da população indígena, a marginalização à qual a relegamos nem o que realmente é ser indígena. Não por maldade (creio eu), mas por desconhecimento das diversas culturas indígenas (não se pode falar em apenas uma cultura). Também pelo esquecimento no qual […]

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08 de abril de 2021

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O que devemos ler para crianças pequenas?

O título deste texto pode ter causado estranhamento. Foi escolhido de propósito para ressaltar um incômodo meu: a definição de livros “adequados” para bebês e crianças pequenas. Deixo claro, para começo de conversa, que este não é um artigo de uma especialista no assunto. Trata-se da opinião de alguém que se interessa por literatura para crianças, que escreve e vem aprendendo no convívio com um pequeno ser que vai fazer dois anos em breve. O que venho atestando em minha vivência é que o gosto pela leitura é aprendido/adquirido pelo estímulo, no contato com os livros. Eu sei, essa afirmação é clichê, porém escutá-la é diferente de experimentá-la.

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18 de março de 2021

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Personagens femininas unidas

Quem já não viu livros, filmes e séries repletos de mulheres rivalizando, disputando poder e (em especial) homens? Eu já vi. Quando me deparo com mulheres na ficção fazendo o contrário, até me surpreendo. Mas a ficção imita a vida. Diz-se por aí que as mulheres não confiam umas nas outras e são competitivas entre si (enquanto os homens seriam protetores uns dos outros). Talvez essa afirmação não seja de todo mentirosa. Acontece que, por mais que sejamos criadas para nos odiar, é entre as nossas iguais (ou parecidas) que podemos encontrar as nossas maiores aliadas. Tenho experimentado isso nos últimos anos. Estou (ou estive) rodeada de mulheres que se admiram, se apoiam, se protegem, se impulsionam a ser melhores: Aline, Ana, Andréa, Brisa, Claudinha, Eliete, Sâmella… Com essas mulheres, conheci outros jeitos de ser e de pensar. Foi com elas que pude contar nos momentos mais desafiadores. Aprendi e […]

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02 de dezembro de 2020

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Os jovens não gostam de ler

Em nosso encontro, no dia 22 de novembro de 2020, a escritora Palmira Heine perguntou minha opinião sobre a afirmação que eu trouxe no título deste texto (quem não viu a live passa lá no perfil da escritora no Instagram ou clica aqui). Naquele momento, lembrei-me de uma pesquisa cujos resultados foram divulgados há poucos meses. Resolvi então conferir a pesquisa para ter certeza de que não disse alguma bobagem. Realizada pelo Instituto Pró-Livro (IPL) 2007, a pesquisa Retratos da leitura no Brasil já teve cinco edições (2001, 2007, 2011, 2014 e 2019). Em 2019, o IPL contou com a parceria do Itaú Cultural e entrevistou 8.076 pessoas com 5 anos ou mais de idade em 208 municípios, abrangendo todas as unidades federativas.

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19 de novembro de 2020

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Três livros infantis para refletir sobre identidade

Identidade? O que é isso mesmo? Identidade descreve “algo que é diferente dos demais, porém idêntico a si mesmo” (PUC/RIO, p. 14). Ou seja, é aquilo que nos torna únicos em meio a bilhões de pessoas. É como aquele documento chamado pelo mesmo nome que usamos para provar quem somos. Identidade é construída individual e socialmente, a partir das características pessoais, da memória coletiva, dos valores culturais etc. É constituída na relação entre sujeito e sociedade, havendo a forma como o indivíduo se identifica e como é identificado pelos outros. Não é estática, como uma fotografia. Pode se alterar ao longo da vida, influenciada pelas vivências e rupturas, em um processo conduzido pela própria pessoa, embora cada indivíduo mantenha uma essência, um estilo.

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13 de outubro de 2020

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Professoras de todos os tipos

Representações de professoras e professores na literatura

Atenciosas ou indiferentes. Rígidas ou permissivas. Democráticas ou autoritárias. Cada um de nós teve inumeráveis professoras ou professores, de diferentes personalidades e estilos, seja na educação infantil, no ensino fundamental, no ensino médio ou na educação superior. É de conhecimento geral (e isso eu sei por experiência) que a docência não é a profissão mais valorizada no Brasil (veja-se, por exemplo, o que declarou o próprio ministro da área em uma entrevista recente). Por consequência, também não é a mais desejada pelos jovens. Ao menos, parece que, durante a pandemia do novo coronavírus, que obrigou o fechamento das escolas, a sociedade começou a perceber a importância de professoras e professores. Afinal, não é qualquer pessoa que pode ensinar, e as tecnologias não substituem o ambiente escolar.

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10 de outubro de 2020

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Crianças curiosas na literatura

Falar em crianças curiosas é um tanto redundante. As crianças nascem dispostas a explorar o mundo e olham para a vida de modo diferente. Como boas investigadoras, sabem, por pura intuição, que só podem desvendar o funcionamento das coisas com observação e testes (para descobrir que som a colher faz ao cair no chão, por exemplo, é necessário arremessá-la). Em algum momento, porém, as instituições comandadas pelos adultos (família, escola, religião etc.) fazem crer que tanta experimentação e tanta imaginação são banais, inconvenientes ou até prejudiciais. Começam as proibições, as respostas prontas, as fugas aos temas difíceis. E lá se vão a investigação e a criatividade. Hoje quero apresentar três crianças que vão contra essa tendência, buscando respostas para problemas que os adultos consideram bobos ou procurando um caminho alternativo àquele escolhido pelos mais velhos. Neste dia das crianças, desejo que nos lembremos de incentivar o espírito investigativo e criativo […]

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07 de outubro de 2020

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O que é literatura infantil?

Quem quer que tenha lido muitos livros para criança quando adulto provavelmente concordará que é o tipo mais gratificante de leitura […] (Hunt, 2010, p. 81). Basta um livro conter texto e desenhos para ser considerado literatura infantil? Tudo o que se publica com essa denominação pode mesmo ser chamado de literatura? O que é literatura infantil? Em minha experiência como professora eu li livros com/para meus alunos, especialmente os da educação infantil. Mesmo assim, não faz muito tempo que me tornei leitora (de verdade) de obras destinadas a crianças e jovens. Isso aconteceu, como contei aqui, quando constatei o óbvio: alguém que se propõe a escrever literatura infantil e juvenil (LIJ) deve conhecer o trabalho de quem veio antes. Falando assim, pode até parecer que a LIJ me é utilitária, mas garanto que não. Embora eu tenha ampliado meu acervo e minha leitura com o objetivo inicial de aprender […]

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19 de setembro de 2020

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Três livros infantis sobre meio ambiente

Mesmo que alguns digam o contrário, as imagens nos mostram que o Brasil não está de parabéns quando o assunto é preservação do meio ambiente. É doloroso ver essa cena se repetir todo ano — agora em maior proporção e com o agravante do descaso e da negação da realidade. A quem interessa essa destruição? O meio ambiente tem até uma data comemorativa mundial, 5 de junho de cada ano. Há também o dia da árvore (21 de setembro), o dia da natureza (4 de outubro) e o dia da Amazônia (5 de setembro). Ainda assim, embora tenhamos muitos dias no nosso calendário para nos lembrar dos impactos de nossas ações sobre o meio ambiente, ele continua a ser um senhor tão maltratado. Para mim, além da exploração desenfreada, existe a ideia de que meio ambiente é assunto distante da gente, como se as queimadas no Pantanal ou na Floresta […]

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09 de setembro de 2020

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A leitura como pré-requisito

Planejei escrever a respeito das dificuldades da escrita por mulheres. Até retirei da estante Um teto todo seu, de Virginia Woolf, para uma nova leitura, mas nada me veio sobre o que queria escrever. Um trecho do livro me chamou a atenção e me levou para outro rumo. Quase no final do livro, Virginia Woolf defende: […] um gênio como o de Shakespeare não surgia entre pessoas trabalhadoras, sem edução formal, servis. […] Não surge hoje entre as classes trabalhadoras (p. 73). Em um instante me lembrei daquela famosa afirmação que estabelece a leitura como um pré-requisito da escrita: para escrever bem, é preciso ler. Tenho a impressão de que a maioria dos escritores e das escritoras formou-se em áreas relacionadas à escrita ou pelo menos se encontrou com a leitura ainda no berço. Sinto-me um pouco deslocada quando leio biografias assim, pois não fiz nem uma coisa nem outra.

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