"4" Post(s) arquivados na Tag: histórias do mundo

25 de novembro de 2020

1 Comentário

O giz vermelho e a insatisfação permanente

Por Eriane Dantas

‘Como seria bom se eu tivesse um ioiô!’.

Esse é um dos pensamentos de Sara, a personagem principal do livro infantil O giz vermelho, de Iris van der Heide e Marije Tolman (Martins Fontes, 2006).

Toda vez que leio essa história me pego em uma reflexão: não estaríamos nós em uma insatisfação permanente? Eu digo nós porque posso me incluir nesse grupo que, vez ou outra, olha para os objetivos alcançados e, como Raul Seixas naquela canção*, se pergunta: “E daí?”.

Sara inicia a narrativa com um giz vermelho, deseja fazer desenhos no chão com ele, porém é desencorajada pelo piso irregular. Ela então encontra um menino brincando com bolas de gude, se interessa pelo brinquedo e propõe uma troca. Assim a menina percorre todo o livro, reparando que o objeto em suas mãos não tem a graça que ela imaginava e cobiçando o brinquedo de outra criança.

Continue lendo
19 de novembro de 2020

0 Comentários

Três livros infantis para refletir sobre identidade

Identidade? O que é isso mesmo? Identidade descreve “algo que é diferente dos demais, porém idêntico a si mesmo” (PUC/RIO, p. 14). Ou seja, é aquilo que nos torna únicos em meio a bilhões de pessoas. É como aquele documento chamado pelo mesmo nome que usamos para provar quem somos.

Identidade é construída individual e socialmente, a partir das características pessoais, da memória coletiva, dos valores culturais etc. É constituída na relação entre sujeito e sociedade, havendo a forma como o indivíduo se identifica e como é identificado pelos outros.

Não é estática, como uma fotografia. Pode se alterar ao longo da vida, influenciada pelas vivências e rupturas, em um processo conduzido pela própria pessoa, embora cada indivíduo mantenha uma essência, um estilo.

Continue lendo
03 de novembro de 2020

0 Comentários

[Resenha] Pedagogia do oprimido

Por Paulo Freire

  • Título Original: Pedagogia do oprimido
  • Gênero do Livro: Ensaio
  • Editora: Paz e Terra
  • Ano de Publicação: 2020
  • Número de Páginas: 256
Sinopse: Pedagogia do oprimido, escrito entre 1964 e 1968, quando Paulo Freire estava exilado no Chile, foi proibido pela ditadura civil-militar do Brasil, onde permaneceu inédito até 1974. Ancorado em situações concretas, este livro desvela as relações que sustentam uma ordem injusta, responsável pela violência dos opressores e pelo medo da liberdade que os oprimidos sentem. É um livro radical, sobre o conhecer solidário, a vocação ontológica, o amor, o diálogo, a esperança e a humildade. Aborda a luta pela desalienação, pelo trabalho livre, pela afirmação dos seres humanos como pessoas, e não coisas. É destinado aos revolucionários, que se comprometem com os oprimidos, para, com eles e ao lado deles, lutar para construir um mundo em que seja mais fácil amar. Em 1963, em Angicos, interior do Rio Grande do Norte, trezentos trabalhadores rurais foram alfabetizados em apenas 40 horas, pelo método proposto por Paulo Freire. Esse foi o resultado do projeto-piloto do que seria o Programa Nacional de Alfabetização do governo de João Goulart, presidente que viria a ser deposto em março de 1964. [...]
Comprar na Amazon

A pedagogia do oprimido, como pedagogia humanista e libertadora, terá dois momentos distintos. O primeiro em que os oprimidos vão desvelando o mundo da opressão e vão comprometendo-se, na práxis, com a sua transformação; o segundo, em que, transformada a realidade opressora, esta pedagogia deixa de ser do oprimido e passa a ser a pedagogia dos homens em processo de permanente libertação (p. 57).

Queria ter trazido Pedagogia do oprimido ainda no mês das professoras e dos professores, mas não importa o (pequeno) atraso. A principal obra de Paulo Freire pode ser lida em qualquer época. Aliás, na minha opinião, essa é uma leitura indispensável a toda pessoa interessada na transformação do mundo (e não só aos educadores).

Pedagogia do oprimido não é um livro fácil, de rápida compreensão. Ele traz referências e conceitos diversos que precisam de mais de uma leitura para serem alcançados. Talvez por isso eu não tenha visto toda a riqueza dessa obra quando li um ou dois de seus capítulos durante a graduação.

Hoje apresento aqui uma síntese das principais ideias que captei na minha recente leitura do livro.

Continue lendo
13 de outubro de 2020

0 Comentários

Professoras de todos os tipos

Representações de professoras e professores na literatura

Atenciosas ou indiferentes. Rígidas ou permissivas. Democráticas ou autoritárias. Cada um de nós teve inumeráveis professoras ou professores, de diferentes personalidades e estilos, seja na educação infantil, no ensino fundamental, no ensino médio ou na educação superior.

É de conhecimento geral (e isso eu sei por experiência) que a docência não é a profissão mais valorizada no Brasil (veja-se, por exemplo, o que declarou o próprio ministro da área em uma entrevista recente). Por consequência, também não é a mais desejada pelos jovens.

Ao menos, parece que, durante a pandemia do novo coronavírus, que obrigou o fechamento das escolas, a sociedade começou a perceber a importância de professoras e professores. Afinal, não é qualquer pessoa que pode ensinar, e as tecnologias não substituem o ambiente escolar.

Continue lendo

1 2 3 18
© 2020 Histórias em MimDesenvolvido com por