"4" Post(s) arquivados na Tag: histórias do mundo

23 de junho de 2020

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[Resenha] Encontros felizes

Por Mônica Moro Harger

  • Título Original: Encontros felizes
  • Gênero do Livro: Crônica
  • Editora: InVerso
  • Ano de Publicação: 2019
Sinopse: Em abril de 2018, entre as inúmeras mensagens compartilhadas no WhatsApp da minha saudosa turma de faculdade (lá se vão mais de 20 anos de formados), um texto se destacava: "Vá aos encontros felizes". Assim como meus amigos, me comovi e uma parte de mim se viu querendo pegar a estrada e ir ao encontro daqueles que amo. Porém, o texto não vinha assinado. Tive a gratificante curiosidade de ir atrás da autora, alma sensível que havia conseguido traduzir de forma simples e afetuosa a importância de celebrar a vida nos momentos felizes. Assim encontrei a Mônica. De lá pra cá, pude comprovar que não apenas me identificava com seus textos, com sua sensibilidade, como também me identificava com sua doçura e capacidade de falar ao meu coração. Ficamos amigas. Ela se tornou colunista do meu blog. Em maio de 2019 tivemos nosso tão aguardado "Encontro Feliz", quando ela pegou a estrada e veio me visitar. [...]
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Sim, há dias longos em que a vida pesa e soma tempo. E há dias leves, que nos conferem a juventude da alma.

Com um título que nos prepara para uma experiência prazerosa, Mônica Moro Harger nos convida a contemplar, como quem observa de fora, aqueles momentos que passam despercebidos no dia a dia. Ela nos faz reparar que, por vezes, subestimamos os pequenos acontecimentos.

Outra conclusão a que chegamos ao ler Encontros felizes é que a vida (a vida mais simples que exista) pode fornecer matéria abundante para o escritor ou a escritora.

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13 de junho de 2020

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[Resenha] O conto da ilha desconhecida

Por José Saramago

  • Título Original: O conto da ilha desconhecida
  • Gênero do Livro: Conto
  • Editora: Companhia das Letras
  • Ano de Publicação: 1998
  • Número de Páginas: 64
Sinopse: Um homem vai ao rei e lhe pede um barco para viajar até uma ilha desconhecida. O rei lhe pergunta como pode saber que essa ilha existe, já que é desconhecida. O homem argumenta que assim são todas as ilhas até que alguém desembarque nelas.Este pequeno conto de José Saramago pode ser lido como uma parábola do sonho realizado, isto é, como um canto de otimismo em que a vontade ou a obstinação fazem a fantasia ancorar em porto seguro. Antes, entretanto, ela é submetida a uma série de embates com o status quo, com o estado consolidado das coisas, como se da resistência às adversidades viesse o mérito e do mérito nascesse o direito à concretização. Entre desejar um barco e tê-lo pronto para partir, o viajante vai de certo modo alterando a ideia que faz de uma ilha desconhecida e de como alcançá-la, e essa flexibilidade com certeza o torna mais apto a obter o que sonhou. [...]
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Que é necessário sair da ilha para ver a ilha, que não nos vemos se não nos saímos de nós (p. 41).

Sou uma grande admiradora do estilo de José Saramago, da crítica e da ironia presentes em suas obras. Conheci e recomendo O ensaio sobre a cegueira, A jangada de pedra e O evangelho segundo Jesus Cristo (este último em especial). Sempre que leio algo do autor, sinto-me inspirada a escrever textos que façam rir e pensar de uma vez só. Mesmo assim, ainda não havia comentado livros de Saramago aqui.

Vou explicar o porquê: tive receio de escrever, de maneira simples, sobre um escritor cujos trabalhos rendem análises de estudiosos. Bobagem minha, reconheço, pois todos que me acompanham sabem que não sou especialista em literatura (infelizmente não me formei na área). Sou apenas uma apreciadora de livros, tentando aprender mais sobre leitura e escrita.

Então vamos lá. Vamos espantar daqui a insegurança.

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23 de maio de 2020

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[Resenha] Se deus me chamar não vou

Por Mariana Salomão Carrara

  • Título Original: Se deus me chamar não vou
  • Gênero do Livro: Romance
  • Editora: Nós
  • Ano de Publicação: 2019
  • Número de Páginas: 158
Sinopse: Quem vai te contar essa história é uma criança de 11 anos. O olhar fresco e bem humorado de quem ainda vê a vida como mistério está aqui, mas vá por mim: não subestime a solidão de Maria Carmem.
A aprendiz de escritora, enfrentando as angústias da “pior idade do universo”, irá te provar que é possível, sim, que uma menina seja mais solitária do que um velho. Ao menos uma menina que, como ela, cresce e cria suas perguntas entre os objetos de uma “loja de velhos”. Ali elas já nascem antigas, frescas e pesadas, doce feito da mais dura poesia. Maria Carmem nasceu no fim. Sendo assim, do que interessa a idade? Como ela mesma diz, “é possível que um lápis pareça estar novo, mas todo quebrado por dentro”.
É assim, toda quebrada por dentro, que ela desconstrói o mundo diante de si, o mundo adulto que cria regras e não as obedece, o mundo escolar, tudo: “na aula de matemática o problema dizia que um menino e uma menina precisavam calcular quantas laranjas levar ao parque se os convidados meninos comiam tantas e as meninas só mais tantas cada uma. [...]
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Acho que existem crianças mais solitárias que os velhos.

Imagine uma menina de onze anos, solitária, cheia de perguntas e ideias próprias sobre a vida e o futuro. Essa é a descrição de Maria Carmem, a narradora-protagonista de Se deus me chamar não vou.

Não pense, porém, que essa é uma obra para crianças. É uma obra para adultos narrada por uma criança e me fez recordar O olho mais azul, de Toni Morrison, embora os enredos dos dois livros não sejam semelhantes. Recordei este livro apenas pela escolha narrativa e pela possibilidade de refletir sobre o mundo pelos olhos de uma criança.

Se deus me chamar não vou também não é uma história relacionada a religião, como o título pode levar a supor, mas traz questionamentos da menina acerca da existência de Deus. É um texto fluido, que pode ser lido em pouco tempo.

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12 de maio de 2020

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[Resenha] A conta-gotas

Por Ana Carolina Carvalho

  • Título Original: A conta-gotas
  • Gênero do Livro: Romance
  • Editora: Edições SM
  • Ano de Publicação: 2015
  • Número de Páginas: 117
Sinopse: A conta-gotas, pacientemente, com persistência — foi desse modo que Olívia conheceu sua mãe. Ela tinha nove meses quando Laura fugiu de casa, deixando-a com o pai e a avó. Na família não se falava da figura materna, não havia uma fotografia, nenhum registro do passado, nada. Para desvendar esse segredo, Olívia teve de se virar, recolhendo vestígios nos lugares mais improváveis: nos cochichos da avó, na ruga do pai, no espelho do quarto, na antiga cadeira de balanço, na samambaia da varanda... Trata-se de uma narrativa tocante sobre o trauma do abandono e as tentativas de resgate da própria história, em meio aos temores, fantasias, dúvidas e conquistas típicos da adolescência.
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Foi desse modo que conheci minha mãe. Em mínimas doses, e não como qualquer criança conhece a sua. Ou, pelo menos, como eu pensava que mãe e filha deveriam se conhecer: em uma convivência diária, intensa (p. 9-10).

O trecho acima é o resumo de como Olívia, a narradora-protagonista de A conta-gotas, conhece sua mãe, que partiu quando a menina ainda era bebê, deixando-a aos cuidados do pai.

Durante sua infância e adolescência, Olívia mantém o desejo de conhecer a mãe, mas esse é assunto proibido em sua casa e na casa da avó e a menina não vê sequer uma foto da mãe.

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