"4" Post(s) arquivados na Mês: abril 2022

26 de abril de 2022

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Minhas versões

Por Eriane Dantas

Na infância, imaginamos os adultos bem-resolvidos, donos de si. Quando chegamos a essa etapa, porém, descobrimos: adulto é, em geral, uma criança que bate cartão, paga boletos e oculta sua infantilidade. Adultos não são imunes ao medo, à insegurança, aos traumas, à ansiedade, à vontade de chorar e espernear de vez em quando.

De tempos em tempos, reflito sobre o caminho que trilhei até aqui e idealizo o que encontrarei logo ali, à frente (não, esse trajeto não consta em GPS e mapas). Olho pelo retrovisor e comparo esta “eu” de hoje com aquelas que fui deixando para trás.

Já encarnei tantas versões. A lembrança de algumas me causa riso ou nostalgia; um punhado delas eu esqueceria de bom grado; outras, eu deveria viajar no tempo para consertar. De todo modo, elas não ficaram para trás de fato; vão no porta-malas, deslocando-se nas curvas, sacolejando nas estradas esburacadas.

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20 de abril de 2022

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O livro me faz livre

Por Eriane Dantas

O mês de abril é especial para o mundo do livro. Começa com o Dia Internacional do Livro Infantil, no dia 2. Segue pelo Dia Nacional da Biblioteca, no dia 9. Passa pelo Dia do Desenhista, no dia 15. Chega ao Dia Nacional do Livro Infantil e de Monteiro Lobato, no dia 18. E termina com o Dia Mundial do Livro, no dia 23.

O livro é curioso. Sua criação depende do escritor ou da escritora (quer dizer, depende também de mais alguns agentes que trabalham na sua produção). Porém, sua existência só tem significado, sua função só se cumpre quando outro alguém resolve abri-lo, conhecê-lo, avaliá-lo.

Há escritores e escritoras que juram escrever sem pensar nos leitores ou nas leitoras ou sem pretender uma futura publicação. Não sei se acredito. Quem desejasse manter o seu trabalho em segredo escreveria diários, e não livros.

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12 de abril de 2022

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Cabelo loiro

Por Eriane Dantas

Cabelo loiro
meu artista
a alegria da casa
o motivo literal
desta casa construída
Todo dia
esqueço a sua idade
acho graça
nas mesmas frases
me admiro
com o seu raciocínio
espalho por aí
suas peripécias
peço à memória:
mantenha intactos
estes momentos

Sucede
em meu peito
um reboliço
se os meus olhos miram
sua imagem,
os meus ouvidos
captam a sua voz
numa risada
num cumprimento carinhoso
numa palavra
com letras trocadas

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07 de abril de 2022

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[Resenha] Eva Luna

Por Isabel Allende

  • Título Original: Eva Luna
  • Gênero do Livro: Romance
  • Editora: Bertrand Brasil
  • Ano de Publicação: 2019
  • Número de Páginas: 294
Sinopse: Quando ainda era muito jovem, Eva perdeu seus pais. De origem humilde, precisou começar a trabalhar como empregada, mas o seu verdadeiro talento é o dom de contar histórias. À medida que os anos passam e sua natureza imprudente a leva de uma casa para outra, ela conhece pessoas de todos os tipos e com diferentes estilos de vida, mas é sua imaginação que a mantém viva e alimenta seus ardentes encontros com os mais diversos amantes.

Com a América do Sul à beira de um colapso político, o destino de Eva acaba se entrelaçando ao de guerrilheiros e revolucionários e a leva ao encontro de sua verdadeira alma gêmea, o único homem capaz de envolvê-la de forma que nem mesmo em suas histórias ela conseguiu imaginar.

Ricos, pobres, humildes e sofisticados se juntam neste romance repleto de urgência, drama, comédia, história, batalhas, paixões, rebeliões e reencontros. Por meio de alguns dos melhores personagens que Isabel Allende já criou, Eva Luna celebra o poder da imaginação para criar um mundo melhor.
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Obra clássica, Eva Luna foi o quarto romance publicado por Isabel Allende, em 1987. Antes dele vieram A casa dos espíritos (1982), A lagoa azul (1983) e De amor e de sombra (1984).

Acreditei que aquela página me esperava por vinte e tantos anos, que eu vivera apenas para aquele instante, e desejei que a partir daquele momento meu único ofício fosse o de captar as histórias suspensas no ar mais sutil, para torná-las minhas (p. 240).

Fazia um tempo que eu queria conhecer esse livro. Além de ser um dos mais famosos da autora, vi Rory Gilmore, uma das protagonistas da série Gilmore Girls e leitora compulsiva, comentar que prefere Eva Luna ao romance A casa dos espíritos (o que prova que a indicação de livros por personagens de séries e filmes pode incentivar a leitura).

Terei, no entanto, que discordar de Rory. Na minha opinião, Eva Luna não supera o livro de estreia de Isabel Allende.

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