"3" Post(s) arquivados na Tag: ficção

10 de novembro de 2020

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A TV e eu

Por Eriane Dantas

Fui criada diante da TV, vendo desde O fantástico mundo de Bob até a banheira do Gugu (e uma porção de outros programas que hoje nos causam espanto). Naquela época, nem sonhávamos com Netflix e redes sociais; não tínhamos um aparelho de videocassete em casa; minha família não tinha condições de encher estantes com livros.

Por falar em livros, além dos didáticos, lembro-me de três lá em casa: Coração de boneca, de Ilka Brunilde Laurito; Os Grandes Líderes: Juscelino, de Geraldo Mayrinck; e Eu, Christiane F., 13 anos, drogada e prostituída, de Kai Hermann e Horst Rieck (que minha irmã e eu encontramos na rua e que, pelo tema, eu nem cheguei a ler). Então, o mundo entrava pelos olhos e pelos ouvidos, com imagens e sons, naquela caixa que tinha o poder de reunir a família na sala.

A atração principal para mim eram as telenovelas, em especial as mexicanas, já que minha mãe nos proibia de assistir às nacionais, incluindo Malhação. Isso não queria dizer que, vez ou outra, minha irmã e eu não déssemos uma espiada em alguma delas (ainda me recordo bem de uma noite em que, por acaso, me vi diante de um televisor que exibia Xica da Silva e de outra noite em que minha irmã e eu nos escondemos atrás do sofá para conferir Pedra sobre pedra — e nem me lembro das cenas em si).

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09 de maio de 2020

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Mães (reais) da ficção

Quatro diferentes mães que encontramos nos livros

Existe uma frase que nunca entendi muito bem: “mãe só tem uma”. Porque cada um de nós tem uma única mãe biológica, mas pode haver pessoas que tenham mais de uma mãe. Há ainda mães diversas pelo mundo afora, mães de todas as cores, de todos os jeitos, de todas as idades.

Também não me agrada a comparação das mães com super-heroínas. As mães erram, sofrem, amam e são, da mesma forma, capazes de odiar ou de não sentir amor; têm necessidades, desejos e sonhos além da maternidade; podem não estar preparadas para ser mães; e nem sempre serão hábeis em resolver os problemas dos filhos. Em resumo, as mães são apenas mulheres.

Como a ficção imita a vida real, não há melhor lugar para percebermos essas diferentes maternidades do que em uma boa história. Por essa razão, falo aqui de quatro mães que foram criadas por quatro diferentes escritoras, embora possam se parecer com mães reais.

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01 de outubro de 2019

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[Resenha] Uma noite, Markovitch

Por Ayelet Gundar-Goshen

  • Título Original: Layla Echad, Markovitch
  • Gênero do Livro: Romance
  • Editora: Todavia
  • Ano de Publicação: 2018
  • Número de Páginas: 400
Sinopse: Às vésperas da Segunda Guerra, um grupo de jovens parte da Palestina para a Europa. Do outro lado do mar, um grupo de jovens judias que nunca conheceram os esperam. O objetivo: casamentos fictícios com os quais as meninas poderão escapar da Europa sob Hitler e alcançar a futura pátria judaica, então sob o domínio britânico. Dois dos jovens são amigos íntimos, mas muito diferentes um do outro. Zeev Feinberg, um sujeito ousado, alto e musculoso, tem um belo bigode e está acostumado a ter mulheres caídas a seus pés. O outro, Iaakov Markovitch, é um cara indescritível e monótono sem qualquer tipo de carisma: nenhuma mulher já olhou para ele. No entanto, é Markovitch quem fica com a mulher mais bonita, a deslumbrante Bella Zeigerman. Contra o pano de fundo da guerra na Europa e a Guerra de Independência de Israel, com o enredo indo e vindo entre os pequenos indivíduos e os grandes eventos que os rodeiam, tudo isso num andamento ágil e mítico, o colorido romance de estreia de Gundar-Goshen reconta eventos do século XX de forma divertida e ilustrada.
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Iaakov Markovitch não era feio. Que não se conclua disso que era bonito. Garotinhas não desatavam a chorar por causa de seu aspecto, tampouco sorriam ao ver seu rosto. Ele era, seria possível dizer, um glorioso meio-termo (p. 11).

Esse é o romance de estreia de Ayelet Gundar-Goshen, escritora israelense que também é psicóloga e roteirista.

Que forma de começar! O livro lhe rendeu um prêmio literário em Israel, o Prêmio Sapir, pelo melhor romance de estreia de 2012, e foi traduzido para catorze idiomas.

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