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25 de maio de 2021

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É proibido não amar os clássicos

Por Eriane Dantas

Não me apaixonei por Mrs Dalloway, de Virginia Woolf, ou por A hora da estrela, de Clarice Lispector. Abandonei A cidade e as serras, de Eça de Queiroz, e O processo, de Franz Kafka.

Se você continua aqui, não me julgou mal por meu primeiro parágrafo. Mas diz a verdade: o que você está pensando de mim aí?

Já percebeu que, se alguém insere os nomes desses autores e dessas autoras e seus livros numa afirmação desfavorável, o seu interlocutor quase sempre torce o nariz? É porque eles fazem parte de uma categoria chamada “clássicos”.

Não sei você. Eu logo imagino algo intocável toda vez que escuto a palavra “clássico”. Para tirar a dúvida, fui buscar o significado no dicionário:

  • Diz-se da obra ou do autor que é de estilo impecável e constitui modelo digno de admiração.
  • Que constitui modelo em belas-artes.
  • Que obedece a certo padrão de técnica ou de estilo.
  • Autor de obra literária ou artística digna de ser imitada.
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28 de dezembro de 2020

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[Resenha] A hora da estrela

Por Clarice Lispector

  • Título Original: A hora da estrela
  • Gênero do Livro: Romance
  • Editora: Rocco
  • Ano de Publicação: 2020
  • Número de Páginas: 91
Sinopse: Pouco antes de morrer, em 1977, Clarice Lispector decide se afastar da inflexão intimista que caracteriza sua escrita para desafiar a realidade. O resultado desse salto na extroversão é A hora da estrela, o livro mais surpreendente que escreveu. Se desde Perto do coração selvagem, seu romance de estreia, Clarice estava de corpo inteiro, todo o tempo, no centro de seus relatos, agora a cena é ocupada por personagens que em nada se parecem com ela.
A nordestina Macabéa, a protagonista de A hora da estrela, é uma mulher miserável, que mal tem consciência de existir. Depois de perder seu único elo com o mundo, uma velha tia, ela viaja para o Rio, onde aluga um quarto, se emprega como datilógrafa e gasta suas horas ouvindo a Rádio Relógio. Apaixona-se, então, por Olímpico de Jesus, um metalúrgico nordestino, que logo a trai com uma colega de trabalho. Desesperada, Macabéa consulta uma cartomante, que lhe prevê um futuro luminoso, bem diferente do que a espera. [...]
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Escrevo porque sou um desesperado e estou cansado, não suporto mais a rotina de me ser e se não fosse a sempre novidade que é escrever, eu me morreria simbolicamente todos os dias.

Esse é o segundo livro da Clarice Lispector que leio. O primeiro foi A mulher que matou os peixes, obra destinada a crianças sobre a qual escrevi aqui dias atrás.

Fiquei em dúvida se falava ou não a respeito de A hora da estrela no blog. Quando se trata de autores ou autoras e obras clássicas, me pergunto o que posso acrescentar. Tantas análises e tantos comentários já foram feitos sobre essa obra. Tantas vezes Clarice foi mencionada, ainda mais no ano de seu centésimo aniversário.

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22 de agosto de 2018

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[Resenha] O retrato de Dorian Gray

Por Oscar Wilde

  • Título Original: The Picture of Dorian Gray
  • Gênero do Livro: Romance
  • Editora: Penguin Classics Companhia das Letras
  • Ano de Publicação: 2012
  • Número de Páginas: 260
Sinopse: Em 1891, quando foi publicado em sua versão final, O retrato de Dorian Gray foi recebido com escândalo, e provocou um intenso debate sobre o papel da arte em relação à moralidade. Alguns anos mais tarde, o livro foi inclusive usado contra o próprio autor em processos judiciais, como evidência de que ele possuía "uma certa tendência" - no caso, a homossexualidade, motivo pelo qual acabou condenado a dois anos de prisão por atentado ao pudor. Mais de cem anos depois, porém, o único romance de Oscar Wilde continua sendo lido e debatido no mundo inteiro, e por questões que vão muito além do moralismo do fim do período vitoriano na Inglaterra, definida por um dos personagens do livro como "a terra natal da hipocrisia". Seu tema central - um personagem que leva uma vida dupla, mantendo uma aparência de virtude enquanto se entrega ao hedonismo mais extremado - tem apelo atemporal e universal, e sua trama se vale de alguns dos traços que notabilizaram a melhor literatura de sua época, como a presença de elementos fantásticos e de grandes reflexões filosóficas, além do senso de humor sagaz e do sarcasmo implacável característicos de Wilde.
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O artista é o criador de coisas belas. Revelar a arte e ocultar o artista é a finalidade da arte (p. 5).

Hoje vamos falar sobre um clássico polêmico (como todo bom clássico), que, mesmo com o passar do tempo, não pode ser considerado ultrapassado. As reflexões que suscita são tão atuais como o eram no momento de sua produção.

Único romance de Oscar Wilde, O retrato de Dorian Gray teve sua primeira edição em livro em 1891, mas já havia sido publicado pela revista britânica Lippincott’s Monthly Magazine, com a supressão de palavras do original. Mesmo com essa censura, o texto foi considerado imoral, e, em resposta, Wilde escreveu um prefácio no qual defende:

Não existe livro moral ou imoral. Livros são bem escritos ou mal escritos. Isso é tudo (p. 5).

Se, por um lado, o romance alçou Wilde ao sucesso, também o colocou no centro de severas críticas e escândalos, sendo usado inclusive como prova de sua inadequação à sociedade (isso porque era homossexual). Wilde viu então sua fama decair ao se apaixonar por Alfred Douglas, perder uma ação por difamação contra o pai deste e ser condenado a dois anos de reclusão por atos de flagrante indecência.

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09 de julho de 2018

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[Resenha] Frankenstein

Por Mary Shelley

  • Título Original: Frankenstein, or, The Modern Prometheus
  • Gênero do Livro: Romance
  • Editora: Penguin Classics Companhia das Letras
  • Ano de Publicação: 2015
  • Número de Páginas: 417
Sinopse: O arrepiante romance gótico de Mary Shelley foi concebido quando a Autora tinha apenas dezoito anos. A história, que se tornaria a mais célebre ficção de horror, continua sendo uma incursão devastadora pelos limites da invenção humana. Obcecado pela criação da vida, Victor Frankenstein saqueia cemitérios em busca de materiais para construir um novo ser. Mas, quando ganha vida, a estranha criatura é rejeitada por Frankenstein e lança-se com afinco à destruição de seu criador. Este volume inclui todas as revisões feitas por Mary Shelley, uma introdução da autora e textos críticos de Percy B. Shelley e Ruy Castro. E ainda um apêndice com textos de Lorde Byron e do dr. John Polidori.
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Foi um deleite descobrir que um som agradável, o qual era frequente chegar-me aos ouvidos, saía da garganta de pequenos animais alados que não raro bloqueavam a luz de meus olhos (p. 190).

Este clássico está completando duzentos anos em 2018. Foi adaptado tantas vezes para o teatro, o cinema, a televisão e os quadrinhos que nossa impressão da história, incluindo a ideia que fazemos sobre quem é de fato o Frankenstein, pode ser um pouco diferente do enredo original. Este é um exemplo de livro que resistiu ao tempo e é capaz de surpreender, mesmo dois séculos depois. Foi o livro discutido no meu primeiro encontro do Leia Mulheres Brasília. Por isso, não poderia faltar aqui.

Quem não conhece o monstro assustador com parafusos no pescoço? Essa é a primeira imagem que vem à minha mente quando penso no Frankenstein. Por isso e por meu desinteresse por histórias de terror, imaginei que não gostaria do livro, mas me surpreendi e me deparei como uma história que não me horrorizou. Ao contrário, me emocionou, me entristeceu, me fez pensar.

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