09 de dezembro de 2020

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[Resenha] A mulher que matou os peixes

Por Clarice Lispector

  • Título Original: A mulher que matou os peixes
  • Editora: Rocco
  • Ano de Publicação: 1999
  • Número de Páginas: 30
Sinopse: Quase todo mundo tem ou já teve um animal de estimação. Mas nem todos prestam atenção aos bichinhos que têm em casa, que não são exatamente de estimação, como as baratas, as lagartixas, as moscas e os mosquitos, por exemplo, que são bichos naturais, e não estão à venda nas lojas. Essa é uma história contada por uma mulher que ama todos os bichos do mundo, mas que, por um acidente, matou dois peixinhos vermelhos. Entre os animais que ela mais gostou estão: a lagartixa, o vira-lata Dilermando; Jack, o cachorro americano; um mico muito bagunceiro; uma miquinha linda que usava brincos e colar e se chamava Lisete e tantas outras histórias dos animais de seus amigos. No final do livro, vamos saber se podemos perdoá-la ou não por ter matado os peixes.
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Se vocês gostam de escrever ou desenhar ou dançar ou cantar, façam porque é ótimo: enquanto a gente brinca assim, não se sente mais sozinha, e fica de coração quente.

No centenário de Clarice Lispector, falo aqui de um livro que essa conhecida escritora brasileira (nascida na Ucrânia) produziu para crianças.

Em A mulher que matou os peixes, que conta com ilustrações de Flor Opazo, a autora se apresenta como ela própria e conversa com os leitores e as leitoras, contando-lhes histórias, que não sabemos se são verdadeiras ou inventadas, sobre diferentes animais: gatos, cachorros, macaco, lagartixa etc.

Mas ela garante, mais de uma vez, que é tudo verdade, pois:

[…] não minto para menino ou menina. Só minto às vezes para certo tipo de gente grande porque é o único jeito.

Ela inicia o texto declarando-se culpada pela morte dos peixes. É ela mesma a mulher que dá nome ao livro. Mas trata de dar uma volta por outras histórias (e confessa essa estratégia), na esperança de que as crianças a perdoem pelo erro.

Esses outros relatos mostram seu amor pelos bichos e nos convencem de que só por acidente aquela mulher seria capaz de matar os peixes. Ao fim, ninguém seria tão duro ao ponto de não perdoá-la, ainda mais com este pedido:

Vocês ficaram muito zangados comigo porque eu fiz isso? Então me deem perdão. Eu também fiquei muito zangada com a minha distração. Mas era tarde demais para eu me lamentar.

É interessante como ela se dirige às leitoras e aos leitores, incluindo-os na história, fazendo-lhes perguntas, explicando-lhes aquilo que talvez não entendam. Ao mesmo tempo, ela não hesita em contar casos de morte de animais, coisa que hoje certamente seria evitada.

Ao ler o texto, especialmente o trecho destacado a seguir, reconheci a Clarice Lispector que eu vi recentemente em sua última entrevista, concedida à TV Cultura, em 1976 (veja a entrevista mais abaixo).

Tem gente grande que é tão chata! Vocês não acham? Elas nem compreendem a alma de uma criança. Criança nunca é chata.



Publicada originalmente em 1968, essa não foi a única obra para crianças que Clarice Lispector escreveu. Embora esses livros sejam menos conhecidos, ela também publicou os seguintes títulos: O mistério do coelho pensante, A vida íntima de Laura, Doze lendas brasileiras: como nasceram as estrelas.

Em A mulher que matou os peixes, Clarice Lispector mostra que sabe conversar com as crianças, sem necessidade de infantilizar a narrativa, apenas tratando de temas que interessam a elas, de um jeito sensível e descontraído.

E aí? Você já leu algum livro de Clarice Lispector destinado a crianças e jovens?


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