"4" Post(s) arquivados na Tag: crônicas

01 de junho de 2021

0 Comentários

Sem esmalte e de calcinha

Por Eriane Dantas

Olha as minhas unhas. Nunca mais pintei. Vontade de botar um esmalte vermelho. Ah, pintar pra quê? Não saio de casa há um ano. As pessoas me veem dos ombros pra cima. Posso até aparecer só de blusa e calcinha. Não, nunca fiz isso. Fique tranquilo (nem me imagine só de roupa íntima se me vir por aí em lives ou reuniões).

Por falar em lives, a quantas você assistiu desde o ano passado? E de quantas reuniões online participou? Já notou que, nas reuniões, as pessoas foram adquirindo o hábito de não ligar mais as câmeras? Não vemos o rosto de ninguém, ouvimos apenas a voz. Vai ver que não querem sequer vestir a blusa. É constrangedor conversar com um quadrado com uma ou duas letras. É como uma teleconferência. E eu fico me perguntando: quando retornarmos ao trabalho presencial, compareceremos às reuniões com uma tarja na cara, onde estarão escritas as nossas iniciais?

Continue lendo
29 de abril de 2021

0 Comentários

Outra vida

Por Eriane Dantas

Durante muito tempo tive medo de aparecer: poucas palavras ditas, nada de fotos, nada de vídeos, nada de exposição da intimidade e dos sentimentos diante de muita gente. Uma postagem como esta então seria impensável poucos anos atrás. E, ao mesmo tempo que desejava conquistar outros leitores e leitoras além da minha mãe, receava exibir os meus escritos.

Estou falando disso hoje aqui porque, à véspera de completar 12.419 dias na Terra, orgulho-me de ter matado parte desse monstro em mim. Para isso, além das parcerias que fiz nos últimos anos, da terapia, da relação com esse pequeno ser ao meu lado na foto, concorreram o meu sonho de escrever, o blog e a entrega a desafios no meu trabalho (e até encontros infelizes por lá).

Continue lendo
25 de novembro de 2020

2 Comentários

O giz vermelho e a insatisfação permanente

Por Eriane Dantas

‘Como seria bom se eu tivesse um ioiô!’.

Esse é um dos pensamentos de Sara, a personagem principal do livro infantil O giz vermelho, de Iris van der Heide e Marije Tolman (Martins Fontes, 2006).

Toda vez que leio essa história me pego em uma reflexão: não estaríamos nós em uma insatisfação permanente? Eu digo nós porque posso me incluir nesse grupo que, vez ou outra, olha para os objetivos alcançados e, como Raul Seixas naquela canção*, se pergunta: “E daí?”.

Sara inicia a narrativa com um giz vermelho, deseja fazer desenhos no chão com ele, porém é desencorajada pelo piso irregular. Ela então encontra um menino brincando com bolas de gude, se interessa pelo brinquedo e propõe uma troca. Assim a menina percorre todo o livro, reparando que o objeto em suas mãos não tem a graça que ela imaginava e cobiçando o brinquedo de outra criança.

Continue lendo
17 de outubro de 2020

0 Comentários

Meu ser piauiense

Por Eriane Dantas

Ser piauiense é estranhar com freqüência a pecha da pobreza, do calor insuportável, do imenso curral, do rústico corredor de passagem; é ter que ouvir aqueles de ‘fora’ a perguntar: como se fala, o que se faz, quem é o conhecido de lá’ (Rabelo, 2008, p. 14, sic).

“Você conhece o Pedro?” — alguém questionou certa vez, ao saber que nasci e morei na capital do Piauí por quase doze anos. Eu respondi que não, mas por dentro minha resposta não foi tão calma assim. Que diabo de pergunta era aquela? Como poderia conhecer um ser humano, identificado apenas como Pedro, em uma cidade com milhares de habitantes?

Em um momento anterior, outro alguém me perguntou se havia carros nas ruas de Teresina, talvez com uma imagem semelhante àquela que os estrangeiros têm dos brasileiros: a de que vivemos como o Tarzan, em meio à Floresta Amazônica. Mas sobre o Piauí a imagem talvez seja a de ruas atravessadas pelo gado.

Continue lendo

1 2 3 4
© 2021 Histórias em MimDesenvolvido com por