"4" Post(s) arquivados na Tag: crônicas

17 de outubro de 2020

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Meu ser piauiense

Por Eriane Dantas

Ser piauiense é estranhar com freqüência a pecha da pobreza, do calor insuportável, do imenso curral, do rústico corredor de passagem; é ter que ouvir aqueles de ‘fora’ a perguntar: como se fala, o que se faz, quem é o conhecido de lá’ (Rabelo, 2008, p. 14, sic).

“Você conhece o Pedro?” — alguém questionou certa vez, ao saber que nasci e morei na capital do Piauí por quase doze anos. Eu respondi que não, mas por dentro minha resposta não foi tão calma assim. Que diabo de pergunta era aquela? Como poderia conhecer um ser humano, identificado apenas como Pedro, em uma cidade com milhares de habitantes?

Em um momento anterior, outro alguém me perguntou se havia carros nas ruas de Teresina, talvez com uma imagem semelhante àquela que os estrangeiros têm dos brasileiros: a de que vivemos como o Tarzan, em meio à Floresta Amazônica. Mas sobre o Piauí a imagem talvez seja a de ruas atravessadas pelo gado.

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23 de julho de 2020

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A lunática das listas

Por Janete Marques

Levar as crianças à escola, pegar a fantasia da Ayo na costureira, ir à apresentação das crianças às 18h, marcar consulta no dentista para Zuri, marcar consulta no ginecologista, passar no mercado, entregar os livros na biblioteca, terminar de fazer os planos de aula da próxima semana, corrigir as provas, entregar os trabalhos do 7º ano, transferir o dinheiro para minha mãe.

Preciso confessar, sou viciada em listas. Tem gente que quando acorda faz prece, oração, ioga, lê “Minutos de sabedoria”. Eu não. Eu faço listas. Elas me dão a sensação de que estou no controle. Sinto que sou o ser humano mais organizado do mundo. Não, não sou. Parece exagero, né? Talvez. Mas a minha vida só funciona com as abençoadas listas. Nem sei quando me tornei a lunática das listas. Acho que foi depois da maternidade. A cobrança e o julgamento por ser mãe solteira… Não, mãe solteira não. Mãe solo. Só mãe mesmo. Esses dias li numa revista que maternidade tinha  a ver com ter filhos e não com estado civil. Gostei. Onde estava? Sim. Depois da maternidade me tornei essa pessoa que precisa anotar tudo num papel. O tempo era o vilão a ser combatido. Ele teimava em passar ligeiro e eu tinha que ser mais rápida que ele. Que comecem os jogos!

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14 de julho de 2020

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A melhor amiga

Por Eriane Dantas

Quando eu tinha oito ou nove anos de idade, uma menina nova ingressou na minha turma da escola. Pequena e bonita, todo mundo se encantou por ela e desejou sua amizade (até os meninos, que não se misturavam com as meninas a não ser para implicar). Mas, vejam só, a novata olhou para mim, se aproximou e quis ser minha melhor amiga.

Assim foi. Como fazem as melhores amigas, andávamos sempre juntas, sentávamos lado a lado, brincávamos e conversávamos apenas nós duas, como se ninguém mais existisse na escola.

Outra menina resolveu fazer contato comigo um tempo depois. Não lembro como era, mas recordo que não havia qualquer coisa nela que eu reprovasse (ela sequer me inspirava antipatia). Por isso, dediquei-lhe minha atenção.

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23 de junho de 2020

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[Resenha] Encontros felizes

Por Mônica Moro Harger

  • Título Original: Encontros felizes
  • Gênero do Livro: Crônica
  • Editora: InVerso
  • Ano de Publicação: 2019
Sinopse: Em abril de 2018, entre as inúmeras mensagens compartilhadas no WhatsApp da minha saudosa turma de faculdade (lá se vão mais de 20 anos de formados), um texto se destacava: "Vá aos encontros felizes". Assim como meus amigos, me comovi e uma parte de mim se viu querendo pegar a estrada e ir ao encontro daqueles que amo. Porém, o texto não vinha assinado. Tive a gratificante curiosidade de ir atrás da autora, alma sensível que havia conseguido traduzir de forma simples e afetuosa a importância de celebrar a vida nos momentos felizes. Assim encontrei a Mônica. De lá pra cá, pude comprovar que não apenas me identificava com seus textos, com sua sensibilidade, como também me identificava com sua doçura e capacidade de falar ao meu coração. Ficamos amigas. Ela se tornou colunista do meu blog. Em maio de 2019 tivemos nosso tão aguardado "Encontro Feliz", quando ela pegou a estrada e veio me visitar. [...]
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Sim, há dias longos em que a vida pesa e soma tempo. E há dias leves, que nos conferem a juventude da alma.

Com um título que nos prepara para uma experiência prazerosa, Mônica Moro Harger nos convida a contemplar, como quem observa de fora, aqueles momentos que passam despercebidos no dia a dia. Ela nos faz reparar que, por vezes, subestimamos os pequenos acontecimentos.

Outra conclusão a que chegamos ao ler Encontros felizes é que a vida (a vida mais simples que exista) pode fornecer matéria abundante para o escritor ou a escritora.

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