14 de julho de 2020

4 Comentários

A melhor amiga

Por Eriane Dantas

Quando eu tinha oito ou nove anos de idade, uma menina nova ingressou na minha turma da escola. Pequena e bonita, todo mundo se encantou por ela e desejou sua amizade (até os meninos, que não se misturavam com as meninas a não ser para implicar). Mas, vejam só, a novata olhou para mim, se aproximou e quis ser minha melhor amiga.

Assim foi. Como fazem as melhores amigas, andávamos sempre juntas, sentávamos lado a lado, brincávamos e conversávamos apenas nós duas, como se ninguém mais existisse na escola.

Outra menina resolveu fazer contato comigo um tempo depois. Não lembro como era, mas recordo que não havia qualquer coisa nela que eu reprovasse (ela sequer me inspirava antipatia). Por isso, dediquei-lhe minha atenção.

— É ela ou eu — disse minha melhor amiga ao perceber nossa conversa. Não gostou do que viu. Dizia não suportar a menina, sabe-se lá por que razão.

E eu obedeci. Não dirigi mais a palavra à outra menina. Optei por minha melhor amiga.

Certa vez, faltei à aula. Não sei por quê. Talvez estivesse doente. Nada incomum naquela época. Sofri bastante com problemas respiratórios na infância.

Um ou dois dias depois, retornei à escola, atrasada como sempre, por culpa da vizinha que me acompanhava todo dia: ela ainda estava começando a almoçar quando deveríamos estar de saída. Chegando lá, os outros alunos haviam cantado o hino nacional e se dirigido às salas de aula.

Ao entrar na sala, encontrei ocupado meu lugar, ao lado da minha melhor amiga. Sentada nele estava a menina que preteri na minha escolha, a menina que decidi ignorar. Ela e minha melhor amiga trocaram sorrisos e cochichos durante a aula. Saíram de mãos dadas para o recreio, e nenhuma delas voltou os olhos para mim.

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4 Comentários

  • Nívea
    15 julho, 2020

    Oi, Eriane! É tão precioso revisitar essas memórias, não é? Como aprendemos! Imagino o quanto você deve ter se sentido triste naquela ocasião e que lições tirou para os dias de hoje. De vez em quando, mexo e remexo meus baús de memórias… Hoje me lembrei da Vanessinha, minha melhor amiga dos tempos de escola. Eu era filha de uma das professoras e sofria bullying (rsrsrsrs) dos meus colegas por isso. Diziam que eu ia bem nas avaliações porque minha mãe “roubava” as provas. Minha melhor amiga era de outra sala e a gente se dava muito bem, era muito especial ter uma grande amiga de confidências… enfim… vão se os anos e ficam as memórias.

    • Eriane Dantas
      Eriane Dantas
      22 julho, 2020

      Oi, Nívea!
      Que legal ler essa história. Foi muito importante ter sua amiga ao lado naquele momento, né?
      Obrigada por compartilhar essa memória!

  • Eliete Morais
    14 julho, 2020

    É minha amiga, já falamos sobre essas escolhas. Mas ao menos a lembrança não foi que vc deixou uma amiga e sim ela que Talves tenha sentido tanto a sua falta que quis destinar o amor a outra pessoa, ainda que fosse a mesma que ela tinha pedido para fazer uma escolha. Um beijo amei ler suas memórias.

    • Eriane Dantas
      Eriane Dantas
      22 julho, 2020

      Verdade, já conversamos sobre isso. Lembro que você fez uma escolha parecida.

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