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04 de janeiro de 2022

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Novo ano novo

Por Eriane Dantas

Decidi não fazer planos
nem listas
nem promessas que não cumprirei
Os sonhos eu anotei
são mais ou menos os mesmos
do outro ano

Vou de passinho em passinho
devagarinho como o Martinho
ou correndo
respirando
pisando no freio de quando em vez
aproveitando a inspiração
perdoando a procrastinação
deixando nas mãos de Deus
ou jogando pro universo
talvez

Os 378 milhões
eu não levei
o ano novo começa igual ao velho
Será mesmo?

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13 de abril de 2021

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Não seja apenas feliz

Esse menino cheio de expressões, cheio de estilo, veio ao mundo há exatos 24 meses, antes do nascer do sol.

É engraçado. O nosso primeiro encontro foi também a nossa primeira separação. Ele chegou reclamando, mostrando suas vontades. Seu choro ocupou o espaço e foi interrompido assim que nos aproximamos, como se ele quisesse ouvir o que eu tinha a dizer. Eu nada disse. Só senti sua pele na minha, a sensação de ver de perto um rosto que a tecnologia havia nos antecipado. Era a minha primeira vez ali também, numa sala com tanta luz, com tanta gente ao redor, com tanta volta no estômago. Sua chegada mudou a nossa vida, a rotina da casa, fazendo-nos até mudar de casa.

Já se passaram dois anos e, embora pareça que foi ontem, sinto como se o Joaquim estivesse conosco desde sempre. Incorporou-se à família de forma tão natural, que não existiria mais família sem sua presença.

Falei do Joaquim outras vezes aqui, especialmente de como ele e eu compartilhamos o amor pelos livros. Para além disso, ele proporciona a experiência mais mágica que viverei: a oportunidade de presenciar suas descobertas, sua aprendizagem, de influenciá-las também, de ser parte da formação de um sujeito.

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09 de junho de 2020

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Dia de riso

Por Eriane Dantas

Corri para a janela atraída por uma confusão de vozes. Seria mais uma discussão entre a senhora do cachorro, o casal com o recém-nascido e a família forrozeira? Logo percebi que meus vizinhos estavam apenas tentando acompanhar a cantoria do morador do 504, que agarrou o violão e dirigiu-se à sacada. Não era a primeira vez que ele se metia a artista ali. Só que antigamente (quero dizer, até a semana anterior), mandavam-lhe o síndico, tacavam-lhe ovos e discavam até para o 190 quando ele se punha a tocar, de dia ou de noite.

Nesse dia, seu talento intrigou os vizinhos.

— Quando tudo isto acabar — gritou um deles —, você nos oferecerá um show de verdade, meu amigo.

— Sim, logo poderemos estar juntos de novo — replicou outro.

— Viva o morador do 504 — disseram em coro.

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