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15 de agosto de 2020

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[Resenha] AmoreZ

Por Regiane Folter

  • Título Original: AmoreZ
  • Gênero do Livro: Conto
  • Ano de Publicação: 2020
  • Número de Páginas: 45
Sinopse: Já pensou que existem tantos tipos de amor quanto pessoas esperando ser amadas? O amor platônico, o amor que se termina, aquele que perdura, o amor em quatro patas, o que nasce da genética, amores sem explicação e muitos outros que você provavelmente já viveu ou ouviu falar... AmoreZ usa simples palavras para descrever o sentimento mais complexo e diverso de todos. Neste livro você irá conhecer & reconhecer amores de A a Z. São histórias curtas inspiradas em fatos reais ou sonhados que falam sobre como esse sentimento nasce em nós, nos transforma e às vezes transborda.
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Aceito ser quem sou, amo ser quem sou, sem deixar de procurar uma versão melhor de mim (trecho de “Aceitação“).

Neste tempo de crise sanitária, política e econômica, faz bem esquecer as más notícias de vez em quando e distrair a mente com temas mais leves, que nos deem um pouco de conforto e de esperança.

Por isso trago como sugestão de leitura o livro AmoreZ, de Regiane Folter, que acabou de ser lançado em formato e-book e pode ser lido gratuitamente por quem é assinante do Kindle Unlimited.

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16 de julho de 2020

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O bordado pelo avesso

Por Sinval Farias

A viagem prossegue morna e o tempo se estira. A janela do ônibus reflete uma aflição desmedida. Paisagem estorricada, sequidão nos riachos, arremedos de bichos no esboçado dos pastos. O sol do quase meio-dia ignora a maquiagem, retocada de instante em instante. As poucas poltronas ocupadas seguem silenciosas.

Quinze anos sem dar notícias. Uma ligação, a morte da mãe anunciada. Decidiu digerir rancores e reencontrar o sítio materno.

Pela enésima vez, apruma-se na poltrona, revolve os cabelos, recruza as pernas. As horas riscam o azulado do horizonte.

O trajeto remonta a figura do velho pai, olhos ressequidos, sobrancelhas grosseiras. Relembra o dia em que parou a lida e improvisou penteado numa espiga de milho. Apanhou para o resto da vida.

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09 de julho de 2020

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Diáspora

Por Oly César Wolf

Éramos família, ou algo muito similar a isso. Ficávamos sentados à mesa, calados, como se ela fosse um altar onde rezávamos pelo milagre da multiplicação do alimento, que era sempre menor que a nossa fome. Milagre nunca houve. Quanto a nós, bem, nós não. Apenas isso, somente negativa éramos, como vazios escavados na matéria, como ausências encarnadas em corpos magros.

Aqueles eram dias duros que trincavam nossos dentes obrigados a roê-los. Por isso, por não vencermos mastigar a ossatura da nossa miséria, nos contentávamos em lamber o mole silêncio que vertia de nossas bocas semiabertas. Éramos quase pai e quase filho. Espírito não havia, muito menos santo. Mãe, irmãos, também havia, ou quase. Uns desacompanhando os outros, como se perfilados na vida e unidos pelos pés por uma pesada corrente de dias.

Pai morreu, mãe também. Morremos todos naquele lugar, não de morte de fato, mas de insignificância. Éramos mirrados, pequenos de quase não ser.

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13 de junho de 2020

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[Resenha] O conto da ilha desconhecida

Por José Saramago

  • Título Original: O conto da ilha desconhecida
  • Gênero do Livro: Conto
  • Editora: Companhia das Letras
  • Ano de Publicação: 1998
  • Número de Páginas: 64
Sinopse: Um homem vai ao rei e lhe pede um barco para viajar até uma ilha desconhecida. O rei lhe pergunta como pode saber que essa ilha existe, já que é desconhecida. O homem argumenta que assim são todas as ilhas até que alguém desembarque nelas.Este pequeno conto de José Saramago pode ser lido como uma parábola do sonho realizado, isto é, como um canto de otimismo em que a vontade ou a obstinação fazem a fantasia ancorar em porto seguro. Antes, entretanto, ela é submetida a uma série de embates com o status quo, com o estado consolidado das coisas, como se da resistência às adversidades viesse o mérito e do mérito nascesse o direito à concretização. Entre desejar um barco e tê-lo pronto para partir, o viajante vai de certo modo alterando a ideia que faz de uma ilha desconhecida e de como alcançá-la, e essa flexibilidade com certeza o torna mais apto a obter o que sonhou. [...]
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Que é necessário sair da ilha para ver a ilha, que não nos vemos se não nos saímos de nós (p. 41).

Sou uma grande admiradora do estilo de José Saramago, da crítica e da ironia presentes em suas obras. Conheci e recomendo O ensaio sobre a cegueira, A jangada de pedra e O evangelho segundo Jesus Cristo (este último em especial). Sempre que leio algo do autor, sinto-me inspirada a escrever textos que façam rir e pensar de uma vez só. Mesmo assim, ainda não havia comentado livros de Saramago aqui.

Vou explicar o porquê: tive receio de escrever, de maneira simples, sobre um escritor cujos trabalhos rendem análises de estudiosos. Bobagem minha, reconheço, pois todos que me acompanham sabem que não sou especialista em literatura (infelizmente não me formei na área). Sou apenas uma apreciadora de livros, tentando aprender mais sobre leitura e escrita.

Então vamos lá. Vamos espantar daqui a insegurança.

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