24 de maio de 2022

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Ontem eu sonhei com o Saramago

Por Eriane Dantas

Ontem eu sonhei com o Saramago. José Saramago. O escritor português conhecido pelos longos parágrafos e pelo uso não convencional das vírgulas.

Não me lembro do seu rosto ou da nossa interação (ou se alguma ocorreu). Só sei que era ele ali, marcando presença na minha mente durante o sono.

Ele apareceu em meu sonho sem mais nem menos. Faz semanas que iniciei e interrompi a leitura de o Memorial do Convento (fui até a metade do livro). Vou retomá-la mais adiante.

Falando assim, dou a impressão de que me refiro a um conhecido, um familiar, um amigo. A verdade é que me sinto íntima do Saramago quando visito suas obras.

Para além de seu estilo único de escrita, admiro seu modo de narrar, sua ironia, a crítica política e social sempre presente em seus textos. Toda vez que leio um livro do autor, acabo acreditando que posso saramaguear, que sou capaz de criar uma obra significativa; começo a ter ideias e vontade de ousar.

Não me julgue pretensiosa; não tenho a intenção de me comparar com ele (ainda tenho caminho a percorrer nessa estrada escura, cascalhenta e esburacada). Ler Saramago me mostra que devo buscar a minha própria voz, a minha própria forma de expressão (todo mundo deveria fazer esse exercício).

Este é o ano do centenário de José Saramago. Em 16 de novembro de 2022, ele completaria cem anos de vida. E lá se vão doze de sua despedida do mundo.

Vencedor do Prêmio Camões em 1995 e do Prêmio Nobel de Literatura em 1998, Saramago é um exemplo daqueles escritores que tiveram outras milhares de ocupações: ele foi serralheiro mecânico, funcionário público, técnico editorial, tradutor, crítico literário, editor de jornal.

Seu primeiro livro foi lançado em 1947 e seu segundo projeto foi recusado (e só lançado postumamente, em 2011). Por isso, o autor passou dezenove anos longe da criação literária.

É curioso que um escritor hoje reverenciado tenha sido rejeitado e se sentido inseguro quanto ao seu talento (mas sei que não foi o único na história). Então, vou aceitar essa aparição como um incentivo, uma benção dos céus. Ou, quem sabe, seja um aviso de que preciso voltar a beber nessa fonte, a me inspirar, a me arriscar mais?

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