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06 de agosto de 2019

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Quanto tempo

Por Eriane Dantas

Ela não sabe há quanto tempo está ali, no mesmo lugar, vendo os mesmos humanos passarem dia após dia, com olhar fixo no horizonte, acelerados, como quem tem pressa de alcançar a linha de chegada. Deve haver uma recompensa ao final da caminhada de cada um, ela imagina, o pote de ouro no fim do arco-íris, como ouviu um sujeito dizer certa vez. Queria ela também receber aquele prêmio. Mas preferiria um pote de sorvete, a sobremesa intrigante que as pessoas tomam com uma careta sorridente. Ela não sabe há quanto tempo está ali. Tenta puxar pela memória, mas lá não há qualquer calendário ou relógio. Ninguém lhe ensinou quantas horas há no dia, quantos dias há no mês e quantos meses há no ano. Ela também não conseguiria calcular. Tem apenas a sensação de já ter visto o sol nascer e se pôr muitas vezes daquele ponto. Talvez tenham […]

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16 de julho de 2018

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Selma

Por Eriane Dantas

Um ruído irritante, como se alguém desse a partida em um carro velho, tomou conta do quarto e a cada segundo se tornou mais e mais alto. Não ouvia mais o tique-taque do relógio de parede nem o latido do cão do vizinho. E eram duas horas da manhã. Àquela altura, já tinha rezado uma novena em favor dos meus parentes, principalmente do meu marido barulhento. Conferi as horas novamente: passava das três. Se eu pegasse no sono naquele momento, dormiria por pouco menos de quatro horas. Da forma como meus olhos estavam, despertos como se eu tivesse tomado uma garrafa de café, sabia que passaria outra noite em claro. A solução foi encontrar algo para matar o tempo e chamar o sono.

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13 de julho de 2018

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Uma mulher que só queria esquecer

Por Eriane Dantas

Sabrina se alegrou por ser uma das primeiras ali, pois não queria mesmo encontrar alguém. Assim, poderia cumprir o plano de tomar alguns drinques sem companhia e voltar para casa tão bêbada que não pensaria em sua situação. Quem já não passou por uma situação que gostaria de apagar da memória de uma vez: uma desilusão, um fracasso, uma perda? Em momentos como esses desejamos encontrar um remédio que neutralize a dor e nos permita seguir vivendo como se nada em nossa vida tivesse se alterado. Esse é o caso de Sabrina, uma mulher que só quer esquecer. Ela pretende permanecer em sua existência solitária. Foge das conversas com a família e com os colegas do trabalho. Seu único desejo é tomar uma bebida forte que a faça perder os sentidos ao menos por alguns instantes.

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