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15 de dezembro de 2020

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Depois de nove meses

Por Eriane Dantas

Presa em casa
não aguento mais um dia,
nem tanto por me isolar,
às vezes não faz mal
não ter que ver o mundo.


Prefiro esse mundo que vejo
da varanda:
o céu azul,
as nuvens quebrando o monocromático,
os passarinhos no alto
brincando de voar.


Não aguento mesmo
é o mundo lá fora.
Enquanto uns fecham as portas
de casa,
outros se juntam para ir à praia,
à festa,
a monumentos
que jamais se interessaram
em visitar.

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23 de julho de 2020

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A lunática das listas

Por Janete Marques

Levar as crianças à escola, pegar a fantasia da Ayo na costureira, ir à apresentação das crianças às 18h, marcar consulta no dentista para Zuri, marcar consulta no ginecologista, passar no mercado, entregar os livros na biblioteca, terminar de fazer os planos de aula da próxima semana, corrigir as provas, entregar os trabalhos do 7º ano, transferir o dinheiro para minha mãe.

Preciso confessar, sou viciada em listas. Tem gente que quando acorda faz prece, oração, ioga, lê “Minutos de sabedoria”. Eu não. Eu faço listas. Elas me dão a sensação de que estou no controle. Sinto que sou o ser humano mais organizado do mundo. Não, não sou. Parece exagero, né? Talvez. Mas a minha vida só funciona com as abençoadas listas. Nem sei quando me tornei a lunática das listas. Acho que foi depois da maternidade. A cobrança e o julgamento por ser mãe solteira… Não, mãe solteira não. Mãe solo. Só mãe mesmo. Esses dias li numa revista que maternidade tinha  a ver com ter filhos e não com estado civil. Gostei. Onde estava? Sim. Depois da maternidade me tornei essa pessoa que precisa anotar tudo num papel. O tempo era o vilão a ser combatido. Ele teimava em passar ligeiro e eu tinha que ser mais rápida que ele. Que comecem os jogos!

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09 de junho de 2020

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Dia de riso

Por Eriane Dantas

Corri para a janela atraída por uma confusão de vozes. Seria mais uma discussão entre a senhora do cachorro, o casal com o recém-nascido e a família forrozeira? Logo percebi que meus vizinhos estavam apenas tentando acompanhar a cantoria do morador do 504, que agarrou o violão e dirigiu-se à sacada. Não era a primeira vez que ele se metia a artista ali. Só que antigamente (quero dizer, até a semana anterior), mandavam-lhe o síndico, tacavam-lhe ovos e discavam até para o 190 quando ele se punha a tocar, de dia ou de noite.

Nesse dia, seu talento intrigou os vizinhos.

— Quando tudo isto acabar — gritou um deles —, você nos oferecerá um show de verdade, meu amigo.

— Sim, logo poderemos estar juntos de novo — replicou outro.

— Viva o morador do 504 — disseram em coro.

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26 de maio de 2020

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Ser triste

Por Eriane Dantas

Longe de mim exaltar a tristeza,
mas quem disse
que não se tira alguma valia
de um dia triste?


Diz a canção:
é preciso um bocado de tristeza.
Ela fala de samba;
eu falo da vida.

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