
Tem coisa mais incrível do que ver uma criança aprender?
Comecei a ler para o meu filho ainda na minha barriga, mas foi com mais ou menos três meses que tornei essa prática uma rotina. Todo dia, antes de dormir lemos um livro (às vezes dois). E ai de mim se tentar furar o compromisso. Já tive que ser substituída nessa tarefa, mas a leitura da noite nunca pode faltar.
Com isso, vivemos um tantão de histórias. Acompanhamos as peripécias da Clara Luz e da Serafina, vimos sumir o medo do Gildo e da Chapeuzinho Amarelo, rimos dos causos do Bichinho da Maçã, torcemos pela vingança da Pequena Toupeira, nos divertimos com e nos compadecemos do Leocádio, tivemos pena da Árvore Generosa e da Lúcia-Já-Vou-Indo, acreditamos no Grúfalo e no Urso Esfomeado, viajamos com o Papagaio-de-Cara-Roxa, sofremos com o destino do Papagaio Reginaldo, choramos com o Ernesto, aprendemos sobre liberdade com o Monstro Rosa e sobre diálogo com o Monstro Azul e estivemos com outras tantas personagens.
Ele familiarizou-se cedinho com a língua portuguesa, conheceu palavras e expressões que não usamos no dia a dia e leu também muitas imagens. Foi aprendendo a variação da entonação, a diferença entre narrador e personagem e até a ideia de conflito. Obteve informações e desenvolveu a memória, a empatia, entre outras competências. Hoje, ele já sabe até dizer quando não gosta de um livro, mas ainda tem dificuldade de escolher apenas um preferido (eu entendo, também a tenho).
Nesse meio-tempo, ingressou na educação infantil e teve a oportunidade de socializar com outras pessoas, de aprender a conviver, de se expressar, de dar o primeiro passo na aprendizagem escolar.
Agora, no primeiro ano, em poucos meses, tudo o que ele vinha apreendendo desde sua entrada no mundo, tudo o que ele captou pelos sentidos, em casa, na rua, na escola, tudo isso, ele juntou e deu um salto, um salto tão grande que nos deixou de boca aberta. Ele saiu, de fato, da leitura do mundo para a leitura da palavra.
É tão bonito acompanhar essa evolução. Vê-lo entender como aquelas letrinhas que conhece, já há algum tempo, podem se juntar e formar palavras, frases e textos. Vê-lo codificar e decodificar, transformar a palavra escrita em falada e vice-versa. Vê-lo questionar por que uma palavra é escrita de um jeito e não de outro. Vê-lo compreender o que lê.
Dia desses, ele se sentou, pensou e escreveu sozinho uma história sobre um cachorro de abrigo (que depois transformamos em um livro artesanal).
Hoje, inaugurou outra fase. Passou uma hora lendo de forma independente, tentando e tropeçando nas palavras e corrigindo a própria pronúncia. Até então, começava uma leitura, mas o medo o fazia desistir depois de um ou dois trechos. O medo de não saber pronunciar uma palavra, de engasgar, de errar. O Menino Maluquinho, com seu jeito maluco e com sua turma maluca, o incentivou a ler, e ele se concentrou e riu e ficou todo orgulhoso quando constatou que é capaz de ler sozinho as histórias que o encantam.
Aprender é mesmo mágico, em qualquer etapa da vida. Não posso negar que me sinto envaidecida por ter feito parte desse processo. Não posso negar o quanto eu aprendo com ele dia após dia.

























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