04 de junho de 2020

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Concurso literário Dois anos de Histórias em mim

Regulamento

O blog Histórias em mim completará dois anos em 29 de junho de 2020 e, em comemoração, quero reconhecer o talento literário de três leitores do blog e presenteá-los com livros cujas resenhas se encontram entre as mais lidas nos dois anos que se passaram.

1. Sobre o concurso

1.1. O concurso literário Dois anos de Histórias em mim tem caráter exclusivamente cultural, com a participação voluntária dos interessados, sem quaisquer modalidades de sorteio ou pagamento pelos participantes nem vinculação destes à aquisição ou ao uso de qualquer produto, bem ou serviço, sendo, portanto, dispensada de autorização, nos termos do inciso II do art. 3º da Lei n° 5.768, de 20 de dezembro de 1971, e do art. 30 do Decreto n° 70.951, de 9 de agosto de 1972.

2. Participantes

2.1. Pode participar qualquer pessoa física residente no Brasil que possua perfil válido no Facebook ou no Instagram.

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02 de junho de 2020

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Quando gritávamos “não vai ter golpe”

Por Eriane Dantas

Catedral Metropolitana de Brasília, 18 de março de 2016

Não sei exatamente o que dizer. Não sei exatamente o que sinto neste momento. Oscilo entre raiva, nojo, medo e desesperança. Isso já faz algum tempo, mas vem aumentando a cada dia.

Não é tão simples entender como viemos parar aqui: foi um processo que envolveu diferentes grupos e levou anos. Porém podemos especular que o pior de todos os candidatos, o mais incapaz, o mais tosco, só conquistou o cargo mais importante de um país tão grande porque representava aquilo que muita gente sentia: ódio, ódio, ódio e ódio. Muitos cidadãos de bem ansiavam por ter uma arma na mão para matar os inimigos. Ou alguém pode citar uma qualidade daquele candidato, sem fazer referência aos defeitos dos demais ou de governos passados?

É irônico que muitos dos 57 milhões de responsáveis por essa desgraça se arrependeram do voto apenas quando viram o mito debochar dos atingidos por uma doença tão perigosa.

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30 de maio de 2020

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Cartas para Marilu (n° 12)

Sábado, 13 de julho de 1985.


Marilu,


Depois do desastre que foi a conversa com seu pai, encontrei Teresa e disse que queria participar de suas reuniões. Não importava contra quem eles lutavam; eu também queria lutar. A luta por liberdade também me tinha feito sair de casa, embora eu não tenha refletido sobre isso antes de tomar a decisão.

Saí do hotel diretamente para a igreja ao lado, onde encontrei dezenas de homens e mulheres que alternavam sorrisos e uma expressão de tristeza. Teresa me explicou que seus companheiros tinham esperança de ver o país livre outra vez, mas o clima de repressão e o medo por vezes ofuscavam seus pensamentos positivos.

Um homem subiu ao altar e reafirmou a importância da resistência. Eles trilhavam o caminho certo e ninguém poderia esmorecer naquele momento. Relembrou os companheiros que não se encontravam mais ali, companheiros cujo paradeiro só podiam imaginar, e pediu que cada um dos presentes prosseguisse na batalha por aqueles que não podiam fazê-lo.

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26 de maio de 2020

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Ser triste

Por Eriane Dantas

Longe de mim exaltar a tristeza,
mas quem disse
que não se tira alguma valia
de um dia triste?


Diz a canção:
é preciso um bocado de tristeza.
Ela fala de samba;
eu falo da vida.

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