Tem coisa mais incrível do que ver uma criança aprender?
Comecei a ler para o meu filho ainda na minha barriga, mas foi com mais ou menos três meses que tornei essa prática uma rotina. Todo dia, antes de dormir lemos um livro (às vezes dois). E ai de mim se tentar furar o compromisso. Já tive que ser substituída nessa tarefa, mas a leitura da noite nunca pode faltar.
Com isso, vivemos um tantão de histórias. Acompanhamos as peripécias da Clara Luz e da Serafina, vimos sumir o medo do Gildo e da Chapeuzinho Amarelo, rimos dos causos do Bichinho da Maçã, torcemos pela vingança da Pequena Toupeira, nos divertimos com e nos compadecemos do Leocádio, tivemos pena da Árvore Generosa e da Lúcia-Já-Vou-Indo, acreditamos no Grúfalo e no Urso Esfomeado, viajamos com o Papagaio-de-Cara-Roxa, sofremos com o destino do Papagaio Reginaldo, choramos com o Ernesto, aprendemos sobre liberdade com o Monstro Rosa e sobre diálogo com o Monstro Azul e estivemos com outras tantas personagens.
Ele familiarizou-se cedinho com a língua portuguesa, conheceu palavras e expressões que não usamos no dia a dia e leu também muitas imagens. Foi aprendendo a variação da entonação, a diferença entre narrador e personagem e até a ideia de conflito. Obteve informações e desenvolveu a memória, a empatia, entre outras competências. Hoje, ele já sabe até dizer quando não gosta de um livro, mas ainda tem dificuldade de escolher apenas um preferido (eu entendo, também a tenho).
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- Título Original: A viagem do elefante
- Gênero do Livro: Conto
- Editora: Companhia das Letras
- Ano de Publicação: 2017
- Número de Páginas: 260
Sinopse: A viagem do elefante , primeiro livro de José Saramago depois do relato autobiográfico Pequenas memórias (2006), é uma ideia que ele elaborava há mais de dez anos, desde que, numa viagem a Salzburgo, na Áustria, entrou por acaso num restaurante chamado O Elefante. Com sua finíssima ironia e muito humor, sua prosa que destila poesia, Saramago reconstrói essa epopeia de fundo histórico e dela se vale para fazer considerações sobre a natureza humana e, também, elefantina. Impelido a cruzar meia Europa por conta dos caprichos de um rei e de um arquiduque, Salomão não decepcionou as cabeças coroadas. Prova de que, remata o autor, sempre se chega aonde se tem de chegar.
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Sempre termino a leitura de um livro de José Saramago com a impressão de que alguma coisa mudou em mim e com o sentimento quase infantil de que posso criar histórias tão inspiradoras como ele fez.
Em A viagem do elefante, o autor não decepciona. Vejo ali seu estilo de escrita, que o distingue dos outros escritores e que, por vezes, assusta os leitores; vejo também a ironia e a crítica social que encontrei em todas as outras obras suas que já conheci. Há, porém, algum aspecto que diferencia essa das outras histórias e que não sei apontar com certeza.
Nesse seu penúltimo romance, publicado em Portugal dois anos antes de seu falecimento, Saramago transformou um fato histórico do século XVI, do qual não se conhecem tantos detalhes, em uma fábula cheia de humor, ironia e reflexão.
O personagem central é Salomão, um elefante indiano com o qual D. João III, rei de Portugal, e a rainha Catarina, sua esposa, presentearam o arquiduque Maximiliano II da Áustria. Salomão já não era uma novidade por aquelas bandas e naquele momento vivia isolado em um cercado, na companhia de seu cornaca (tratador) Subhro. A ideia do presente então surgiu como solução para o problema de manter ali um animal imenso, que já não causava curiosidade e que consumia forragem e água aos montes.
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Tem horas que você quer ser
sozinha,
você e os pensamentos,
você e a imaginação,
trancada no quarto,
alinhavando suas palavras.
Tem horas que cansa.
A nostalgia pede
alguém que pergunte
você tá bem
e queira saber de verdade
e não precise de explicação
e vá entender
e dar razão
mesmo que seja bobagem.
Você tem saudade
de alguém que conheça
você,
que preze estar
do seu lado,
que não viva sempre
com pressa,
que tenha vaga
no calendário,
que olhe pra você
quando você fala.
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