23 de outubro de 2026

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Ainda há esperança

Escrevo em outubro de 2026, a dois dias do segundo turno das eleições presidenciais. Daqui a pouco mais de quarenta e oito horas, saberemos quem será o presidente do Brasil no período de 2027 a 2030.

Estou exausta desta campanha eleitoral, em especial dessas últimas três semanas, como a maior parte da população, e confesso que não estou confiante sobre qual será o resultado, mas mantenho a esperança.

Entre os anos de 2019 e 2022, escrevi várias vezes neste mesmo espaço sobre o meu sentimento em relação à situação do país, sob o comando de um governo federal que agiu com descaso diante de uma pandemia (vide a demora na compra das vacinas, o incentivo à aglomeração e o deboche com que o presidente se referiu a pessoas ser ar, só para dar alguns exemplos). Não apenas isso. Aquele foi um governo abertamente contrário às minorias, cujo discurso sempre incitou o ódio contra quem não o apoiava – os(as) jornalistas que o digam. Ainda tem mais: cortes nos recursos para a educação, extinção do ministério da cultura e alta inflação (quem não se lembra da fila do osso?).

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04 de setembro de 2026

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Descobrindo novelhas

Foto: Memória Globo.

Como muita gente no Brasil, cresci na frente da televisão. As telenovelas fizeram/fazem parte da minha vida e foram minha primeira inspiração para criar histórias.

Mas, em boa parte da minha infância, não pude assistir às novelas da Globo. Assistia apenas às novelas do SBT (a trilogia das Marias, Carrossel, Chiquititas e por aí vai),

Talvez por nostalgia, hoje prefiro as mais antigas, especialmente as da década de 1990. Gosto de observar os costumes, a moda, os padrões de beleza, os carros da época e tento avaliar os acontecimentos com os olhos daquele tempo. Há nessas obras situações que seriam inaceitáveis nos dias de hoje, como a normalização da violência contra a mulher.

No último semestre, maratonei três novelas daquela década que não têm o reconhecimento que merecem.

Fiquei viciada nelas e em suas trilhas sonoras, que até agora escuto de vez em quando.

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11 de agosto de 2026

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A magia de aprender

Tem coisa mais incrível do que ver uma criança aprender?

Comecei a ler para o meu filho ainda na minha barriga, mas foi com mais ou menos três meses que tornei essa prática uma rotina. Todo dia, antes de dormir lemos um livro (às vezes dois). E ai de mim se tentar furar o compromisso. Já tive que ser substituída nessa tarefa, mas a leitura da noite nunca pode faltar.

Com isso, vivemos um tantão de histórias. Acompanhamos as peripécias da Clara Luz e da Serafina, vimos sumir o medo do Gildo e da Chapeuzinho Amarelo, rimos dos causos do Bichinho da Maçã, torcemos pela vingança da Pequena Toupeira, nos divertimos com e nos compadecemos do Leocádio, tivemos pena da Árvore Generosa e da Lúcia-Já-Vou-Indo, acreditamos no Grúfalo e no Urso Esfomeado, viajamos com o Papagaio-de-Cara-Roxa, sofremos com o destino do Papagaio Reginaldo, choramos com o Ernesto, aprendemos sobre liberdade com o Monstro Rosa e sobre diálogo com o Monstro Azul e estivemos com outras tantas personagens.

Ele familiarizou-se cedinho com a língua portuguesa, conheceu palavras e expressões que não usamos no dia a dia e leu também muitas imagens. Foi aprendendo a variação da entonação, a diferença entre narrador e personagem e até a ideia de conflito. Obteve informações e desenvolveu a memória, a empatia, entre outras competências. Hoje, ele já sabe até dizer quando não gosta de um livro, mas ainda tem dificuldade de escolher apenas um preferido (eu entendo, também a tenho).

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02 de julho de 2026

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Jardim

enterrei sementes
plantei mudas
aguei suas raízes
adubei
podei
arranquei o mato à volta
persegui as pragas
acariciei o tronco
cortei as folhas secas

um par de plantas ressecaram
pereceram
viraram alvo das formigas
outras tantas espicharam
deram flores
pariram frutos
ofereceram sombra
como refresco no calor do dia

eu
porém
só evoco
a rosa vermelha
vagarosa
tímida
que rompeu
esplendorosa
numa manhã fria
e nem bem registrei
sua presença
murchou
caiu do pé
desfalecida

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