18 de agosto de 2020

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Chapeuzinhos de várias cores

Releituras de Chapeuzinho Vermelho

Semanas atrás, apresentei aqui minha opinião sobre o livro O fantástico mistério de Feiurinha, de Pedro Bandeira, que faz referência a diversos contos de fadas.

Naquela obra, Chapeuzinho Vermelho é retratada como uma mulher solteira desesperada para se casar, queixando-se por não ter a mesma sorte da Branca de Neve, da Rapunzel, da Bela Adormecida e de outras princesas, todas casadas com príncipes encantados.

A história de Chapeuzinho Vermelho foi contada e recontada de inúmeras formas. Hoje apresento aqui duas releituras que considero criativas e recomendadas para leitores de qualquer idade, mas antes sintetizo duas versões tradicionais daquele conto de fadas.

No meu entendimento, só podemos compreender as referências presentes nas adaptações se conhecemos as versões originais, mesmo que pareçam assustadoras ou politicamente incorretas.

Para quem se interessa pelo tema tratado aqui, recomendo uma série de vídeos exibidos no canal A Cigarra e a Formiga no YouTube, com explicações sobre a origem dos contos de fadas, dicas de leitura e apresentação de autores que se dedicaram a registrar esses contos.

No primeiro vídeo, por exemplo, Daisy Carias (que comanda o canal) esclarece que os contos de fadas não eram feitos para crianças; eram histórias da tradição oral passadas de uma geração para a outra e contadas em rodas de conversa, nas quais havia ouvintes de todas as idades.

1. Chapeuzinho Vermelho

No livro Contos de Fadas, publicado pela Editora Zahar (2010), há duas versões do famoso conto: a de Charles Perrault (de 1697) e a dos irmãos Grimm (de 1812).

Ambos os textos ensinam que não se deve confiar em estranhos ou em quem parece bonzinho e mostram Chapeuzinho Vermelho e a avó sendo devoradas pelo lobo mau. A diferença significativa é que, na versão de Jacob e Wilhelm Grimm, a mais recente das duas, a vovó e a netinha recebem uma segunda chance quando um caçador as resgata da barriga do lobo. E, com isso, Chapeuzinho aprende a lição.

Chapeuzinho Vermelho disse consigo: ‘Nunca se desvie do caminho e nunca entre na mata quando sua mãe proibir’ (p. 151).

Nesse conto escrito pelos irmãos Grimm, há ainda a narração do encontro da Chapeuzinho com outro lobo mau e da artimanha da avó para salvar a neta.

2. Chapeuzinho Amarelo

A Chapeuzinho dessa história, escrita por Chico Buarque e ilustrada por Ziraldo (Yellowfante, 2020), tem medo de tudo, tanto que é “Amarelada de medo” (p. 5). Bem diferente da Chapeuzinho Vermelho, seu maior temor é o lobo, um lobo que ela nunca viu realmente.

E de todos os medos que tinha,
o medo mais medonho
era o medo do tal do LOBO (p. 10).

Muita gente já deve ter passado por algo assim: temer algo que nem sabe se existe, evitar as situações só para não encarar o medo. Porém a Chapeuzinho Amarelo é mais esperta que a Vermelho e lidará de outra forma ao encontrar o lobo (ou seu medo medonho).

A história é divertida, repleta de rima e jogo de palavras. E é quase certo que as crianças apreciem a leitura (eu, que já não sou uma delas, sempre me encanto quando leio essa obra).

3. Chapeuzinhos Coloridos

Na apresentação de Chapeuzinhos Coloridos, escrito por José Roberto e Marcus Aurelius Pimenta e ilustrado por Marilia Pirillo (Companhia das Letrinhas, 2017), relembra-se a história de Chapeuzinho Vermelho (a versão dos irmãos Grimm) e se esclarece que as histórias que virão em seguida são de outras Chapeuzinhos: Azul, Verde, Branco, Lilás, Cor de Abóbora e Preto.

Nas seis histórias do livro, o início é semelhante ao do conto da Chapeuzinho Vermelho: as meninas saem para entregar algo para a avó e encontram o lobo no meio do caminho, mas o desfecho de cada uma delas é diferente, como são distintos os desejos e as personalidades das Chapeuzinhos, das avós e até dos lobos.

‘Ah, como é dura a vida de um lobo solitário… Estou tão sozinho que, só para passar o tempo, sou capaz de comer a avó dessa menina, a menina e os suspiros de sobremesa’ (p. 30).

Há Chapeuzinho que adora comer, outra que gosta de dinheiro, outra que sonha em ser famosa etc. Há inclusive lobo mau com crise de consciência e vovó e netinha mais malandras que o lobo. Os autores brincam com a moral da história, que, na maioria dos casos, nem são lições de verdade; são apenas conclusões engraçadas às quais se chega ao final das histórias.


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Quem quiser conhecer as obras citadas aqui pode clicar nos links a seguir:

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