13 de fevereiro de 2025

2 Comentários

Rótulo

Sou feita de amor,
queria eu acabar aqui.
Ponto final.
Sou receita de um ingrediente só.
Porém minha embalagem
informa:
contenho alto teor
de medo,
alto teor
de raiva,
alto teor.
Sou feita de um barulho
que não consigo calar,
um barulho
que ecoa no poço
sem fundo
do meu pensamento.
Sou feita de culpa,
de um arrependimento
de coisa
que nem sei
e me ataca
a barriga
numa pontada quente.
Continue lendo
21 de janeiro de 2025

0 Comentários

Você se sente pertencente?

Ser parte de um grupo é uma necessidade inata do seres humanos. Segundo artigo de Julia Estanislau (2023), publicado no Portal de Divulgação Científica do Instituto de Psicologia da Universidade de São Paulo (IPUSP), esse sentimento tem relação com reconhecimento: uma pessoa vê-se pertencente a um grupo ou a uma comunidade quando cria um laço com os outros integrantes, sente-se acolhida e respeitada em sua individualidade.

Para Dionei Mathias (2023), no artigo Pertencimento: discussão teórica, o desejo de pertencimento se inicia na relação entre mãe e bebê, na busca do novo sujeito pela confirmação do afeto materno. Depois se reproduz, de maneiras diferentes, nas demais interações sociais que o sujeito terá ao longo de sua vida.

Já a exclusão social, que é o oposto do pertencimento, ainda conforme o autor, ocorre quando o indivíduo não atende aos requisitos determinados pelos grupos dominantes (por exemplo, os populares ou, na atualidade, os influenciadores), aqueles que conseguem concentrar a atenção e definir o que tem ou não relevância. Quem se enquadra nessas regras detém maiores chances de se sentir pertencente.

Continue lendo
12 de janeiro de 2025

0 Comentários

[Resenha] Flores para Algernon

De Daniel Keyes

  • Título Original: Flowers for Algernon
  • Gênero do Livro: Romance de ficção científica
  • Editora: Aleph
  • Ano de Publicação: 2018
  • Número de Páginas: 288
Sinopse: Com excesso de erros no início do romance, os relatos de Charlie revelam sua condição limitada, consequência de uma grave deficiência intelectual, que ao menos o mantém protegido dentro de um “mundo” particular – indiferente às gozações dos colegas de trabalho e intocado por tragédias familiares. Porém, ao participar de uma cirurgia revolucionária que aumenta o seu QI, ele não apenas se torna mais inteligente que os próprios médicos que o operaram, como também vira testemunha de uma nova realidade: ácida, crua e problemática. Se o conhecimento é uma benção, Daniel Keyes constrói um personagem complexo e intrigante, que questiona essa sorte e reflete sobre suas relações sociais e a própria existência. E tudo isso ao lado de Algernon, seu rato de estimação e a primeira cobaia bem-sucedida no processo cirúrgico.
Comprar na Amazon

Por que estou sempre olhando pra vida por trás de uma janela? (p. 272).

Flores para Algernon é um romance de ficção científica de autoria de Daniel Keyes, publicado pela primeira vez em 1966. Já foi adaptado para o rádio, o cinema, o teatro e a televisão. Entre essas adaptações, encontram-se o filme americano Charly (Os dois mundos de Charly, em português), de 1968, e o filme francês Des fleurs pour Algernon, de 2006.

O narrador da história, Charlie Gordon, tem 32 anos e um quociente de inteligência (QI) de 68 pontos, considerado baixo. Charlie é enviado a uma instituição que recebe jovens e adultos com deficiência intelectual: pessoas cujas famílias as tratam como incapazes de manter uma boa relação com a sociedade e viver com independência. Seu tio, porém, o tira do asilo e consegue para ele um emprego na padaria de um amigo, onde Charlie trabalha desde a adolescência, em serviços de limpeza e carregamento.

Mas Charlie deseja aprender, ser inteligente e descobrir o que ocorreu com sua família (seu pai, sua mãe e sua irmã). Então se matricula em um curso para adultos “retardados”, cuja professora o indica para um experimento científico da universidade.

O estudo, que tem início com um rato, o Algernon, envolve uma operação no cérebro de Charlie e diversas sessões de testes e de terapia para avaliar seu crescimento intelectual e as variações no aspecto emocional. O psiquiatra que integra o grupo de pesquisa alerta Charlie, embora Charlie não compreenda o aviso naquele momento, que ele terá maior necessidade de participar da terapia à medida que o seu QI aumentar.

Continue lendo
11 de dezembro de 2024

2 Comentários

Temas difíceis

Um dia desses, ao final de nossa leitura diária, meu filho Joaquim começou a chorar. O livro escolhido naquela noite termina com a morte da avó do narrador, apresentada de maneira sutil.

Joaquim tem os quatro avós vivos e nunca perdeu uma pessoa querida. Mesmo assim, se sentiu tocado com a perda do personagem da história. Suponho que, de seu jeito, ele imaginou o quão doloroso aquele episódio foi para o personagem (tomando-o aqui como uma pessoa real) ou como ele próprio se sentiria em sua pele.

Ao entrarmos em contato com a história de outra pessoa (seja uma pessoa de verdade ou uma personagem ficcional), conhecemos uma realidade que pode nos emocionar, ainda que não tenha nada em comum com a nossa.

Por isso, defendo que as crianças conheçam diferentes histórias desde sempre, mesmo aquelas carregadas de temas difíceis.

Continue lendo

1 2 3 4 58
© 2026 Histórias em MimDesenvolvido com por