"10" Post(s) encontrado(s) na categoria: Resenhas

19 de outubro de 2019

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[Resenha] O peso do pássaro morto

Por Aline Bei

Capa do livro O peso do pássaro morto

O peso do pássaro morto, primeiro romance de Aline Bei, é um livro tocante. É mais uma estreia impressionante a ser acrescentada a outras de que já falei aqui. […] no tempo da minha/ memória/ somos pra sempre. não existe morrer dentro, é como uma canção./ as canções não morrem nunca porque elas moram dentro das pessoas que/ gostam delas. […]

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01 de outubro de 2019

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[Resenha] Uma noite, Markovitch

Por Ayelet Gundar-Goshen

Iaakov Markovitch não era feio. Que não se conclua disso que era bonito. Garotinhas não desatavam a chorar por causa de seu aspecto, tampouco sorriam ao ver seu rosto. Ele era, seria possível dizer, um glorioso meio-termo (p. 11). Esse é o romance de estreia de Ayelet Gundar-Goshen, escritora israelense que também é psicóloga e roteirista. Que forma de começar! O livro lhe rendeu um prêmio literário em Israel, o Prêmio Sapir, pelo melhor romance de estreia de 2012, e foi traduzido para catorze idiomas.

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10 de setembro de 2019

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[Resenha] Como conversar com um fascista

Por Marcia Tiburi

[…] cada um é engrenagem da grande máquina de produzir fascistas alimentada com o combustível do ódio. Parar essa engrenagem só será possível para aquele que aprender que outro mundo, além da emoção perversa que tantos têm como o estado de coisas odiento, é possível (p. 34). Publicado em 2015, Como conversar com um fascista analisa o autoritarismo crescente naquela época, mas se encaixa perfeitamente como retrato do Brasil de 2019. Na primeira página do meu exemplar lê-se “07/01/2016”, a data em que o comprei, quando comecei a suspeitar que precisava aprender a conversar com pessoas que não aceitam outros pontos de vista ou outras formas de levar a vida.

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13 de agosto de 2019

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[Resenha] À sombra desta mangueira

Por Paulo Freire

A libertação é possibilidade; não sina, nem destino, nem fado” (p. 50). Hoje trago um livro de um dos autores brasileiros mais conhecidos no mundo e um dos maiores educadores de todos os tempos; um homem repudiado em seu próprio país, o país que ele tanto amava e queria ver transformado. Publicado pela primeira vez em 1995, À sombra desta mangueira talvez seja um livro pouco conhecido de Paulo Freire, em que o autor discute de forma bastante pessoal temas como educação, política, avanço da tecnologia e exílio; faz críticas à esquerda e aos antigos progressistas. Paulo Freire nasceu no Recife, Pernambuco, em 1921 e, ainda na infância, viu crescer em si mesmo a vontade de melhorar a educação do povo, de tornar a sociedade menos desigual e mais justa.

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23 de julho de 2019

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[Resenha] O matador

Por Wander Piroli

Naquele tempo havia muitos quintais e lotes vagos. E era tudo arborizado, tanto em nossa rua como em todo o bairro (p. 2-3). Esse foi o primeiro livro que li para o Joaquim, quando ele ainda era parte de mim. Não sei se ele escutou minha voz ao ler a história. Só sei que me emocionei ao lê-la — tanto pelas circunstâncias da leitura, quanto pela história em si (e não era a primeira vez que eu lia o livro para mim mesma). Publicado pela primeira vez em 2008, dois anos após a morte do autor, O matador foi ilustrado por Odilon Moraes, que usou desenhos que, à primeira vista, parecem simples, sem cor. Mas, quando se conhece a história, percebe-se a intenção do ilustrador. As imagens, em tons esverdeados, ganham cor forte apenas em dois momentos, avivando o sentimento que nos causam as palavras inscritas naquelas páginas.

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09 de janeiro de 2019

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[Resenha] Finuras

Por Ana Luiza Barreto

Ainda que a gente tente escapar, não há conserto A poesia nos habita, é nossa natureza (trecho de “Minha natureza”, p. 28). Para começar o ano por aqui, um lindo trabalho lançado no final do ano passado, uma novidade que veio contrastar com os acontecimentos tenebrosos do último trimestre de 2018. Este é o primeiro livro de Ana Luiza Barreto, uma poeta baiana que tenho orgulho de apresentar como minha amiga e companheira de trabalho, de vida, de sonhos; que sabe combinar tão bem as palavras que consegue emocionar até mesmo com uma mensagem de celular.

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19 de dezembro de 2018

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[Resenha] As doze tribos de Hattie

Por Ayana Mathis

E se Hattie não conseguisse amar mais um filho? Talvez tenhamos uma quantidade finita de amor para dar. Nascemos com a nossa porção, e ela se esgota se amamos e não somos amados o suficiente (p. 89). Esta é a tocante história de uma mãe lutando, de uma forma particular, para conduzir sua numerosa família e superar as adversidades. Primeiro romance de Ayana Mathis, publicado originalmente nos Estados Unidos, em 2012, As doze tribos de Hattie rapidamente se tornou um best-seller por lá e foi incluído na lista de livros do clube de leitura da Oprah Winfrey. O livro conta a história de Hattie, seu marido, seus onze filhos (dentre eles, um casal de gêmeos que morrem ainda bebês) e sua neta. Ela, uma mulher que, no início da década de 1920, se casa com um homem que não atende a suas expectativas, vê seus sonhos de uma vida melhor […]

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13 de novembro de 2018

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[Resenha] A valente princesa Valéria

Por João Paulo Vaz

Ora, uma das coisas que princesas corajosas fazem é salvar príncipes aprisionados (p. 9). Hoje trago mais um livro juvenil que diverte, mas também toca em assuntos importantes. Classificado em segundo lugar na categoria juvenil do Concurso Cepe de Literatura Infantil e Juvenil/2011, organizado pela Companhia Editora de Pernambuco (Cepe), este foi o quinto livro de João Paulo Vaz (o segundo voltado a crianças e jovens). As ilustrações ficaram a cargo de Laerte Silvino.

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01 de outubro de 2018

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[Resenha] O alforje

Por Bahiyyih Nakhjavani

No breve momento que antecede a morte, ele entendeu que, se conseguisse pelo menos apreender o sentido daquelas palavras que o chamavam, seria sempre livre (p. 45). Para retomar a tendência de histórias fortes, o livro de hoje também desnuda a essência humana, mas foge da cultura ocidental e explora o mundo islâmico.  O alforje, publicado originalmente em inglês, em 2000, foi o primeiro romance de Bahiyyih Nakhjavani, escritora iraniana que, mesmo criada fora do Irã, escreve obras inspiradas na cultura de seu país natal. Outros romances da autora são: Us&Them (2017), The Woman Who Read Too Much (2015) e Paper (2005), nenhum deles traduzido para o português. O livro conta uma história pela perspectiva de nove personagens diferentes que se cruzam em algum momento ou encontram o misterioso alforje, enquanto uma caravana cruza o deserto entre Meca e Medina, levando um cadáver, uma noiva ao encontro do futuro marido […]

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17 de setembro de 2018

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[Resenha] Só garotos

Por Patti Smith

Não satisfeita com minha oração infantil, logo pedi a minha mãe que me deixasse fazer minha própria reza (p. 15). Dando uma pausa nos textos ficcionais, o livro de hoje narra uma história real que trata do amor e da amizade entre duas pessoas que se encontraram por acaso e, em parceria, amadureceram e desenvolveram seus talentos.  Só garotos, publicado originalmente em 2010, é uma autobiografia que Patti Smith escreveu em cumprimento a uma promessa feita ao fotógrafo Robert Mapplethorpe, com quem viveu por anos em Nova Iorque. Além deste livro, Patti Smith narrou suas memórias em Woolgathering (1992), Linha M (2015) e Devoção (2017). Talvez Só garotos não seja uma autobiografia no sentido tradicional, mas um livro de memórias sobre um amor-amizade e o amadurecimento de dois artistas. Nele, Patti Smith descreve como conheceu Robert e como os dois passaram de uma relação amorosa a uma forte amizade.

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