"10" Post(s) encontrado(s) na categoria: Resenhas

09 de janeiro de 2019

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Finuras

Por Ana Luiza Barreto

Ainda que a gente tente escapar, não há conserto A poesia nos habita, é nossa natureza (trecho de “Minha natureza”, p. 28). Para começar o ano por aqui, um lindo trabalho lançado no final do ano passado, uma novidade que veio contrastar com os acontecimentos tenebrosos do último trimestre de 2018. Este é o primeiro livro de Ana Luiza Barreto, uma poeta baiana que tenho orgulho de apresentar como minha amiga e companheira de trabalho, de vida, de sonhos; que sabe combinar tão bem as palavras que consegue emocionar até mesmo com uma mensagem de celular.

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19 de dezembro de 2018

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As doze tribos de Hattie

Por Ayana Mathis

E se Hattie não conseguisse amar mais um filho? Talvez tenhamos uma quantidade finita de amor para dar. Nascemos com a nossa porção, e ela se esgota se amamos e não somos amados o suficiente (p. 89). Esta é a tocante história de uma mãe lutando, de uma forma particular, para conduzir sua numerosa família e superar as adversidades. Primeiro romance de Ayana Mathis, publicado originalmente nos Estados Unidos, em 2012, As doze tribos de Hattie rapidamente se tornou um best-seller por lá e foi incluído na lista de livros do clube de leitura da Oprah Winfrey. O livro conta a história de Hattie, seu marido, seus onze filhos (dentre eles, um casal de gêmeos que morrem ainda bebês) e sua neta. Ela, uma mulher que, no início da década de 1920, se casa com um homem que não atende a suas expectativas, vê seus sonhos de uma vida melhor […]

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13 de novembro de 2018

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A valente princesa Valéria

Por João Paulo Vaz

Ora, uma das coisas que princesas corajosas fazem é salvar príncipes aprisionados (p. 9). Hoje trago mais um livro juvenil que diverte, mas também toca em assuntos importantes. Classificado em segundo lugar na categoria juvenil do Concurso Cepe de Literatura Infantil e Juvenil/2011, organizado pela Companhia Editora de Pernambuco (Cepe), este foi o quinto livro de João Paulo Vaz (o segundo voltado a crianças e jovens). As ilustrações ficaram a cargo de Laerte Silvino.

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01 de outubro de 2018

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O alforje

Por Bahiyyih Nakhjavani

No breve momento que antecede a morte, ele entendeu que, se conseguisse pelo menos apreender o sentido daquelas palavras que o chamavam, seria sempre livre (p. 45). Para retomar a tendência de histórias fortes, o livro de hoje também desnuda a essência humana, mas foge da cultura ocidental e explora o mundo islâmico.  O alforje, publicado originalmente em inglês, em 2000, foi o primeiro romance de Bahiyyih Nakhjavani, escritora iraniana que, mesmo criada fora do Irã, escreve obras inspiradas na cultura de seu país natal. Outros romances da autora são: Us&Them (2017), The Woman Who Read Too Much (2015) e Paper (2005), nenhum deles traduzido para o português. O livro conta uma história pela perspectiva de nove personagens diferentes que se cruzam em algum momento ou encontram o misterioso alforje, enquanto uma caravana cruza o deserto entre Meca e Medina, levando um cadáver, uma noiva ao encontro do futuro marido […]

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17 de setembro de 2018

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Só garotos

Por Patti Smith

Não satisfeita com minha oração infantil, logo pedi a minha mãe que me deixasse fazer minha própria reza (p. 15). Dando uma pausa nos textos ficcionais, o livro de hoje narra uma história real que trata do amor e da amizade entre duas pessoas que se encontraram por acaso e, em parceria, amadureceram e desenvolveram seus talentos.  Só garotos, publicado originalmente em 2010, é uma autobiografia que Patti Smith escreveu em cumprimento a uma promessa feita ao fotógrafo Robert Mapplethorpe, com quem viveu por anos em Nova Iorque. Além deste livro, Patti Smith narrou suas memórias em Woolgathering (1992), Linha M (2015) e Devoção (2017). Talvez Só garotos não seja uma autobiografia no sentido tradicional, mas um livro de memórias sobre um amor-amizade e o amadurecimento de dois artistas. Nele, Patti Smith descreve como conheceu Robert e como os dois passaram de uma relação amorosa a uma forte amizade.

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03 de setembro de 2018

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A rainha do Norte

Por Joana Estrela

Ser estrangeiro não é fácil, mesmo quando se é uma rainha (p. 10). Este é um livro que diz muito, sem explicitar uma única vez o tema que aborda. É uma forma delicada de tratar um assunto tão em voga mas tão difícil de ser discutido. Terceiro livro de Joana Estrela, escritora e ilustradora portuguesa, A rainha do Norte é uma obra para crianças e jovens publicada originalmente em Portugal, em 2017, pela editora Planeta Tangerina. Os primeiros livros da autora foram Propaganda (2014) e Mana (2016). Antiga criada, vinda de um país distante, a rainha casou-se com um rei bem diferente dela e foi morar entre pessoas também diferentes, em um lugar totalmente estranho, onde nem a comida se parecia com a que ela estava acostumada a comer. Ser estrangeiro não é fácil, como dizem a sinopse e uma passagem do livro, e podemos demorar a nos adaptar a outra […]

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22 de agosto de 2018

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O retrato de Dorian Gray

Por Oscar Wilde

O artista é o criador de coisas belas. Revelar a arte e ocultar o artista é a finalidade da arte (p. 5). Hoje vamos falar sobre um clássico polêmico (como todo bom clássico), que, mesmo com o passar do tempo, não pode ser considerado ultrapassado. As reflexões que suscita são tão atuais como o eram no momento de sua produção. Único romance de Oscar Wilde, O retrato de Dorian Gray teve sua primeira edição em livro em 1891, mas já havia sido publicado pela revista britânica Lippincott’s Monthly Magazine, com a supressão de palavras do original. Mesmo com essa censura, o texto foi considerado imoral, e, em resposta, Wilde escreveu um prefácio no qual defende: Não existe livro moral ou imoral. Livros são bem escritos ou mal escritos. Isso é tudo (p. 5). Se, por um lado, o romance alçou Wilde ao sucesso, também o colocou no centro de severas […]

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11 de agosto de 2018

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Úrsula

Por Maria Firmina dos Reis

É horrível lembrar que criaturas humanas tratem a seus semelhantes assim e que não lhes doa a consciência de levá-los à sepultura asfixiados e famintos! (p. 103). Dedico a resenha de hoje a quem sonha com a liberdade e a igualdade entre os seres humanos, não importando sua cor, seu gênero e seu lugar de origem. Maria Firmina dos Reis, maranhense, negra e autodidata, publicou Úrsula em 1859 sob o pseudônimo “uma maranhense”. No prólogo, apresentou o livro como “mesquinho e humilde”, que “passará entre o indiferentismo glacial de uns e o sorriso mofador de outros” (p. 25), desculpando-se por seu atrevimento em escrever. E acrescentou: Sei que pouco vale este romance, porque escrito por uma mulher, e mulher brasileira, de educação acanhada e sem o trato e conversação dos homens ilustrados […] (p. 25).

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07 de agosto de 2018

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No seu pescoço

Por Chimamanda Ngozi Adichie

Aquilo que se enroscava ao redor do seu pescoço, que quase sufocava você antes de dormir, começou a afrouxar, a se soltar (p. 136). Hoje o livro é de uma escritora que vem conquistando reconhecimento cada vez maior em todo o mundo. Com doze histórias que tratam principalmente de imigração, choque de culturas e preconceito, No seu pescoço é o primeiro livro de contos de Chimamanda Ngozi Adichie, jovem autora nigeriana cujos trabalhos já foram traduzidos para mais de trinta idiomas. Além desse livro, Chimamanda publicou os romances Meio sol amarelo, Hibisco roxo e Americanah e os ensaios Sejamos todos feministas e Para educar crianças feministas. Nos contos de No seu pescoço, vemos personagens descobrindo a empatia, tomando decisões pela primeira vez, conhecendo diferenças culturais, mergulhando na nostalgia, desfazendo seus preconceitos e suas expectativas, agindo sob o controle do ciúme, sendo julgados por sua nacionalidade ou religião. Mas aqui destaco […]

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27 de julho de 2018

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Anjo de rua

Por Manoel Constantino

Nesses meses, eu achava que amava meu pai, achava minha mãe forte e bonita e os meus irmãos super-heróis. Hoje trago mais um livro para jovens, mas aqui não vemos fantasia e aventura; vemos a vida real de crianças em situação de rua em uma capital brasileira.  Vencedor do Concurso Cepe de Literatura Infantil e Juvenil/2010, organizado pela Companhia Editora de Pernambuco (Cepe), este é o primeiro livro para jovens de Manoel Constantino, que também é jornalista, ator, diretor e produtor de cinema e de teatro. Já as ilustrações tão realistas foram feitas por Roberto Ploeg, artista plástico holandês que vive no Brasil desde 1979. A história é narrada em primeira pessoa por Careca, um menino de quatorze anos que fugiu de casa aos nove, cansado do tratamento que o pai destinava à esposa e aos filhos quando chegava bêbado a casa; cansado de apanhar dos pais.

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