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25 de abril de 2020

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[Resenha] A casa dos espíritos

Por Isabel Allende

  • Título Original: La casa de los espíritus
  • Gênero do Livro: Romance
  • Editora: Bertrand Brasil
  • Ano de Publicação: 2019
  • Número de Páginas: 446
Sinopse: O maior sucesso de Isabel Allende, A casa dos espíritos é tanto uma emblemática saga familiar quanto um relato acerca de um período turbulento na história de um país latino-americano indefinido. Isabel Allende constrói um mundo conduzido pelos espíritos e o enche de habitantes expressivos e muito humanos, incluindo Esteban, o patriarca, um homem volátil e orgulhoso, cujo desejo por terra é lendário e que vive assombrado pela paixão tirânica que sente pela esposa que nunca pode ter por completo; Clara, a matriarca, evasiva e misteriosa, que prevê a tragédia familiar e molda o destino da casa e dos Trueba; Blanca, sua filha, de fala suave, mas rebelde, cujo amor chocante pelo filho do capataz de seu pai alimenta o eterno desprezo de Esteban, mesmo quando resulta na neta que ele tanto adora; e Alba, o fruto do amor proibido de Blanca, uma mulher ardente, obstinada e dotada de luminosa beleza. As paixões, lutas e segredos da família Trueba abrangem três gerações e um século de transformações violentas, que culminaram em uma crise que levam o patriarca e sua amada neta para lados opostos das barricadas. Em um pano de fundo de revolução e contrarrevolução, Isabel Allende traz à vida uma família cujos laços privados de amor e ódio são mais complexos e duradouros do que as lealdades políticas que os colocam uns contra os outros.
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Quando quase alcançara seu propósito, viu aparecer sua avó Clara, que tantas vezes havia invocado para ajudá-la a morrer, informando-a de que a graça não estava em morrer, porque isso aconteceria de qualquer maneira, mas, sim, em sobreviver, o que era um milagre (p. 427).

O trecho citado acima é um dos tantos que me emocionaram em A casa dos espíritos, fazendo-me querer conhecer mais obras de Isabel Allende, uma das representantes do realismo mágico, corrente literária que vem me atraindo cada vez mais de um tempo para cá.

A história atravessa a vida de uma família latino-americana, por gerações, e revela a capacidade humana de se transformar e de se redimir, além de nos mostrar que o ato de uma pessoa pode ter consequências graves na vida de tantas outras ao seu redor.

A mãe dessa família é Clara del Valle, que desde bem pequena vive cercada por espíritos, movendo objetos com o poder da mente e prevendo o futuro. Ela também tem o costume de registrar os acontecimentos em um caderno de anotar a vida.

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18 de abril de 2020

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[Resenha] O vento de Oalab

Por João Luiz Guimarães

  • Título Original: O vento de Oalab
  • Gênero do Livro: Novela
  • Editora: Edições SM
  • Ano de Publicação: 2016
  • Número de Páginas: 39
Sinopse: Um balão de pensamento vazio se desprende da página de uma história em quadrinhos e cria vida própria ao se dar conta de que é capaz de pensar. Impulsionado pela descoberta e feliz pela liberdade conquistada, aos poucos constrói sua identidade, refletindo sobre si mesmo e sobre as coisas do mundo, às quais ajuda a ter voz, expressados através dele. Nessa aventura fascinante, depara com questões existenciais de uma gema de ovo, meditações de uma goiaba insegura, o segredo ancestral do vento e as sutilezas da criação poética.
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[…] a palavra pensada é sempre livre para fazer o que bem entender dentro da cabeça da gente (p. 36).

Já imaginou quantos pensamentos pode ter um balão de pensamento de história em quadrinhos?

Em O vento de Oalab acompanhamos um balão de pensamento vazio que, ao ser deixado assim (incompleto) pelo desenhista, descobre que a ausência de pensamento não é dele e sim do personagem.

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10 de março de 2020

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[Resenha] Eu sei por que o pássaro canta na gaiola

Por Maya Angelou

  • Título Original: I Know Why the Caged Bird Sings
  • Gênero do Livro: Biografia
  • Editora: Astral Cultural
  • Ano de Publicação: 2018
  • Número de Páginas: 336
Sinopse: RACISMO. ABUSO. LIBERTAÇÃO. A vida de Marguerite Ann Johnson foi marcada por essas três palavras. A garota negra, criada no sul por sua avó paterna, carregou consigo um enorme fardo que foi aliviado apenas pela literatura e por tudo aquilo que ela pôde lhe trazer: conforto através das palavras. Dessa forma, Maya, como era carinhosamente chamada, escreve para exibir sua voz e libertar-se das grades que foram colocadas em sua vida. As lembranças dolorosas e as descobertas de Angelou estão contidas e eternizadas nas páginas desta obra densa e necessária, dando voz aos jovens que um dia foram, assim como ela, fadados a uma vida dura e cheia de preconceitos. Com uma escrita poética e poderosa, a obra toca, emociona e transforma profundamente o espírito e o pensamento de quem a lê.
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Li Eu sei por que o pássaro canta na gaiola quase todo dentro de um ônibus, indo ou voltando do trabalho. Ao final, Djamila Ribeiro me advertiu no posfácio que esse é um livro para ser apreciado “em doses, não é algo que se lê de uma vez” (p. 331). Ela tem razão, mas era tarde. Não consegui ler a obra devagar, apesar de sua densidade, e concluí a leitura em poucos dias, pois queria saber o que mais teria acontecido na vida de Marguerite Ann Johnson.

Então ele ficou quieto, e aí veio a parte boa. Ele me abraçou com tanto carinho que desejei que nunca me soltasse. Eu me senti em casa. Pelo jeito como ele estava me abraçando, soube que nunca me soltaria nem deixaria nada de ruim acontecer comigo. […] (p. 94).

A cada parágrafo que eu lia, sentia como se pudesse ver Marguerite em minha frente, falando ou vivendo a cena narrada, como se fôssemos amigas, e eu, sua confidente.

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29 de fevereiro de 2020

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[Resenha] Hibisco roxo

Por Chimamanda Ngozi Adichie

  • Título Original: Purple hibiscus
  • Gênero do Livro: Romance
  • Editora: Companhia das Letras
  • Ano de Publicação: 2011
  • Número de Páginas: 324
Sinopse: Protagonista e narradora de Hibisco roxo, a adolescente Kambili mostra como a religiosidade extremamente “branca” e católica de seu pai, Eugene, famoso industrial nigeriano, inferniza e destrói lentamente a vida de toda a família. O pavor de Eugene às tradições primitivas do povo nigeriano é tamanho que ele chega a rejeitar o pai, contador de histórias encantador, e a irmã, professora universitária esclarecida, temendo o inferno. Mas, apesar de sua clara violência e opressão, Eugene é benfeitor dos pobres e, estranhamente, apoia o jornal mais progressista do país. Durante uma temporada na casa de sua tia, Kambili acaba se apaixonando por um padre que é obrigado a deixar a Nigéria, por falta de segurança e de perspectiva de futuro. Enquanto narra as aventuras e desventuras de Kambili e de sua família, o romance também apresenta um retrato contundente e original da Nigéria atual, mostrando os remanescentes invasivos da colonização tanto no próprio país, como, certamente, também no resto do continente.
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Quão grande pode ser a influência de um pai ou uma mãe na forma como uma criança se portará e se relacionará com as outras pessoas? Foi essa a pergunta que me fiz do início ao fim da leitura de Hibisco roxo.

Meus primos riram, e Amaka olhou para Jaja e para mim, talvez achando estranho não rirmos também. Eu quis sorrir, mas estávamos passando na frente de casa bem naquele momento, e a visão dos enormes portões negros e dos muros brancos paralisou meus lábios (p. 91).

Hibisco roxo é um romance de Chimamanda Ngozi Adichie, que escreveu ainda os romances Meio sol amarelo (2008) e Americanah (2014), a coletânea de contos No seu pescoço (2017) — do qual já falei aqui — e os ensaios Sejamos todos feministas (2015), Para educar crianças feministas (2017) e O perigo de uma história única (2019).

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