"4" Post(s) arquivados na Tag: literatura brasileira

07 de julho de 2020

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[Resenha] Nó na garganta

Por Mirna Pinsky

  • Título Original: Nó na garganta
  • Gênero do Livro: Romance
  • Editora: Atual
  • Ano de Publicação: 2009
  • Número de Páginas: 88
Sinopse: Tânia tem 10 anos. Seus pais decidiram trocar a vida pobre e difícil da cidade grande por uma nova oportunidade no litoral, e ser caseiros na casa de dona Matilde. No novo ambiente, Tânia aprende e inventa novas brincadeiras, faz novos amigos e sofre muito preconceito pelo fato de ser negra. Ao mesmo tempo, vai nascendo dentro dela uma consciência até então desconhecida, uma vontade de mostrar às pessoas sua verdadeira personalidade.
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Aquela dor que sentia quando a chamavam de negra, daquele jeito, daquele jeito xingado, como se estivessem chamando ela de suja, de ladrona, de asquerosa, a amiga tinha percebido bem (p. 34).

Ganhei o livro Nó na garganta, meses atrás, de minha querida amiga Ana Luiza. Ana sabe o quanto aprecio textos literários destinados a crianças e jovens. Então preciso agradecer a ela a oportunidade de conhecer essa obra.

Com texto de Mirna Pinsky e ilustrações de Andréa Ramos, Nó na garganta conta a história de Tânia, uma menina negra de dez anos de idade que, como toda criança, quer se divertir, ter amigos, ser livre para fazer o que a deixa contente.

Tânia, porém, passa por aquela experiência cujos relatos continuamos a ver, aquela experiência dolorosa para quem a vive e vergonhosa para quem a provoca. Esse é um daqueles livros cuja atualidade, mesmo depois de 41 anos, não nos alegramos em constatar.

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23 de junho de 2020

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[Resenha] Encontros felizes

Por Mônica Moro Harger

  • Título Original: Encontros felizes
  • Gênero do Livro: Crônica
  • Editora: InVerso
  • Ano de Publicação: 2019
Sinopse: Em abril de 2018, entre as inúmeras mensagens compartilhadas no WhatsApp da minha saudosa turma de faculdade (lá se vão mais de 20 anos de formados), um texto se destacava: "Vá aos encontros felizes". Assim como meus amigos, me comovi e uma parte de mim se viu querendo pegar a estrada e ir ao encontro daqueles que amo. Porém, o texto não vinha assinado. Tive a gratificante curiosidade de ir atrás da autora, alma sensível que havia conseguido traduzir de forma simples e afetuosa a importância de celebrar a vida nos momentos felizes. Assim encontrei a Mônica. De lá pra cá, pude comprovar que não apenas me identificava com seus textos, com sua sensibilidade, como também me identificava com sua doçura e capacidade de falar ao meu coração. Ficamos amigas. Ela se tornou colunista do meu blog. Em maio de 2019 tivemos nosso tão aguardado "Encontro Feliz", quando ela pegou a estrada e veio me visitar. [...]
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Sim, há dias longos em que a vida pesa e soma tempo. E há dias leves, que nos conferem a juventude da alma.

Com um título que nos prepara para uma experiência prazerosa, Mônica Moro Harger nos convida a contemplar, como quem observa de fora, aqueles momentos que passam despercebidos no dia a dia. Ela nos faz reparar que, por vezes, subestimamos os pequenos acontecimentos.

Outra conclusão a que chegamos ao ler Encontros felizes é que a vida (a vida mais simples que exista) pode fornecer matéria abundante para o escritor ou a escritora.

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23 de maio de 2020

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[Resenha] Se deus me chamar não vou

Por Mariana Salomão Carrara

  • Título Original: Se deus me chamar não vou
  • Gênero do Livro: Romance
  • Editora: Nós
  • Ano de Publicação: 2019
  • Número de Páginas: 158
Sinopse: Quem vai te contar essa história é uma criança de 11 anos. O olhar fresco e bem humorado de quem ainda vê a vida como mistério está aqui, mas vá por mim: não subestime a solidão de Maria Carmem.
A aprendiz de escritora, enfrentando as angústias da “pior idade do universo”, irá te provar que é possível, sim, que uma menina seja mais solitária do que um velho. Ao menos uma menina que, como ela, cresce e cria suas perguntas entre os objetos de uma “loja de velhos”. Ali elas já nascem antigas, frescas e pesadas, doce feito da mais dura poesia. Maria Carmem nasceu no fim. Sendo assim, do que interessa a idade? Como ela mesma diz, “é possível que um lápis pareça estar novo, mas todo quebrado por dentro”.
É assim, toda quebrada por dentro, que ela desconstrói o mundo diante de si, o mundo adulto que cria regras e não as obedece, o mundo escolar, tudo: “na aula de matemática o problema dizia que um menino e uma menina precisavam calcular quantas laranjas levar ao parque se os convidados meninos comiam tantas e as meninas só mais tantas cada uma. [...]
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Acho que existem crianças mais solitárias que os velhos.

Imagine uma menina de onze anos, solitária, cheia de perguntas e ideias próprias sobre a vida e o futuro. Essa é a descrição de Maria Carmem, a narradora-protagonista de Se deus me chamar não vou.

Não pense, porém, que essa é uma obra para crianças. É uma obra para adultos narrada por uma criança e me fez recordar O olho mais azul, de Toni Morrison, embora os enredos dos dois livros não sejam semelhantes. Recordei este livro apenas pela escolha narrativa e pela possibilidade de refletir sobre o mundo pelos olhos de uma criança.

Se deus me chamar não vou também não é uma história relacionada a religião, como o título pode levar a supor, mas traz questionamentos da menina acerca da existência de Deus. É um texto fluido, que pode ser lido em pouco tempo.

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12 de maio de 2020

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[Resenha] A conta-gotas

Por Ana Carolina Carvalho

  • Título Original: A conta-gotas
  • Gênero do Livro: Romance
  • Editora: Edições SM
  • Ano de Publicação: 2015
  • Número de Páginas: 117
Sinopse: A conta-gotas, pacientemente, com persistência — foi desse modo que Olívia conheceu sua mãe. Ela tinha nove meses quando Laura fugiu de casa, deixando-a com o pai e a avó. Na família não se falava da figura materna, não havia uma fotografia, nenhum registro do passado, nada. Para desvendar esse segredo, Olívia teve de se virar, recolhendo vestígios nos lugares mais improváveis: nos cochichos da avó, na ruga do pai, no espelho do quarto, na antiga cadeira de balanço, na samambaia da varanda... Trata-se de uma narrativa tocante sobre o trauma do abandono e as tentativas de resgate da própria história, em meio aos temores, fantasias, dúvidas e conquistas típicos da adolescência.
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Foi desse modo que conheci minha mãe. Em mínimas doses, e não como qualquer criança conhece a sua. Ou, pelo menos, como eu pensava que mãe e filha deveriam se conhecer: em uma convivência diária, intensa (p. 9-10).

O trecho acima é o resumo de como Olívia, a narradora-protagonista de A conta-gotas, conhece sua mãe, que partiu quando a menina ainda era bebê, deixando-a aos cuidados do pai.

Durante sua infância e adolescência, Olívia mantém o desejo de conhecer a mãe, mas esse é assunto proibido em sua casa e na casa da avó e a menina não vê sequer uma foto da mãe.

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