
As palavras saíram,
desengasgaram a indignação
que me pesava o peito.
E o eco não veio,
aquele barulho alto ou mesmo um sussurro
que meus ouvidos ansiaram escutar.
Minha voz bateu num obstáculo qualquer
e voltou a gritar
dentro de mim.

As palavras saíram,
desengasgaram a indignação
que me pesava o peito.
E o eco não veio,
aquele barulho alto ou mesmo um sussurro
que meus ouvidos ansiaram escutar.
Minha voz bateu num obstáculo qualquer
e voltou a gritar
dentro de mim.

Recentemente li inúmeras notícias a respeito da sobrecarga de trabalho enfrentada pelas mulheres durante a pandemia. Não é novidade que as mulheres em geral se ocupam mais que os homens das tarefas domésticas e do cuidado da família, mas é provável que isso tenha se agravado neste período.
Essa situação resulta de um velho pensamento que relaciona as mulheres ao cuidado. Afinal, muitas pessoas (tanto homens quanto mulheres) acreditam que somos sensíveis, delicadas e maternais apenas por sermos mulheres.
Mas será mesmo que as mulheres nascem destinadas a realizar determinadas tarefas e os homens, a realizar outras? Será que homens e mulheres têm interesse inato por temas e atividades específicos?
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Dia 8 de março, anos atrás. Às cinco horas da tarde, entre flores e bombons, mensagens rosadas e abraços, descobri que era uma mulher incompleta. Mas ninguém tinha me avisado. Aliás, durante todo o dia eu havia sido parabenizada por ser mulher. Quase nenhum homem (ou mulher) havia passado por mim sem me aconselhar a ser feliz naquele dia. E nenhum deles teve a ideia de me dizer que me faltava um pedaço, que eu era uma semimulher — metade mulher, metade algo que não sei dizer o que é. Todos me deixaram passar o dia com a impressão de pertencer completamente à categoria feminina.
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Seja recatada.
Não saia por aí
aos gritos e risadas,
não xingue,
não fale alto,
cruze as pernas ao se sentar.