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18 de julho de 2018

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[Resenha] Olhos d’água

Por Conceição Evaristo

  • Título Original: Olhos d'água
  • Gênero do Livro: Conto
  • Editora: Pallas
  • Ano de Publicação: 2016
  • Número de Páginas: 116
Sinopse: Em Olhos d’água Conceição Evaristo ajusta o foco de seu interesse na população afro-brasileira abordando, sem meias palavras, a pobreza e a violência urbana que a acometem. Sem sentimentalismos, mas sempre incorporando a tessitura poética à ficção, seus contos apresentam uma significativa galeria de mulheres: Ana Davenga, a mendiga Duzu-Querença, Natalina, Luamanda, Cida, a menina Zaíta. Ou serão todas a mesma mulher, captada e recriada no caleidoscópio da literatura em variados instantâneos da vida? Elas diferem em idade e em conjunturas de experiências, mas compartilham da mesma vida de ferro, equilibrando-se na “frágil vara” que, lemos no conto “O Cooper de Cida”, é a “corda bamba do tempo”. Em Olhos d’água estão presentes mães, muitas mães. E também filhas, avós, amantes, homens e mulheres – todos evocados em seus vínculos e dilemas sociais, sexuais, existenciais, numa pluralidade e vulnerabilidade que constituem a humana condição. Sem quaisquer idealizações, são aqui recriadas com firmeza e talento as duras condições enfrentadas pela comunidade afro-brasileira.
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E aos poucos, em meio às verdades-mentiras que tinha inventado, Lumbiá ia se descobrindo realmente triste, profundamente magoado, atormentado em seu peito-coração menino (p. 83).

Nunca uma capa e um título disseram tanto sobre como o leitor se sente ao mergulhar nas histórias de um livro.

Olhos d’água é uma coletânea de contos publicada originalmente em 2014 por Conceição Evaristo, uma mulher negra, ex-moradora de uma favela em Belo Horizonte, que só concluiu o curso normal aos 25 anos de idade.

É admirável que eu nunca tenha ouvido falar nela até o dia em que soube que esse livro seria discutido no encontro de maio do Leia Mulheres Brasília. Como nunca tinha escutado esse nome? Como nunca tinha ouvido uma menção sequer a uma mulher com essa história, com essa capacidade de poetizar as dores? Ou será que não havia me atentado, não havia olhado nessa direção?

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16 de julho de 2018

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Selma

Por Eriane Dantas

Um ruído irritante, como se alguém desse a partida em um carro velho, tomou conta do quarto e a cada segundo se tornou mais e mais alto. Não ouvia mais o tique-taque do relógio de parede nem o latido do cão do vizinho. E eram duas horas da manhã. Àquela altura, já tinha rezado uma novena em favor dos meus parentes, principalmente do meu marido barulhento.

Conferi as horas novamente: passava das três. Se eu pegasse no sono naquele momento, dormiria por pouco menos de quatro horas. Da forma como meus olhos estavam, despertos como se eu tivesse tomado uma garrafa de café, sabia que passaria outra noite em claro. A solução foi encontrar algo para matar o tempo e chamar o sono.

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13 de julho de 2018

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Uma mulher que só queria esquecer

Por Eriane Dantas

Sabrina se alegrou por ser uma das primeiras ali, pois não queria mesmo encontrar alguém. Assim, poderia cumprir o plano de tomar alguns drinques sem companhia e voltar para casa tão bêbada que não pensaria em sua situação.

Quem já não passou por uma situação que gostaria de apagar da memória de uma vez: uma desilusão, um fracasso, uma perda? Em momentos como esses desejamos encontrar um remédio que neutralize a dor e nos permita seguir vivendo como se nada em nossa vida tivesse se alterado. Esse é o caso de Sabrina, uma mulher que só quer esquecer. Ela pretende permanecer em sua existência solitária. Foge das conversas com a família e com os colegas do trabalho. Seu único desejo é tomar uma bebida forte que a faça perder os sentidos ao menos por alguns instantes.

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