"10" Post(s) encontrado(s) na categoria: Destaques

14 de junho de 2022

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Cadê o amor?

Por Eriane Dantas

Arrepiam-me a apatia a conivência com a barbárie a comemoração da dor do outro Por que não incomoda se o outro passa fome padece tem a vida ceifada? Por que o próximo sempre merece os males mesmo causados por terceiros?

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24 de maio de 2022

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Ontem eu sonhei com o Saramago

Por Eriane Dantas

Ontem eu sonhei com o Saramago. José Saramago. O escritor português conhecido pelos longos parágrafos e pelo uso não convencional das vírgulas. Não me lembro do seu rosto ou da nossa interação (ou se alguma ocorreu). Só sei que era ele ali, marcando presença na minha mente durante o sono. Ele apareceu em meu sonho sem mais nem menos. Faz semanas que iniciei e interrompi a leitura de o Memorial do Convento (fui até a metade do livro). Vou retomá-la mais adiante. Falando assim, dou a impressão de que me refiro a um conhecido, um familiar, um amigo. A verdade é que me sinto íntima do Saramago quando visito suas obras. Para além de seu estilo único de escrita, admiro seu modo de narrar, sua ironia, a crítica política e social sempre presente em seus textos. Toda vez que leio um livro do autor, acabo acreditando que posso saramaguear, que […]

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18 de maio de 2022

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[Resenha] Curral de serras

Por Alvina Gameiro

Desde que terminei a leitura de Curral de serras, de Alvina Gameiro, estou à procura de um adjetivo que o defina. Impressionante, surpreendente e encantador são palavras batidas e não refletem a grandiosidade dessa obra. Curral de serras foi o penúltimo livro da autora, publicado em 1980, que também escreveu os títulos A vela e o temporal (1957), O vale das açucenas (1963), Chico Vaqueiro do meu Piauí (1979), entre outros. Alvina Gameiro nasceu em 1917, em Oeiras, no Piauí, e faleceu em 1999, em Brasília, Distrito Federal (DF), depois de ter morado em diversas cidades do Brasil e do mundo. Teve uma rica carreira literária e uma formação bastante avançada para as mulheres de sua época (formou-se em artes plásticas na Escola Nacional de Belas Artes, no Rio de Janeiro, e graduou-se na Universidade de Colúmbia, em Nova Iorque, nos Estados Unidos). Ganhou prêmios literários, foi membro da Academia Piauiense […]

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12 de maio de 2022

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A mãe da Babi

Mãe de alguém. Chega um momento na vida em que passamos a ser conhecidas assim, como se nos faltassem nomes. Meu filho ainda nem saiu das fraldas e eu já reparo nisso de vez em quando. A mãe da Babi, de Um ipê de cada cor, vive essa experiência. Não sabemos o seu nome. Não sabemos muito sobre a sua história. Ela é a mãe da Babi e da Ana. Mas nos inteiramos de seu ingresso no mundo materno, de sua preocupação em repetir os erros com a segunda filha, de sua forma de amar as duas. Ainda no ensino médio, ela conheceu um garoto que se tornou um amigo inseparável. A amizade cresceu, se modificou e, de repente, como não é raro na juventude, os dois acharam que não viveriam um sem o outro. Da paixão veio a surpresa: logo o casal traria mais um ser ao mundo.

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26 de abril de 2022

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Minhas versões

Por Eriane Dantas

Na infância, imaginamos os adultos bem-resolvidos, donos de si. Quando chegamos a essa etapa, porém, descobrimos: adulto é, em geral, uma criança que bate cartão, paga boletos e oculta sua infantilidade. Adultos não são imunes ao medo, à insegurança, aos traumas, à ansiedade, à vontade de chorar e espernear de vez em quando. De tempos em tempos, reflito sobre o caminho que trilhei até aqui e idealizo o que encontrarei logo ali, à frente (não, esse trajeto não consta em GPS e mapas). Olho pelo retrovisor e comparo esta “eu” de hoje com aquelas que fui deixando para trás. Já encarnei tantas versões. A lembrança de algumas me causa riso ou nostalgia; um punhado delas eu esqueceria de bom grado; outras, eu deveria viajar no tempo para consertar. De todo modo, elas não ficaram para trás de fato; vão no porta-malas, deslocando-se nas curvas, sacolejando nas estradas esburacadas.

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20 de abril de 2022

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O livro me faz livre

Por Eriane Dantas

O mês de abril é especial para o mundo do livro. Começa com o Dia Internacional do Livro Infantil, no dia 2. Segue pelo Dia Nacional da Biblioteca, no dia 9. Passa pelo Dia do Desenhista, no dia 15. Chega ao Dia Nacional do Livro Infantil e de Monteiro Lobato, no dia 18. E termina com o Dia Mundial do Livro, no dia 23. O livro é curioso. Sua criação depende do escritor ou da escritora (quer dizer, depende também de mais alguns agentes que trabalham na sua produção). Porém, sua existência só tem significado, sua função só se cumpre quando outro alguém resolve abri-lo, conhecê-lo, avaliá-lo. Há escritores e escritoras que juram escrever sem pensar nos leitores ou nas leitoras ou sem pretender uma futura publicação. Não sei se acredito. Quem desejasse manter o seu trabalho em segredo escreveria diários, e não livros.

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22 de março de 2022

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É louco quem não é feliz?

Por Eriane Dantas

Felicidade. Felicidad. Happiness. Bonheur. Não importa a língua, a felicidade tem dia reservado no calendário mundial. Um organismo internacional a ranqueia todo ano e mostra que ela mora lá do outro lado do oceano. Com tanta coisa acontecendo neste geoide que chamamos de Terra, quem se atreve a declarar essa tal felicidade? Talvez um habitante da Finlândia ou da Dinamarca. Por aqui, em terras BR, esse é item em baixa. Os poetas a declamaram. Os cantores a invocaram. Não sabemos ao certo qual é a sua cara, mas um dia toparemos com ela numa esquina qualquer. Ou um acontecimento fantástico vai trazê-la até nós. Afinal, o que é felicidade? Será que ela só aparece quando se está acompanhado? Felicidade é só questão de ser? Tem fim, como cantou Tom Jobim? O Google me esclarece que esse substantivo feminino significa satisfação plena. Parece um estado de espírito absoluto, inatingível, reservado aos […]

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08 de março de 2022

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Não me dê flores

Por Eriane Dantas

Já começaram a chegar as felicitações pelo dia, com uma lista de características que compartilho com mais de três bilhões de mulheres. “Parabéns, mulher, símbolo de amor, força, delicadeza, perseverança e cuidado” — dizem as mensagens, com variações, quase sempre acompanhadas de flores. Não me reconheço em toda essa descrição. Sinto-me envergonhada ao receber essas mensagens, que reforçam os estereótipos femininos, que mostram desconhecimento do que é ser mulher e de qual é o significado da data de hoje. O Dia das Mulheres surgiu das lutas feministas por igualdade de direitos entre mulheres e homens, por melhores condições de vida e trabalho. Talvez pelo preconceito contra o movimento feminista ou talvez por uma falsa impressão de não haver mais o que reclamar, desvirtuou-se o objetivo da data, que passou a ser tratada com um tom festivo e comercial.

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04 de março de 2022

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Conectad@s

Por Eriane Dantas

Que curioso é o mundo moderno. Eu escrevo neste momento de Brasília, a capital do Brasil. Você, que lê este texto agora, pode estar pertinho de mim, em Luziânia, Goiânia ou Unaí; ou, mais distante, em Santarém, São Luís ou Caxias do Sul; ou, ainda, em outro país da América do Sul: no Paraguai, na Argentina, na Colômbia; ou, do outro lado do oceano, em Portugal, na Alemanha, em Moçambique, no Paquistão. Não nos conhecemos. Talvez nunca cheguemos a nos conhecer. Não sei a sua história, as suas qualidades, os seus gostos, os desafios que você enfrentou ou enfrenta por aí, o sotaque, a língua ou os costumes do lugar onde mora. Não sei como é o mundo visto por seus olhos. Você também não sabe o que enxergo daqui. Até viu uma foto minha, leu um trecho da minha biografia. Mas só pode imaginar a minha trajetória, só dispõe […]

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