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23 de julho de 2019

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[Resenha] O matador

Por Wander Piroli

Naquele tempo havia muitos quintais e lotes vagos. E era tudo arborizado, tanto em nossa rua como em todo o bairro (p. 2-3). Esse foi o primeiro livro que li para o Joaquim, quando ele ainda era parte de mim. Não sei se ele escutou minha voz ao ler a história. Só sei que me emocionei ao lê-la — tanto pelas circunstâncias da leitura, quanto pela história em si (e não era a primeira vez que eu lia o livro para mim mesma). Publicado pela primeira vez em 2008, dois anos após a morte do autor, O matador foi ilustrado por Odilon Moraes, que usou desenhos que, à primeira vista, parecem simples, sem cor. Mas, quando se conhece a história, percebe-se a intenção do ilustrador. As imagens, em tons esverdeados, ganham cor forte apenas em dois momentos, avivando o sentimento que nos causam as palavras inscritas naquelas páginas.

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11 de junho de 2019

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Lembrança e esperança

Por Eriane Dantas

Mamadas, choro, fraldas sujas. A memória me aponta, maldosa, aqueles dias de antes, aqueles dias tomados pela série da vez, pelo livro do momento; aquelas noites de encontros com múltiplos personagens; aqueles dias previsíveis; aquelas noites de sonos inteiros.

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11 de fevereiro de 2019

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Apenas uma pequena pausa

Nem todo mundo que me conhece sabe que minha biografia começou a mudar há alguns meses, de uma forma que eu não esperava. Em breve minha família estará maior e provavelmente mais agitada. O mais incrível é que Joaquim ainda nem chegou, mas já me fez repensar meus hábitos, meus planos e minha forma de ver o mundo. Conseguiu me fazer enxergar em mim mesma aquilo que eu nem sabia que tinha, aquilo que eu nem imaginava que seria capaz de fazer. É como se eu estivesse lendo sobre uma personagem bem diferente de mim.

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09 de janeiro de 2019

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[Resenha] Finuras

Por Ana Luiza Barreto

Ainda que a gente tente escapar, não há conserto A poesia nos habita, é nossa natureza (trecho de “Minha natureza”, p. 28). Para começar o ano por aqui, um lindo trabalho lançado no final do ano passado, uma novidade que veio contrastar com os acontecimentos tenebrosos do último trimestre de 2018. Este é o primeiro livro de Ana Luiza Barreto, uma poeta baiana que tenho orgulho de apresentar como minha amiga e companheira de trabalho, de vida, de sonhos; que sabe combinar tão bem as palavras que consegue emocionar até mesmo com uma mensagem de celular.

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28 de dezembro de 2018

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Cartas para Marilu (n° 5)

Por Eriane Dantas

Sábado, 29 de junho de 1985. Marilu, Fiquei admirada com a notícia do início de seu namoro com o filho do amigo de seu pai. Como minha pequena menina poderia estar pensando em amor? Mas é hora de enxergar a realidade: como eu disse na primeira carta, você se transformou em uma bela moça. Aquela garotinha que caminhava para lá e para cá abraçada a um urso de pelúcia não existe mais, a não ser na minha memória, embora não pareça fazer tanto tempo que ela se foi. Por falar nisso, você se lembra do Dudu? Era o urso de pelúcia mais feio que já se tinha visto, mas você mesma o havia escolhido ao avistá-lo nas mãos de um vendedor de rua. Dudu logo se tornou seu melhor amigo. Dormia ao seu lado toda noite e a ajudou a enfrentar o medo do escuro. Era o único que a […]

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19 de dezembro de 2018

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[Resenha] As doze tribos de Hattie

Por Ayana Mathis

E se Hattie não conseguisse amar mais um filho? Talvez tenhamos uma quantidade finita de amor para dar. Nascemos com a nossa porção, e ela se esgota se amamos e não somos amados o suficiente (p. 89). Esta é a tocante história de uma mãe lutando, de uma forma particular, para conduzir sua numerosa família e superar as adversidades. Primeiro romance de Ayana Mathis, publicado originalmente nos Estados Unidos, em 2012, As doze tribos de Hattie rapidamente se tornou um best-seller por lá e foi incluído na lista de livros do clube de leitura da Oprah Winfrey. O livro conta a história de Hattie, seu marido, seus onze filhos (dentre eles, um casal de gêmeos que morrem ainda bebês) e sua neta. Ela, uma mulher que, no início da década de 1920, se casa com um homem que não atende a suas expectativas, vê seus sonhos de uma vida melhor […]

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26 de novembro de 2018

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Cartas para Marilu (n° 4)

Por Eriane Dantas

Quinta-feira, 27 de junho de 1985. Minha amada Marilu, Relutante, Vera contou que é sua madrasta a pessoa em quem você mais confia, mais que em seu pai, porque ela ouve suas confidências e dá em troca não apenas conselhos, mas também compreensão e apoio. É como uma irmã mais velha: sabe escutar e entender e, por outro lado, repreender se vir algo errado em seu comportamento. Consegue manobrar as regras de seu pai e o tem tornado mais flexível. Não posso mentir. Ouvir isso me deixou ao mesmo tempo irritada e deprimida. Era eu quem deveria estar aí, ouvindo seus desabafos e orientando sua caminhada. Era eu quem deveria ter acompanhado suas maiores descobertas, seus sorrisos mais alegres e até seus momentos de tristeza. Era eu quem deveria receber seus abraços todo dia e ter conquistado o título de sua melhor amiga.

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13 de novembro de 2018

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[Resenha] A valente princesa Valéria

Por João Paulo Vaz

Ora, uma das coisas que princesas corajosas fazem é salvar príncipes aprisionados (p. 9). Hoje trago mais um livro juvenil que diverte, mas também toca em assuntos importantes. Classificado em segundo lugar na categoria juvenil do Concurso Cepe de Literatura Infantil e Juvenil/2011, organizado pela Companhia Editora de Pernambuco (Cepe), este foi o quinto livro de João Paulo Vaz (o segundo voltado a crianças e jovens). As ilustrações ficaram a cargo de Laerte Silvino.

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29 de outubro de 2018

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Cartas para Marilu (n° 3)

Por Eriane Dantas

Terça-feira, 25 de junho de 1985. Filha, Ontem pensei em seu pai. Todo ano, recordo essa data e volto ao dia em que você nasceu. É como se estivesse ouvindo Antônio dizer agora, com aquele sorriso tímido, que você poderia ter esperado mais quatro dias para vir ao mundo e, em seguida, reconhecer que aquele era o melhor presente de aniversário que ele poderia receber. Imagino que ele tenha mencionado isso no jantar de domingo, tentando esconder as lágrimas, tão acanhadas quanto o sorriso. Consigo até ver a expressão de orgulho de Antônio por você ter escolhido comemorar seu aniversário mais importante junto com o dele.

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01 de outubro de 2018

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[Resenha] O alforje

Por Bahiyyih Nakhjavani

No breve momento que antecede a morte, ele entendeu que, se conseguisse pelo menos apreender o sentido daquelas palavras que o chamavam, seria sempre livre (p. 45). Para retomar a tendência de histórias fortes, o livro de hoje também desnuda a essência humana, mas foge da cultura ocidental e explora o mundo islâmico.  O alforje, publicado originalmente em inglês, em 2000, foi o primeiro romance de Bahiyyih Nakhjavani, escritora iraniana que, mesmo criada fora do Irã, escreve obras inspiradas na cultura de seu país natal. Outros romances da autora são: Us&Them (2017), The Woman Who Read Too Much (2015) e Paper (2005), nenhum deles traduzido para o português. O livro conta uma história pela perspectiva de nove personagens diferentes que se cruzam em algum momento ou encontram o misterioso alforje, enquanto uma caravana cruza o deserto entre Meca e Medina, levando um cadáver, uma noiva ao encontro do futuro marido […]

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