10 de agosto de 2021

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Três livros sobre pais

É senso comum a ausência de boa parte dos pais brasileiros na educação, no sustento e no cuidado dos filhos. Cerca de doze milhões de lares no Brasil são chefiados unicamente por mulheres, conforme dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Persiste também o não reconhecimento da paternidade. Segundo informações da Associação Nacional dos Registradores de Pessoas Naturais (Arpen-Brasil), quase 100 mil crianças nascidas no primeiro semestre de 2021 foram registradas apenas com o nome da mãe.

Diante desse retrato de abandono paterno, sinto certo constrangimento ao celebrar o dia dos pais. Acredito, no entanto, que a situação vem mudando e que uma parcela dos homens vem assumindo seu papel de pais.

Longe de querer santificar os homens que se esforçam para ser pais de verdade (afinal, eles não fazem mais do que sua obrigação), mostrar esses exemplos, na minha opinião, pode incentivar outros genitores a quebrarem o padrão, a se envolverem na vida dos filhos, a descobrirem as vantagens que essa convivência pode trazer tanto para seus descendentes, quanto para si mesmos. Então, hoje eu apresento três livros que retratam pais e filhos em uma relação próxima, pais presentes e participantes.

1. Pê de pai

Pê de pai (Sesi-SP, 2017), de autoria de Isabel Minhós Martins (texto) e de Bernardo P. Carvalho (ilustrações), usa poucas palavras para mostrar a infinidade de versões que um pai assume no cuidado do filho. Uma hora, é um avião e levanta o filho bem alto; em outro momento, é um doutor, que cura o machucado do pequeno com um beijo; pode ser também um freio de mão, que segura a cria antes da queda.

Pai guindaste
Pai trator
Pai sofá
Pai motor

Bonito, cheio de rima, o livro nos apresenta um pai carinhoso, companheiro do filho. Ele está presente nas brincadeiras, mas também nos momentos difíceis. O filho pode confiar nele para contar seus segredos ou quando surge um perigo.

2. Papai é meu

Em Papai é meu (Moderna, 2011), escrito por Ilan Brenman e ilustrado por Juliana Bollini, duas irmãs querem sempre estar junto do pai e disputam a atenção dele. Além de se jogarem sobre ele e o puxarem cada uma para um lado diferente, gritam a frase: “Papai é meu”.

Quando começava uma brincadeira em família:
— Papai é meu!
Gritava uma pendurada no pescoço dele.
— Papai é meu!
Gritava a outra, pendurada na cabeça dele.

Um dia, de tanto puxa-puxa, o pai acaba se rasgando ao meio, e cada uma delas fica com uma parte. Mas assim, com suas metades separadas, o pai não pode fazer mais nada. As meninas logo percebem que não há utilidade ou graça em ter um pai incompleto. Então, terão que se unir para solucionar o problema.

3. Leo e a baleia

Leo e a baleia, de Benji Davies, narra a história de um menino que encontra um filhote de baleia encalhado na areia e o leva para sua casa. A princípio, o tema principal do livro não é a relação entre pai e filho, mas ela acaba se sobressaindo lá pelas tantas.

Ele ficou feliz de seu pai estar ali, ao seu lado.

Quando descobre uma baleia em sua banheira, o pai não se zanga com Leo; nota a solidão do menino e o faz entender a necessidade de devolver o animal ao mar. Vai junto com ele realizar a tarefa. O filho então sente que pode contar com o pai.

***

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