29 de abril de 2021

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Outra vida

Por Eriane Dantas

Durante muito tempo tive medo de aparecer: poucas palavras ditas, nada de fotos, nada de vídeos, nada de exposição da intimidade e dos sentimentos diante de muita gente. Uma postagem como esta então seria impensável poucos anos atrás. E, ao mesmo tempo que desejava conquistar outros leitores e leitoras além da minha mãe, receava exibir os meus escritos.

Estou falando disso hoje aqui porque, à véspera de completar 12.419 dias na Terra, orgulho-me de ter matado parte desse monstro em mim. Para isso, além das parcerias que fiz nos últimos anos, da terapia, da relação com esse pequeno ser ao meu lado na foto, concorreram o meu sonho de escrever, o blog e a entrega a desafios no meu trabalho (e até encontros infelizes por lá).

Parece que foi em outra vida que me agarrava à fobia social (que eu odiava e amava na mesma medida), quase como se ela fosse parte indivisível de mim, quase como se essa fosse a única coisa a dizer sobre a pessoa que eu era. Hoje nem penso em me descrever como tímida. O rubor das minhas bochechas não define mais minha identidade. Outras características vêm à minha mente antes da timidez.

Não. Este não é um post motivacional (aliás, eu detesto coach. Desculpe-me se você for um). Este texto celebra o crescimento, a mudança. As vozes na mente continuam falando e falando que tudo vai dar errado, que vou passar vergonha, desmaiar ou gaguejar ao abrir a boca. Não adianta então tentar calar as vozes; o segredo é responder a elas: “pode ser que dê tudo errado, pode ser que eu passe vergonha, desmaie ou gagueje, mas vou tentar assim mesmo”.

Minha amiga Ana Luiza e eu costumamos brincar que somos medrosas com coragem — mesmo tremendo, mesmo com arrependimento no meio do caminho, a gente vai em frente. Não sei se chegarei a me tornar corajosa com medo ou simplesmente corajosa. Não importa. Com medo ou sem medo, o que vale é seguir.

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