11 de abril de 2020

6 Comentários

Decisões

Por Eriane Dantas

Há exatos doze meses, fui à última consulta do pré-natal — a consulta decisiva, pois no dia seguinte eu completaria 41 semanas de gestação, o prazo limite que o obstetra determinou para o parto.

Ele me examinou. Tudo continuava como nas consultas anteriores: Joaquim estava encaixado, mas não dava sinais de que queria sair dali tão cedo. O médico então anunciou que eu deveria optar, naquele momento, pelo parto induzido ou pela cesariana.

Essa foi uma decisão tomada rapidamente, afinal não havia tempo para pensar muito. Eu desejava o melhor para o Joaquim, mas também não queria sofrer mais que o necessário. E minha dúvida se desfez quando o obstetra, que me acompanhava havia meses e defendia o parto normal, opinou que, naquela situação, seria mais recomendável escolher a cesariana, pois a indução poderia trazer sofrimento para meu filho e para mim, sem qualquer garantia de que funcionaria.

Fazia meses que eu me encorajava, repetindo que o parto normal seria mais positivo para o Joaquim e para mim também. Fazia meses que vinha plantando na mente que seria capaz de enfrentar um parto normal, embora a ideia da situação e da dor ainda me assustasse. Fazia meses que escutava o incentivo do meu esposo, das minhas amigas, da psicóloga, da minha mãe. Fazia semanas que praticava exercícios pélvicos em uma clínica de fisioterapia por recomendação médica, só para estar mais preparada para o trabalho de parto.

Imagine-se então o que senti quando ouvi que não seria mais necessária toda aquela coragem que eu vinha tentando (e até consegui) retirar de algum lugar em mim. Não posso negar, porém, que também me senti aliviada. No fim de tudo, fiquei orgulhosa por ter resolvido encarar o parto normal, mesmo que essa decisão tenha se alterado depois. Não pude provar para mim mesma que eu conseguiria, mas pude concluir que eu tinha (e tenho) mais força do que pensava.

Sei que a maioria das mulheres brasileiras não escolhe a forma como parir (às vezes, nem mesmo na rede privada de saúde) e que esse é um tema polêmico. Por isso, meu objetivo aqui não é advogar a favor desse ou daquele tipo de parto (até porque não sou qualificada para isso). O que eu queria de verdade é que todas as futuras mães pudessem ser acompanhadas por um médico que lhes indicasse a alternativa mais benéfica tanto para seus bebês quanto para elas próprias, sem outros interesses por trás.

A gestação, especialmente quando se aproxima o dia do parto, é um período delicado para a mulher, que está sobrecarregada não só pelos hormônios, pelo cansaço e por outras complicações, mas também pela ansiedade e pela expectativa de que tudo corra bem com aquele ser que carrega por meses. Isso se torna ainda mais pesado para ela quando não há ao seu lado um profissional em quem possa confiar.

O meu parto foi marcado para dois dias após aquela consulta e ocorreu com tranquilidade. Eu me recuperei mais depressa do que imaginava. E o Joaquim, que não tinha urgência alguma de conhecer o mundo, hoje parece fazer parte daqui há muito mais tempo. Está aprendendo e se desenvolvendo tão rapidamente que pouco lembra aquele recém-nascido cujo choro preencheu a sala e cuja chegada fez daquele momento o mais belo da minha história.

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6 Comentários

  • Adriana
    06 maio, 2020

    LIndo!!LIndo!!E aproveito para desejar a você um dia das mães ao lado do seu filho com momentos de muito afeto e amor!
    Abraços!

    • Eriane Dantas
      Eriane Dantas
      09 maio, 2020

      Muito obrigada, Adriana!
      Um abraço.

  • Elane
    12 abril, 2020

    Que lindo texto!
    Tenho certeza que vc está se tornando uma super mamãe e que o Joaquim terá muito orgulho de vc assim que já puder conseguir compreender ainda mais o amor dos que fazem parte da família dele.
    Super beijo!

    • Eriane Dantas
      Eriane Dantas
      14 abril, 2020

      Obrigada, Elane! E um grande beijo. 😘

  • Eliete Morais
    12 abril, 2020

    Só quem viveu esses momentos com você sabe o quanto é lindo esse amor 💞

    • Eriane Dantas
      Eriane Dantas
      14 abril, 2020

      Obrigada, Eliete!
      Você viveu. 😍

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