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27 de agosto de 2019

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O processo III

Planejar o que escrever

Qual o sonho? Escrever algo bom, que fosse melhor do que eu sou, e que justificasse minhas tribulações e indiscrições. Oferecer prova, por meio de palavras reordenadas, de que Deus existe (Smith, 2018).

Todo mundo já deve ter visto, em filmes ou séries, um escritor ou uma escritora planejando os menores detalhes de seu livro antes de começar a escrevê-lo e até enchendo a parede de casa com papéis coloridos indicando cada parte do projeto. Certa vez, ouvi uma escritora real dizer que gasta meses nesse planejamento e só inicia a criação do livro, de fato, quando todos os capítulos estão programados.

Gostaria de ser assim: de me dedicar a um planejamento sem pressa e colocar a história no papel apenas depois de estruturá-la de forma minuciosa. A verdade é que não sou tão paciente, como já escrevi aqui outra vez. Isso não quer dizer, porém, que eu não planeje.

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17 de setembro de 2018

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[Resenha] Só garotos

Por Patti Smith

  • Título Original: Just Kids
  • Gênero do Livro: Biografia
  • Editora: Companhia das Letras
  • Ano de Publicação: 2018
  • Número de Páginas: 310
Sinopse: Antes de se tornar famosa, a cantora e poeta Patti Smith dividiu a cama, a comida e o sonho de ser artista com o fotógrafo Robert Mapplethorpe, a quem prometeu escrever este livro, pouco antes que ele morresse.
Nesta autobiografia afetiva, cativante e nada convencional, Patti reúne fotos, bilhetes e histórias extraordinárias para narrar os anos de aprendizado do casal que atravessou altos e baixos na efervescente Nova York dos anos 1960 e 1970 e se tornou ícone de muitas gerações.
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Não satisfeita com minha oração infantil, logo pedi a minha mãe que me deixasse fazer minha própria reza (p. 15).

Dando uma pausa nos textos ficcionais, o livro de hoje narra uma história real que trata do amor e da amizade entre duas pessoas que se encontraram por acaso e, em parceria, amadureceram e desenvolveram seus talentos. 

Só garotos, publicado originalmente em 2010, é uma autobiografia que Patti Smith escreveu em cumprimento a uma promessa feita ao fotógrafo Robert Mapplethorpe, com quem viveu por anos em Nova Iorque. Além deste livro, Patti Smith narrou suas memórias em Woolgathering (1992), Linha M (2015) e Devoção (2017).

Talvez Só garotos não seja uma autobiografia no sentido tradicional, mas um livro de memórias sobre um amor-amizade e o amadurecimento de dois artistas. Nele, Patti Smith descreve como conheceu Robert e como os dois passaram de uma relação amorosa a uma forte amizade.

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25 de julho de 2018

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O processo II

Ler mais para escrever melhor

Este é o poder decisivo de uma obra singular: o chamado à ação. E eu, repetidamente, sou tomada por uma arrogância orgulhosa que me leva a acreditar que posso atender a esse chamado (Smith, 2018).

Em abril de 2017, participei do curso Literatura infantil: o livro, o mercado e o escritor, com Tino Freitas, que me mostrou coisas das quais eu não tinha me tocado antes. A principal delas é a leitura do mercado. É o princípio básico de todo escritor, ensinado desde cedo em toda escola do país: ler mais para escrever melhor. Mas há outros elementos aí: ler para conhecer os temas abordados nas publicações contemporâneas e o estilo de quem escreve.

O mais relevante foi ouvir que precisamos ler livros infantis e juvenis para escrever livros infantis e juvenis. Essa é uma afirmação lógica? Definitivamente. Porém até aquele momento eu não tinha feito uma autoavaliação, não tinha percebido que não era a maior leitora da literatura voltada para aquele público, embora pretendesse escrever para ele. Minhas leituras de livros para crianças e jovens se resumiam àquelas da escola, do tempo em que atuei como professora. Então, foi como se Tino Freitas tivesse me sacudido e me despertado para o que deveria ser o primeiro passo do meu processo de escrita.

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