"3" Post(s) arquivados na Tag: maternidade

29 de outubro de 2018

2 Comentários

Cartas para Marilu (n° 3)

Por Eriane Dantas

Terça-feira, 25 de junho de 1985.


Filha,


Ontem pensei em seu pai. Todo ano, recordo essa data e volto ao dia em que você nasceu. É como se estivesse ouvindo Antônio dizer agora, com aquele sorriso tímido, que você poderia ter esperado mais quatro dias para vir ao mundo e, em seguida, reconhecer que aquele era o melhor presente de aniversário que ele poderia receber.

Imagino que ele tenha mencionado isso no jantar de domingo, tentando esconder as lágrimas, tão acanhadas quanto o sorriso. Consigo até ver a expressão de orgulho de Antônio por você ter escolhido comemorar seu aniversário mais importante junto com o dele.

Continue lendo

10 de setembro de 2018

0 Comentários

Cartas para Marilu (n° 2)

Por Eriane Dantas

Domingo, 23 de junho de 1985.


Querida Marilu,


Na fotografia que observo agora (a que acompanha esta carta), estamos apenas você e eu na saída da maternidade — eu com a aparência abatida; você dormindo envolta em um cobertor verde e amarelo. Seu pai insistiu em registrar o momento: disse que anos depois essa seria uma importante recordação para nós. Ele acertou na previsão: olhei para essa foto tantas vezes durante os últimos anos, querendo retornar àquele instante em que não tinha qualquer certeza sobre o futuro, mas previa uma vida diferente dali em diante.

Era jovem, inexperiente e tola. Imaginei que seria a melhor mãe, embora não tivesse prática alguma com crianças. Algo deveria despertar em mim, um tipo de sabedoria que viesse no pacote da maternidade. Também parecia fácil: bastava agir exatamente ao contrário da minha mãe. E, como não havia qualquer pessoa por perto para me indicar os caminhos, criei os meus próprios, contando apenas com minha intuição. Tracei planos para os dias, os meses e os anos seguintes.

Continue lendo

11 de agosto de 2018

0 Comentários

Cartas para Marilu (n° 1)

Por Eriane Dantas

Sexta-feira, 21 de junho de 1985.


Marilu,


Há exatos quinze anos, ser brasileiro significou fazer parte de uma nação gloriosa. Pelé, Gerson, Jairzinho e seus companheiros foram laureados heróis nacionais. E, com o cotidiano suspenso por um dia, colorido de verde e amarelo, a televisão uniu os brasileiros para acompanhar noventa minutos de encantamento, pela primeira vez em tempo real. Foi duro retornar à realidade no exterior daquela caixa de imagens e sons. A voz contida por quase uma década se converteu em um grito, cujo eco os brasileiros queriam fazer durar mais tempo.

Minha rotina também se alterou naquele dia, embora por uma razão diferente. Não assisti àquela partida final. Enquanto o país, envolvido com as cores da bandeira, mandava vibrações para que a seleção canarinho superasse a italiana, eu me preparava para conhecer você e torcia que nosso encontro não demorasse a acontecer. E tive uma certeza ao saber o resultado do jogo: sua chegada naquele dia não foi coincidência; significou que você traria tanto orgulho e tanta alegria para nossas vidas como a taça havia trazido para o Brasil.

Continue lendo


1 2
© 2019 Histórias em MimDesenvolvido com por