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11 de junho de 2019

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Lembrança e esperança

Por Eriane Dantas

Mamadas, choro, fraldas sujas. A memória me aponta, maldosa, aqueles dias de antes, aqueles dias tomados pela série da vez, pelo livro do momento; aquelas noites de encontros com múltiplos personagens; aqueles dias previsíveis; aquelas noites de sonos inteiros.

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11 de fevereiro de 2019

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Apenas uma pequena pausa

Nem todo mundo que me conhece sabe que minha biografia começou a mudar há alguns meses, de uma forma que eu não esperava. Em breve minha família estará maior e provavelmente mais agitada.

O mais incrível é que Joaquim ainda nem chegou, mas já me fez repensar meus hábitos, meus planos e minha forma de ver o mundo. Conseguiu me fazer enxergar em mim mesma aquilo que eu nem sabia que tinha, aquilo que eu nem imaginava que seria capaz de fazer. É como se eu estivesse lendo sobre uma personagem bem diferente de mim.

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28 de dezembro de 2018

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Cartas para Marilu (n° 5)

Por Eriane Dantas

Sábado, 29 de junho de 1985.


Marilu,


Fiquei admirada com a notícia do início de seu namoro com o filho do amigo de seu pai. Como minha pequena menina poderia estar pensando em amor? Mas é hora de enxergar a realidade: como eu disse na primeira carta, você se transformou em uma bela moça. Aquela garotinha que caminhava para lá e para cá abraçada a um urso de pelúcia não existe mais, a não ser na minha memória, embora não pareça fazer tanto tempo que ela se foi.

Por falar nisso, você se lembra do Dudu? Era o urso de pelúcia mais feio que já se tinha visto, mas você mesma o havia escolhido ao avistá-lo nas mãos de um vendedor de rua. Dudu logo se tornou seu melhor amigo. Dormia ao seu lado toda noite e a ajudou a enfrentar o medo do escuro. Era o único que a acalmava quando estava doente. Ele se sentava conosco à mesa de jantar, ia a qualquer passeio e testemunhava todos os nossos momentos. Era, afinal, parte de nossa família.

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26 de novembro de 2018

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Cartas para Marilu (n° 4)

Por Eriane Dantas

Quinta-feira, 27 de junho de 1985.


Minha amada Marilu,


Relutante, Vera contou que é sua madrasta a pessoa em quem você mais confia, mais que em seu pai, porque ela ouve suas confidências e dá em troca não apenas conselhos, mas também compreensão e apoio. É como uma irmã mais velha: sabe escutar e entender e, por outro lado, repreender se vir algo errado em seu comportamento. Consegue manobrar as regras de seu pai e o tem tornado mais flexível.

Não posso mentir. Ouvir isso me deixou ao mesmo tempo irritada e deprimida. Era eu quem deveria estar aí, ouvindo seus desabafos e orientando sua caminhada. Era eu quem deveria ter acompanhado suas maiores descobertas, seus sorrisos mais alegres e até seus momentos de tristeza. Era eu quem deveria receber seus abraços todo dia e ter conquistado o título de sua melhor amiga.

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