"4" Post(s) arquivados na Tag: histórias do mundo

07 de agosto de 2018

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No seu pescoço

Por Chimamanda Ngozi Adichie

  • Título Original: No seu pescoço
  • Gênero do Livro: Conto
  • Editora: Companhia das Letras
  • Ano de Publicação: 2017
  • Número de Páginas: 233
Sinopse: Publicado em inglês em 2009, No seu pescoço contém todos os elementos que fazem de Adichie uma das principais escritoras contemporâneas. Nos doze contos que compõem o volume, encontramos a sensibilidade da autora voltada para a temática da imigração, da desigualdade racial, dos conflitos religiosos e das relações familiares.
Combinando técnicas da narrativa convencional com experimentalismo, como no conto que dá nome ao livro — escrito em segunda pessoa —, Adichie parte da perspectiva do indivíduo para atingir o universal que há em cada um de nós e, com isso, proporciona a seus leitores a experiência da empatia, bem escassa em nossos tempos.

Aquilo que se enroscava ao redor do seu pescoço, que quase sufocava você antes de dormir, começou a afrouxar, a se soltar (p. 136).

Hoje o livro é de uma escritora que vem conquistando reconhecimento cada vez maior em todo o mundo.

Com doze histórias que tratam principalmente de imigração, choque de culturas e preconceito, No seu pescoço é o primeiro livro de contos de Chimamanda Ngozi Adichie, jovem autora nigeriana cujos trabalhos já foram traduzidos para mais de trinta idiomas. Além desse livro, Chimamanda publicou os romances Meio sol amarelo, Hibisco roxo e Americanah e os ensaios Sejamos todos feministas e Para educar crianças feministas.

Nos contos de No seu pescoço, vemos personagens descobrindo a empatia, tomando decisões pela primeira vez, conhecendo diferenças culturais, mergulhando na nostalgia, desfazendo seus preconceitos e suas expectativas, agindo sob o controle do ciúme, sendo julgados por sua nacionalidade ou religião. Mas aqui destaco dois contos que mais me marcaram.

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27 de julho de 2018

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Anjo de rua

Por Manoel Constantino

  • Título Original: Anjo de rua
  • Gênero do Livro: Romance
  • Editora: Cepe
  • Ano de Publicação: 2011
  • Número de Páginas: 40
Sinopse: Primeiro colocado da categoria Juvenil no I Concurso Cepe de Literatura Infantil e Juvenil. Inspirado na história real de um menino que viveu nas ruas do Recife, mostra como uma amizade pode perdurar, mesmo na adversidade. Ilustrações de Roberto Ploeg.

Nesses meses, eu achava que amava meu pai, achava minha mãe forte e bonita e os meus irmãos super-heróis.

Hoje trago mais um livro para jovens, mas aqui não vemos fantasia e aventura; vemos a vida real de crianças em situação de rua em uma capital brasileira. 

Vencedor do Concurso Cepe de Literatura Infantil e Juvenil/2010, organizado pela Companhia Editora de Pernambuco (Cepe), este é o primeiro livro para jovens de Manoel Constantino, que também é jornalista, ator, diretor e produtor de cinema e de teatro. Já as ilustrações tão realistas foram feitas por Roberto Ploeg, artista plástico holandês que vive no Brasil desde 1979.

A história é narrada em primeira pessoa por Careca, um menino de quatorze anos que fugiu de casa aos nove, cansado do tratamento que o pai destinava à esposa e aos filhos quando chegava bêbado a casa; cansado de apanhar dos pais.

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18 de julho de 2018

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Olhos d’água

Por Conceição Evaristo

  • Título Original: Olhos d'água
  • Gênero do Livro: Conto
  • Editora: Pallas
  • Ano de Publicação: 2016
  • Número de Páginas: 116
Sinopse: Em Olhos d’água Conceição Evaristo ajusta o foco de seu interesse na população afro-brasileira abordando, sem meias palavras, a pobreza e a violência urbana que a acometem. Sem sentimentalismos, mas sempre incorporando a tessitura poética à ficção, seus contos apresentam uma significativa galeria de mulheres: Ana Davenga, a mendiga Duzu-Querença, Natalina, Luamanda, Cida, a menina Zaíta. Ou serão todas a mesma mulher, captada e recriada no caleidoscópio da literatura em variados instantâneos da vida? Elas diferem em idade e em conjunturas de experiências, mas compartilham da mesma vida de ferro, equilibrando-se na “frágil vara” que, lemos no conto “O Cooper de Cida”, é a “corda bamba do tempo”. Em Olhos d’água estão presentes mães, muitas mães. E também filhas, avós, amantes, homens e mulheres – todos evocados em seus vínculos e dilemas sociais, sexuais, existenciais, numa pluralidade e vulnerabilidade que constituem a humana condição. Sem quaisquer idealizações, são aqui recriadas com firmeza e talento as duras condições enfrentadas pela comunidade afro-brasileira.

E aos poucos, em meio às verdades-mentiras que tinha inventado, Lumbiá ia se descobrindo realmente triste, profundamente magoado, atormentado em seu peito-coração menino (p. 83).

Nunca uma capa e um título disseram tanto sobre como o leitor se sente ao mergulhar nas histórias de um livro.

Olhos d’água é uma coletânea de contos publicada originalmente em 2014 por Conceição Evaristo, uma mulher negra, ex-moradora de uma favela em Belo Horizonte, que só concluiu o curso normal aos 25 anos de idade.

É admirável que eu nunca tenha ouvido falar nela até o dia em que soube que esse livro seria discutido no encontro de maio do Leia Mulheres Brasília. Como nunca tinha escutado esse nome? Como nunca tinha ouvido uma menção sequer a uma mulher com essa história, com essa capacidade de poetizar as dores? Ou será que não havia me atentado, não havia olhado nessa direção?

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09 de julho de 2018

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Frankenstein

Por Mary Shelley

  • Título Original: Frankenstein ou o Prometeu moderno
  • Gênero do Livro: Romance
  • Editora: Penguin Classics Companhia das Letras
  • Ano de Publicação: 2015
  • Número de Páginas: 417
Sinopse: O arrepiante romance gótico de Mary Shelley foi concebido quando a Autora tinha apenas dezoito anos. A história, que se tornaria a mais célebre ficção de horror, continua sendo uma incursão devastadora pelos limites da invenção humana. Obcecado pela criação da vida, Victor Frankenstein saqueia cemitérios em busca de materiais para construir um novo ser. Mas, quando ganha vida, a estranha criatura é rejeitada por Frankenstein e lança-se com afinco à destruição de seu criador. Este volume inclui todas as revisões feitas por Mary Shelley, uma introdução da autora e textos críticos de Percy B. Shelley e Ruy Castro. E ainda um apêndice com textos de Lorde Byron e do dr. John Polidori.

Foi um deleite descobrir que um som agradável, o qual era frequente chegar-me aos ouvidos, saía da garganta de pequenos animais alados que não raro bloqueavam a luz de meus olhos (p. 190).

Este clássico está completando duzentos anos em 2018. Foi adaptado tantas vezes para o teatro, o cinema, a televisão e os quadrinhos que nossa impressão da história, incluindo a ideia que fazemos sobre quem é de fato o Frankenstein, pode ser um pouco diferente do enredo original. Este é um exemplo de livro que resistiu ao tempo e é capaz de surpreender, mesmo dois séculos depois. Foi o livro discutido no meu primeiro encontro do Leia Mulheres Brasília. Por isso, não poderia faltar aqui.

Quem não conhece o monstro assustador com parafusos no pescoço? Essa é a primeira imagem que vem à minha mente quando penso no Frankenstein. Por isso e por meu desinteresse por histórias de terror, imaginei que não gostaria do livro, mas me surpreendi e me deparei como uma história que não me horrorizou. Ao contrário, me emocionou, me entristeceu, me fez pensar.

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