"10" Post(s) encontrado(s) na categoria: Destaques

03 de setembro de 2018

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A rainha do Norte

Por Joana Estrela

Ser estrangeiro não é fácil, mesmo quando se é uma rainha (p. 10). Este é um livro que diz muito, sem explicitar uma única vez o tema que aborda. É uma forma delicada de tratar um assunto tão em voga mas tão difícil de ser discutido. Terceiro livro de Joana Estrela, escritora e ilustradora portuguesa, A rainha do Norte é uma obra para crianças e jovens publicada originalmente em Portugal, em 2017, pela editora Planeta Tangerina. Os primeiros livros da autora foram Propaganda (2014) e Mana (2016). Antiga criada, vinda de um país distante, a rainha casou-se com um rei bem diferente dela e foi morar entre pessoas também diferentes, em um lugar totalmente estranho, onde nem a comida se parecia com a que ela estava acostumada a comer. Ser estrangeiro não é fácil, como dizem a sinopse e uma passagem do livro, e podemos demorar a nos adaptar a outra […]

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27 de agosto de 2018

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Três prêmios literários infantis e juvenis

Os concursos literários, embora concorridos, são uma boa opção para os escritores iniciantes publicarem seus trabalhos. Uma sugestão para saber sobre o lançamento dos concursos é acompanhar o Concursos Literários, um blog construído por diversas pessoas que colaboram com informações sobre concursos literários. A seguir, apresento uma lista com três concursos que selecionam obras literárias destinadas a crianças e jovens. As inscrições deste ano se encerraram, mas quem já iniciou algum texto terá tempo de participar das próximas edições.

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22 de agosto de 2018

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O retrato de Dorian Gray

Por Oscar Wilde

O artista é o criador de coisas belas. Revelar a arte e ocultar o artista é a finalidade da arte (p. 5). Hoje vamos falar sobre um clássico polêmico (como todo bom clássico), que, mesmo com o passar do tempo, não pode ser considerado ultrapassado. As reflexões que suscita são tão atuais como o eram no momento de sua produção. Único romance de Oscar Wilde, O retrato de Dorian Gray teve sua primeira edição em livro em 1891, mas já havia sido publicado pela revista britânica Lippincott’s Monthly Magazine, com a supressão de palavras do original. Mesmo com essa censura, o texto foi considerado imoral, e, em resposta, Wilde escreveu um prefácio no qual defende: Não existe livro moral ou imoral. Livros são bem escritos ou mal escritos. Isso é tudo (p. 5). Se, por um lado, o romance alçou Wilde ao sucesso, também o colocou no centro de severas […]

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11 de agosto de 2018

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Úrsula

Por Maria Firmina dos Reis

É horrível lembrar que criaturas humanas tratem a seus semelhantes assim e que não lhes doa a consciência de levá-los à sepultura asfixiados e famintos! (p. 103). Dedico a resenha de hoje a quem sonha com a liberdade e a igualdade entre os seres humanos, não importando sua cor, seu gênero e seu lugar de origem. Maria Firmina dos Reis, maranhense, negra e autodidata, publicou Úrsula em 1859 sob o pseudônimo “uma maranhense”. No prólogo, apresentou o livro como “mesquinho e humilde”, que “passará entre o indiferentismo glacial de uns e o sorriso mofador de outros” (p. 25), desculpando-se por seu atrevimento em escrever. E acrescentou: Sei que pouco vale este romance, porque escrito por uma mulher, e mulher brasileira, de educação acanhada e sem o trato e conversação dos homens ilustrados […] (p. 25).

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11 de agosto de 2018

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Cartas para Marilu (n° 1)

Por Eriane Dantas

Sexta-feira, 21 de junho de 1985. Marilu, Há exatos quinze anos, ser brasileiro significou fazer parte de uma nação gloriosa. Pelé, Gerson, Jairzinho e seus companheiros foram laureados heróis nacionais. E, com o cotidiano suspenso por um dia, colorido de verde e amarelo, a televisão uniu os brasileiros para acompanhar noventa minutos de encantamento, pela primeira vez em tempo real. Foi duro retornar à realidade no exterior daquela caixa de imagens e sons. A voz contida por quase uma década se converteu em um grito, cujo eco os brasileiros queriam fazer durar mais tempo. Minha rotina também se alterou naquele dia, embora por uma razão diferente. Não assisti àquela partida final. Enquanto o país, envolvido com as cores da bandeira, mandava vibrações para que a seleção canarinho superasse a italiana, eu me preparava para conhecer você e torcia que nosso encontro não demorasse a acontecer. E tive uma certeza ao […]

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07 de agosto de 2018

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No seu pescoço

Por Chimamanda Ngozi Adichie

Aquilo que se enroscava ao redor do seu pescoço, que quase sufocava você antes de dormir, começou a afrouxar, a se soltar (p. 136). Hoje o livro é de uma escritora que vem conquistando reconhecimento cada vez maior em todo o mundo. Com doze histórias que tratam principalmente de imigração, choque de culturas e preconceito, No seu pescoço é o primeiro livro de contos de Chimamanda Ngozi Adichie, jovem autora nigeriana cujos trabalhos já foram traduzidos para mais de trinta idiomas. Além desse livro, Chimamanda publicou os romances Meio sol amarelo, Hibisco roxo e Americanah e os ensaios Sejamos todos feministas e Para educar crianças feministas. Nos contos de No seu pescoço, vemos personagens descobrindo a empatia, tomando decisões pela primeira vez, conhecendo diferenças culturais, mergulhando na nostalgia, desfazendo seus preconceitos e suas expectativas, agindo sob o controle do ciúme, sendo julgados por sua nacionalidade ou religião. Mas aqui destaco […]

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27 de julho de 2018

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Anjo de rua

Por Manoel Constantino

Nesses meses, eu achava que amava meu pai, achava minha mãe forte e bonita e os meus irmãos super-heróis. Hoje trago mais um livro para jovens, mas aqui não vemos fantasia e aventura; vemos a vida real de crianças em situação de rua em uma capital brasileira.  Vencedor do Concurso Cepe de Literatura Infantil e Juvenil/2010, organizado pela Companhia Editora de Pernambuco (Cepe), este é o primeiro livro para jovens de Manoel Constantino, que também é jornalista, ator, diretor e produtor de cinema e de teatro. Já as ilustrações tão realistas foram feitas por Roberto Ploeg, artista plástico holandês que vive no Brasil desde 1979. A história é narrada em primeira pessoa por Careca, um menino de quatorze anos que fugiu de casa aos nove, cansado do tratamento que o pai destinava à esposa e aos filhos quando chegava bêbado a casa; cansado de apanhar dos pais.

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25 de julho de 2018

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O processo II

Ler mais para escrever melhor

Este é o poder decisivo de uma obra singular: o chamado à ação. E eu, repetidamente, sou tomada por uma arrogância orgulhosa que me leva a acreditar que posso atender a esse chamado (Smith, 2018). Em abril de 2017, participei do curso Literatura infantil: o livro, o mercado e o escritor, com Tino Freitas, que me mostrou coisas das quais eu não tinha me tocado antes. A principal delas é a leitura do mercado. É o princípio básico de todo escritor, ensinado desde cedo em toda escola do país: ler mais para escrever melhor. Mas há outros elementos aí: ler para conhecer os temas abordados nas publicações contemporâneas e o estilo de quem escreve. O mais relevante foi ouvir que precisamos ler livros infantis e juvenis para escrever livros infantis e juvenis. Essa é uma afirmação lógica? Definitivamente. Porém até aquele momento eu não tinha feito uma autoavaliação, não tinha […]

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18 de julho de 2018

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Olhos d’água

Por Conceição Evaristo

E aos poucos, em meio às verdades-mentiras que tinha inventado, Lumbiá ia se descobrindo realmente triste, profundamente magoado, atormentado em seu peito-coração menino (p. 83). Nunca uma capa e um título disseram tanto sobre como o leitor se sente ao mergulhar nas histórias de um livro. Olhos d’água é uma coletânea de contos publicada originalmente em 2014 por Conceição Evaristo, uma mulher negra, ex-moradora de uma favela em Belo Horizonte, que só concluiu o curso normal aos 25 anos de idade. É admirável que eu nunca tenha ouvido falar nela até o dia em que soube que esse livro seria discutido no encontro de maio do Leia Mulheres Brasília. Como nunca tinha escutado esse nome? Como nunca tinha ouvido uma menção sequer a uma mulher com essa história, com essa capacidade de poetizar as dores? Ou será que não havia me atentado, não havia olhado nessa direção?

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16 de julho de 2018

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Selma

Por Eriane Dantas

Um ruído irritante, como se alguém desse a partida em um carro velho, tomou conta do quarto e a cada segundo se tornou mais e mais alto. Não ouvia mais o tique-taque do relógio de parede nem o latido do cão do vizinho. E eram duas horas da manhã. Àquela altura, já tinha rezado uma novena em favor dos meus parentes, principalmente do meu marido barulhento. Conferi as horas novamente: passava das três. Se eu pegasse no sono naquele momento, dormiria por pouco menos de quatro horas. Da forma como meus olhos estavam, despertos como se eu tivesse tomado uma garrafa de café, sabia que passaria outra noite em claro. A solução foi encontrar algo para matar o tempo e chamar o sono.

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