"10" Post(s) encontrado(s) na categoria: Destaques

20 de agosto de 2019

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Cartas para Marilu (n° 6)

Segunda-feira, 1° de julho de 1985. Minha querida filha, No dia em que enviei a última carta, a observei caminhando para a escola, dessa vez sozinha, com uma expressão séria e um olhar difícil de interpretar. Parecia que seus olhos contemplavam algo que não se encontrava ali, algo que eu não via. O vento bagunçou seus cabelos, e você tentou reordená-los com uma mão, enquanto a outra segurava uma pequena pilha de livros, que caíram e se espalharam pelo chão. Por um instante fantasiei, presunçosa, que sua aparente tristeza tivesse relação com minhas cartas, com nossa separação, com a falta que faço em sua vida. Quis me aproximar, ajudá-la a recolher os livros, ajudá-la a carregar a preocupação que parecia mais pesada que suas forças de menina. Porém, no minuto seguinte, percebi a tolice da ideia. O medo dominou meu corpo, me impedindo de dar um único passo. Não sabia […]

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13 de agosto de 2019

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À sombra desta mangueira

Por Paulo Freire

A libertação é possibilidade; não sina, nem destino, nem fado” (p. 50). Hoje trago um livro de um dos autores brasileiros mais conhecidos no mundo e um dos maiores educadores de todos os tempos; um homem repudiado em seu próprio país, o país que ele tanto amava e queria ver transformado. Publicado pela primeira vez em 1995, À sombra desta mangueira talvez seja um livro pouco conhecido de Paulo Freire, em que o autor discute de forma bastante pessoal temas como educação, política, avanço da tecnologia e exílio; faz críticas à esquerda e aos antigos progressistas. Paulo Freire nasceu no Recife, Pernambuco, em 1921 e, ainda na infância, viu crescer em si mesmo a vontade de melhorar a educação do povo, de tornar a sociedade menos desigual e mais justa.

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06 de agosto de 2019

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Quanto tempo

Por Eriane Dantas

Ela não sabe há quanto tempo está ali, no mesmo lugar, vendo os mesmos humanos passarem dia após dia, com olhar fixo no horizonte, acelerados, como quem tem pressa de alcançar a linha de chegada. Deve haver uma recompensa ao final da caminhada de cada um, ela imagina, o pote de ouro no fim do arco-íris, como ouviu um sujeito dizer certa vez. Queria ela também receber aquele prêmio. Mas preferiria um pote de sorvete, a sobremesa intrigante que as pessoas tomam com uma careta sorridente. Ela não sabe há quanto tempo está ali. Tenta puxar pela memória, mas lá não há qualquer calendário ou relógio. Ninguém lhe ensinou quantas horas há no dia, quantos dias há no mês e quantos meses há no ano. Ela também não conseguiria calcular. Tem apenas a sensação de já ter visto o sol nascer e se pôr muitas vezes daquele ponto. Talvez tenham […]

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30 de julho de 2019

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Tempos de sombras

Em seis meses, assistimos à tentativa de destruir não só a educação, mas também a história e a ciência. Descobrimos que, no Brasil, não há mais fome nem desmatamento; que não precisamos de cadeirinhas nos carros nem de barreiras de velocidade, tampouco de aulas para obter carteira de motorista; que não faz mal adicionar alguns agrotóxicos aos nossos alimentos; que as meninas da Ilha do Marajó são estupradas porque não usam calcinhas; que nós, nordestinos, somos todos “paraíbas”; que preocupação com o meio ambiente é coisa de vegano; e que vale mais uma sensação do que resultados de pesquisas. Infelizmente, essa é somente uma amostra — foi o que consegui recordar neste momento. Há muito mais de onde isso saiu, e ainda seremos contemplados com outros exemplos até 2022.

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23 de julho de 2019

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O matador

Por Wander Piroli

Naquele tempo havia muitos quintais e lotes vagos. E era tudo arborizado, tanto em nossa rua como em todo o bairro (p. 2-3). Esse foi o primeiro livro que li para o Joaquim, quando ele ainda era parte de mim. Não sei se ele escutou minha voz ao ler a história. Só sei que me emocionei ao lê-la — tanto pelas circunstâncias da leitura, quanto pela história em si (e não era a primeira vez que eu lia o livro para mim mesma). Publicado pela primeira vez em 2008, dois anos após a morte do autor, O matador foi ilustrado por Odilon Moraes, que usou desenhos que, à primeira vista, parecem simples, sem cor. Mas, quando se conhece a história, percebe-se a intenção do ilustrador. As imagens, em tons esverdeados, ganham cor forte apenas em dois momentos, avivando o sentimento que nos causam as palavras inscritas naquelas páginas.

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11 de junho de 2019

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Lembrança e esperança

Por Eriane Dantas

Mamadas, choro, fraldas sujas. A memória me aponta, maldosa, aqueles dias de antes, aqueles dias tomados pela série da vez, pelo livro do momento; aquelas noites de encontros com múltiplos personagens; aqueles dias previsíveis; aquelas noites de sonos inteiros.

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11 de fevereiro de 2019

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Apenas uma pequena pausa

Nem todo mundo que me conhece sabe que minha biografia começou a mudar há alguns meses, de uma forma que eu não esperava. Em breve minha família estará maior e provavelmente mais agitada. O mais incrível é que Joaquim ainda nem chegou, mas já me fez repensar meus hábitos, meus planos e minha forma de ver o mundo. Conseguiu me fazer enxergar em mim mesma aquilo que eu nem sabia que tinha, aquilo que eu nem imaginava que seria capaz de fazer. É como se eu estivesse lendo sobre uma personagem bem diferente de mim.

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09 de janeiro de 2019

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Finuras

Por Ana Luiza Barreto

Ainda que a gente tente escapar, não há conserto A poesia nos habita, é nossa natureza (trecho de “Minha natureza”, p. 28). Para começar o ano por aqui, um lindo trabalho lançado no final do ano passado, uma novidade que veio contrastar com os acontecimentos tenebrosos do último trimestre de 2018. Este é o primeiro livro de Ana Luiza Barreto, uma poeta baiana que tenho orgulho de apresentar como minha amiga e companheira de trabalho, de vida, de sonhos; que sabe combinar tão bem as palavras que consegue emocionar até mesmo com uma mensagem de celular.

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28 de dezembro de 2018

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Cartas para Marilu (n° 5)

Por Eriane Dantas

Sábado, 29 de junho de 1985. Marilu, Fiquei admirada com a notícia do início de seu namoro com o filho do amigo de seu pai. Como minha pequena menina poderia estar pensando em amor? Mas é hora de enxergar a realidade: como eu disse na primeira carta, você se transformou em uma bela moça. Aquela garotinha que caminhava para lá e para cá abraçada a um urso de pelúcia não existe mais, a não ser na minha memória, embora não pareça fazer tanto tempo que ela se foi. Por falar nisso, você se lembra do Dudu? Era o urso de pelúcia mais feio que já se tinha visto, mas você mesma o havia escolhido ao avistá-lo nas mãos de um vendedor de rua. Dudu logo se tornou seu melhor amigo. Dormia ao seu lado toda noite e a ajudou a enfrentar o medo do escuro. Era o único que a […]

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19 de dezembro de 2018

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As doze tribos de Hattie

Por Ayana Mathis

E se Hattie não conseguisse amar mais um filho? Talvez tenhamos uma quantidade finita de amor para dar. Nascemos com a nossa porção, e ela se esgota se amamos e não somos amados o suficiente (p. 89). Esta é a tocante história de uma mãe lutando, de uma forma particular, para conduzir sua numerosa família e superar as adversidades. Primeiro romance de Ayana Mathis, publicado originalmente nos Estados Unidos, em 2012, As doze tribos de Hattie rapidamente se tornou um best-seller por lá e foi incluído na lista de livros do clube de leitura da Oprah Winfrey. O livro conta a história de Hattie, seu marido, seus onze filhos (dentre eles, um casal de gêmeos que morrem ainda bebês) e sua neta. Ela, uma mulher que, no início da década de 1920, se casa com um homem que não atende a suas expectativas, vê seus sonhos de uma vida melhor […]

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