12 de novembro de 2019

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Por que ler para bebês?

A forma como a criança é vista hoje é diferente daquela de anos atrás. Já se sabe que, em seus primeiros anos de vida (especialmente até os três), a criança passa pelo período mais intenso de aprendizagem e desenvolvimento, que começa antes mesmo do nascimento.

Por essa razão, essa é a fase à qual os adultos (mães, pais, avós, cuidadores, professoras etc.) devem dar mais atenção. Além de garantir a alimentação e um ambiente seguro, devem oferecer afeto, contato com a natureza e espaço para que a criança brinque e se desenvolva. Isso porque as experiências dos primeiros anos de vida (sejam positivas ou negativas) marcarão toda a trajetória da criança.

É por isso também que há um movimento em favor da proteção das crianças na primeira infância (período que vai de zero a seis anos de idade).

Os bebês, portanto, mesmo quando não dão mostras de que nos compreendem, estão interagindo conosco e com o ambiente, estão observando e colecionando as informações sobre o mundo, estão descobrindo coisas novas a cada dia.

Vi tudo isso, ainda durante a gestação, no documentário O começo da vida, disponível na Netflix — uma obra tocante e bastante esclarecedora, especialmente para quem nunca havia experimentado um contato tão próximo com uma criança dessa idade.

Estou aprendendo na prática também: vendo a rapidez com que o Joaquim tem se desenvolvido e a alegria que ele demonstra ao adquirir uma nova habilidade (como, por exemplo, virar e desvirar).

Nessa experiência, tenho constatado que essa fase inicial da vida é o momento mais propício para estimular a leitura nas crianças. Mas que ninguém confunda a criação do hábito de leitura com alfabetização — a leitura nos anos iniciais da vida, na minha opinião, deve ter o objetivo de ensinar a gostar de ler e não de ensinar a codificar e decodificar os sinais gráficos.

Partindo dessa ideia, apresento a seguir três benefícios que tenho observado na leitura com um bebê (que valem também para crianças de outras idades):

1. Diversão

Mais importante de tudo, a leitura oferece a oportunidade de mães, pais e filhos se divertirem juntos. Então é necessário que os adultos selecionem livros que também apreciem, pois acho difícil transmitir o prazer de ler para uma criança se não sentimos esse prazer.

Por outro lado, é muito fácil se apaixonar pelas obras destinadas a crianças. Há inúmeros títulos com formatos, textos e projetos gráficos diferentes, com histórias que divertem, emocionam e fazem refletir.

2. Vínculo entre pais e filhos

A realização de uma atividade prazerosa, por si só, é capaz de gerar uma ligação forte entre mãe, pai e filho. Afinal, somos mais propensos a gostar das pessoas com quem compartilhamos momentos que nos fazem bem.

A mãe ou o pai que se senta para ler uma história com o bebê diariamente também mostra à criança seu interesse e seu compromisso de passar esse tempo com ela.

Durante a leitura, as pessoas se aproximam, trocam olhares, sorrisos, partilham histórias e experiências, mesmo que uma delas ainda não consiga se expressar por meio da fala. Quando crescer, é provável que a criança tenha boas lembranças desses momentos.

3. Desenvolvimento da linguagem

Todo mundo sabe que há um diferença entre a linguagem escrita e a linguagem falada. E isso não se refere apenas ao vocabulário. Quando lemos um livro em voz alta, nossa maneira de pronunciar as palavras e nossa entonação não são iguais àquelas que usamos na fala espontânea.

Ao ler para o Joaquim, percebo que ele nota essa diferença. Várias vezes, já olhou para mim rapidamente, com espanto, ao me ouvir ler uma história, como se quisesse ter certeza de que sou eu mesma ali.

Dessa forma, ao ouvir histórias, as crianças poderão desenvolver vocabulário e formas de expressão mais amplos do que aqueles do nosso dia a dia.

Por isso, acredito que não devemos limitar o acesso dos bebês àqueles livros normalmente indicados para essa idade (livros de pano, livros-brinquedos, livros com sons). Eles podem e devem ter contato com livros de verdade, com textos e ilustrações caprichados, com histórias ricas em significado.

Há exatamente um mês, apresentei aqui quatro sugestões de livros, com base nas preferências do Joaquim, que podem agradar aos bebês e às crianças um pouco maiores.

Mas, como há muito mais opções de obras literárias, espero apresentar outros livros em breve, e quem quiser pode me enviar suas recomendações também.

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