05 de julho de 2018

2 Comentários

O processo I

Controlar a ansiedade

Meu coração na caneta, meus desejos num papel (Vander Lee).

Antes de mostrar aqui minhas histórias, quero falar do que escrevo (meus gêneros e público preferidos) e de como escrevo (como é meu desordenado processo de criação).

Como confessei anteriormente, ao escrever meu primeiro livro, não usei de técnicas, apenas fui registrando o que minha imaginação me sussurrava. Escrevi com muita paixão, com muito impulso, mas com quase nenhuma consciência do processo.

Ainda escrevo com a mesma afobação. Porém tenho tentado desacelerar e criar as histórias pouco a pouco, mesmo que elas venham a minha mente de repente e de uma vez só. Porque é em uma marcha mais lenta (às vezes, difícil de manter) que posso observar melhor minha própria criação e dar ao texto o tempo necessário para amadurecer.

Foi minha amiga Sâmella (uma das poucas pessoas do meu convívio que têm tanta paixão pela literatura) que me ajudou a construir esse pensamento. Em nossas conversas quase diárias sobre o tema, ela falava de suas pesquisas para o doutorado e do processo de criação de determinado escritor e me estimulava a ler cartas e diários de autores conhecidos. Por causa de nossas conversas, comecei a registrar em um diário minha relação com a escrita, minhas ideias, minhas tentativas de aprimorar minha forma de escrever.

Sâmella me emprestou também o livro Cartas exemplares, que contém cartas de Gustave Flaubert (de quem tantas vezes falamos e cuja Madame Bovary líamos naquele momento). Em suas cartas, Flaubert relata aos amigos o desenvolvimento de sua produção literária. E me vi em suas declarações sobre a angústia da escrita — não uma angústia penosa; uma necessidade inquietante de pôr as ideias no papel. Mas ele, sem dúvida, era mais paciente que eu: demorou cinco longos anos para concluir Madame Bovary, sempre reescrevendo, sempre buscando a palavra perfeita.

Mexeu comigo conhecer a experiência do escritor de um livro que marcou uma época (escandalizando a sociedade e gerando problemas judiciais ao autor) e resistiu ao tempo. Fiz então uma nova avaliação do meu próprio processo e vi que ainda preciso diminuir a ansiedade e pensar em planos a longo prazo, como a própria Sâmella sugeriu, porque continuo criando várias histórias ao mesmo tempo, em um ritmo alucinado.

O lado bom é que, mesmo em minha frenética produção, já tenho maior consciência sobre a forma como escrevo e como quero escrever, tenho maior conhecimento a respeito das minhas possibilidades e das minhas fraquezas (acho até que já nem pulo a mesma amarelinha que minha chefe emérita, Maristela Debenest, apontou um dia). Enfim, não escrevo simplesmente, mas sou capaz de fazer uma autocrítica mais fundamentada — e não só guiada pela insegurança.

Minhas histórias, que me vêm à mente antes mesmo de eu concluir as anteriores (em um descompasso entre a agilidade da minha mente e a das minhas mãos), são em sua maioria voltadas para crianças e jovens. Tenho tentado construir textos que emocionem crianças e jovens e os levem a refletir, sem se converterem em puro material pedagógico. Mas tenho me arriscado também na literatura para adultos e comecei um projeto especial há algum tempo: um romance ambientado no interior do Piauí.

O romance é meu gênero predileto e o conto também me entusiasma. Ainda não me aventurei, porém, na poesia (apesar do incentivo de minha poeta mais querida, Cel Prado).

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2 Comentários

  • ellen
    10 julho, 2018

    Uau…. cada um tem mesmo um processo, e isso que torna interessante cada escritor e descobridor de obras e autores.

    Tem pessoas que já nascem com a habilidade para a “pena” creio que sejas uma.
    Abs

    • Eriane Dantas
      Eriane Dantas
      10 julho, 2018

      Ahhh, Ellen, muito obrigada! Como eu disse, estou me dedicando a aprender a usar essa pena.
      Fiquei muito feliz com mais uma visita sua. 🙂

      Beijos.

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